O advogado Paulo Amador da Cunha Bueno, que defendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado, assumiu a defesa do auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto. Ele é apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como beneficiário de mais de R$ 1 bilhão em propina em um esquema bilionário de créditos tributários investigado na Operação Ícaro.
Silva Neto, preso desde 12 de agosto, teria favorecido empresas como a Ultrafarma e a Fast Shop em processos de adiantamento de créditos de ICMS-ST. O esquema também envolvia a venda desses créditos a companhias como a Kalunga e a Rede Nos, dona das lojas de conveniência Oxxo. Segundo o MPSP, há indícios de que parte das compradoras pode não ter sabido da origem irregular dos valores.
Em entrevista, Cunha Bueno admitiu a possibilidade de delação premiada. “Estamos avaliando os elementos do caso, mas preliminarmente nada será descartado”, afirmou. Antes, a defesa do fiscal estava com o ex-deputado estadual Fernando Capez, que havia sinalizado a intenção de acordo, mas o cliente recuou.
A investigação aponta ainda para o aumento expressivo do patrimônio da empresa Smart Tax, registrada em nome da mãe de Artur, Kimio Mizukami da Silva, que teria saltado de R$ 411 mil para R$ 2 bilhões entre 2023 e 2025.
Na sexta-feira (15), a Justiça prorrogou por mais cinco dias a prisão temporária do auditor fiscal. Já o empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes, diretor da Fast Shop, foram liberados mediante fiança de R$ 25 milhões cada, uso de tornozeleira eletrônica e retenção de passaportes.















