Desde a última eleição presidencial e nos primeiros meses do novo mandato as universidades públicas vêm sendo alvo de muitos ataques. Se concentravam numa demolição, com falas como desaparelhar a educação, desesquerdizar, despetizar, desideologizar, endireitar, balbúrdia e outras do gênero. O foco era numa negação destas instituições e sua privatização como a grande saída. O Ministério da Educação chegou a apresentar a proposta de um programa denominado Future-se. Mas teve pouco avanço e, até onde pude acompanhar, foi descontinuado com a troca de ministro. Espero que o atual titular do MEC possa apresentar um rumo para a educação brasileira.
Mas, enquanto isto, muita coisa boa continua acontecendo. As universidades vêm se mantendo e inovando nesse contexto de cortes orçamentários contínuos e dos enfrentamentos políticos citados. Tiveram que se adaptar a este contexto de aulas à distância gerado pela pandemia, eleições on line para a reitoria e a implantação de teletrabalho para boa parte dos seus servidores.
No caso da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) tivemos a divulgação de números positivos no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Medicina de Cuiabá e Rondonópolis atingiram nota máxima (5), juntamente com Arquitetura e Urbanismo na capital. O resultado vem de uma prova realizada pelos estudantes e que acaba sendo uma expressão da qualidade de todo o curso, já que os egressos são seu produto final.
O curso de Medicina de Cuiabá é um excelente exemplo de como enfrentar as dificuldades e buscar um novo modelo. Saíram da nota 2 na última avaliação do Enade em 2016 para 5 agora. Eles vêm inovando bastante em aspectos pedagógicos, com formatos mais voltados para a resolução de problemas e integração das disciplinas, facilitados por tutorias. Houve também investimento em novos equipamentos acadêmicos capazes de melhorar o aprendizado, com a incorporação definitiva da tecnologia na relação ensino-aprendizagem.
Um outro ponto positivo foi o empreendedorismo, marcado pela relação com o setor privado. Um dos maiores projetos hoje desenvolvidos pela UFMT está lá. Trata-se da Revalidação de Diplomas de Medicina obtidos no exterior. Teve um salto gigantesco nos últimos 5 anos e tornou-se referência nacional. Além disto, os saldos positivos gerados por ele auxiliaram no financiamento na infraestrutura e nas inovações citadas.
A comunidade acadêmica está de parabéns por este sucesso, na pessoa da Diretora da Faculdade, Doutora Bianca Borsatto. Que o exemplo que estão dando de como buscar uma agenda positiva para a universidade pública no Brasil possa ser seguido e servir de estímulo nesse momento Brasil afora.
Vinicius de Carvalho é gestor governamental, analista político e professor universitário.

















