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Ameaça de aumento de impostos une Agro, Indústria e Comércio

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Um evento histórico em Mato Grosso marcou a união de todos os setores da economia do estado em prol de um objetivo em comum. Impedir a aprovação de uma lei que poderá aumentar impostos em praticamente todos os segmentos da economia.

A audiência pública foi presidida pelo deputado Avallone para debater o PLC 53/2019, proposto pelo governo de Mato Grosso com o objetivo inicial de reinstituir os benefícios fiscais, e reuniu centenas de pessoas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, incluindo empresários, trabalhadores e representantes de diversas entidades. “Esse tema precisa ser mais debatido com a sociedade e com os setores impactados. O governo precisa de espaço e o setor produtivo quer dialogar sobre isso”, disse Avallone.

O projeto, apresentado na semana passada, pegou o setor produtivo de surpresa ao extrapolar o objetivo inicial e propor alterações profundas no sistema tributário de Mato Grosso.

“Esperávamos uma convalidação do Prodeic e de outros incentivos que funcionam, reduzindo o déficit competitivo de nosso estado e estimulando a geração de novos empregos e desenvolvimento. E o que veio foi uma reforma tributária, sem tempo hábil para o debate”, afirma o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso, Gustavo de Oliveira.

Durante a audiência pública, ele abordou diversos aspectos da atual situação, reforçando a posição já declarada pela Fiemt: de que o governo do estado precisa conduzir apenas a reinstituição dos incentivos, cujo prazo se esgota em julho, e deixar a reforma tributária para um debate mais qualificado.

Ele questiona, por exemplo, a redução do teto do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic), também embutida no PLC. “Vamos perder competitividade, além de gerar grande insegurança jurídica, ao anular contratos válidos”.

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Todos os segmentos da economia que participaram da audiência lembraram que qualquer aumento de impostos acaba se refletindo no bolso da população, que passa a consumir menos e, com isso, a arrecadação do estado diminui em vez de aumentar.

Entre os deputados presentes, Avallone, Xuxu dal Molin, Wilson Santos e Ulysses Moraes declararam apoio à causa, por não concordarem com o aumento de tributos e também pela falta de tempo para que a ALMT aprecie o texto do projeto com a atenção merecida.

Wilson Santos garantiu que os 24 deputados estaduais são favoráveis aos incentivos fiscais. “Existem questionamentos, mas nenhum deputado é insano a ponto de achar que Mato Grosso tem condições de competir com outros estados sem incentivos. Há mais de dois anos existe uma lei para que os estados façam o dever de casa e regularizem os incentivos. E nós esperamos até os últimos dias?”, questionou.

“O governo tem que retirar o texto da mensagem e encaminhar um decreto à ALMT. O assunto que nos traz aqui é somente a reinstituição dos incentivos fiscais que foram concedidos sem aval do Confaz”, disparou Wilson Santos. A proposta foi endossada por Avallone, que reforçou a necessidade de retirar o projeto.

Na mesma linha do presidente da Fiemt, ele defendeu a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento econômico para o Estado, que permita menos concentração de renda.

Veja os principais trechos da fala de Gustavo de Oliveira:

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“O debate em Mato Grosso precisa passar pela geração de empregos. Precisamos falar sobre como criar novos empregos e não como acabar com vagas. Não precisamos de retrocesso.”

“Antes disso, porém, temos uma escolha a fazer: uma decisão com foco no futuro de Mato Grosso ou em um pequeno aumento de arrecadação, que nem é sustentável.”

“Queremos industrializar este estado e fazer circular mais dinheiro ou ser eternamente exportadores de matérias-primas? Se for exportar matéria-prima, é preciso avisar as pessoas. Agora, se a escolha for o desenvolvimento, precisamos garantir o respeito aos contratos válidos.”

“Mato Grosso não é uma ilha. Somos 27 estados em guerra fiscal. O maior deles, São Paulo, reinstituiu todos os incentivos por meio de um decreto. Concorrentes de Goiás recolhem 1 a 2% e emitem nota com 12% pra cá. Já saímos com pelo menos 6% de desvantagem.”

“Temos diversos questionamentos quanto à proposta. Um deles é que tanto o texto do PLC quanto o regulamento do ICMS ignoram o fato de que a substituição tributária não encerra a cadeia tributária. Isso já é um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).”

“Queremos falar sobre desenvolvimento socioeconômico. Queremos falar de industrialização. Mas quem entende de indústria somos nós e não quem está atrás de uma mesa ou palpiteiros de Whatsapp.”

Entre as entidades presentes, estiveram Fiemt, Fecomércio, CDL Cuiabá, Ampa, Sindenergia, Sinduscon, Sinvest, Sindilat, Sindalcool, Sindirecicle, Sindarroz, Sincop, Absolar e diversas outras.

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