Ademir Galiztki
Em uma ocasião, estive em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. O lugar era simples, e as pessoas, humildes e hospitaleiras. Passei por uma experiência muito agradável. Busquei uma informação sobre um endereço, e o moço que nos ajudou foi muito prestativo, levando-nos até o local desejado. Ele teve a hombridade e a capacidade de nos conduzir até o destino solicitado. Nem eu nem minha família estávamos ali para testar aquelas pessoas; no entanto, no dia seguinte, minha filha foi buscar outra informação e um senhor bastante simpático nos mostrou o endereço, que ficava a pelo menos quatro quadras de distância. No outro dia, a história se repetiu: uma senhora de certa idade nos levou até uma feira que não sabíamos onde ficava. Era horário de almoço e a convidamos para almoçar conosco. Durante a refeição, batemos um longo papo e pudemos nos conhecer melhor. Ela nos contou histórias maravilhosas e apaixonantes sobre Minas Gerais.
Esse fato de as pessoas ajudarem está no sangue, no costume mineiro de ser gentil, carismático e gente boa, de ajudar alguém sem olhar a quem. Ser cordial e ser mineiro de fato é sempre procurar agradar, seja um novo visitante, um viajante, um turista ou até mesmo um morador que não conhece os pontos turísticos. Agradecemos e também fomos gentis, seguindo nosso caminho. Fomos conhecer o lado romântico de Minas Gerais, seu artesanato, folclore, doces caseiros em compotas e barras, e o famoso pão de queijo mineiro. Se você não sabe, caro leitor, o melhor queijo do mundo está em terras mineiras. Sim, o queijo mais premiado do planeta. É lá também que se encontra o melhor café orgânico e cafés especiais do mundo. O café mais caro da história da humanidade saiu de Minas Gerais, adquirido em um leilão especial por 62.000 reais uma saca de 60 kg. Tenho amigos em Arapongas-MG, Kátia e João, que são produtores de café especial @cafepicodobone, um café premiado.
Dizem que o povo mineiro é desconfiado, discreto e muito esperto, conciliador. Eles sempre começam “comendo pelas beiradas”; quando chegam à metade do prato, já está bem morninho para terminar a refeição. Esta é a expertise do povo mineiro. Se você começar uma boa prosa com um mineiro e contar alguns causos interessantes, mesmo que não seja seu parente, ele logo encontrará algum parentesco. É um jeito mineiro de ser. Mas um conselho de amigo: nunca comece um negócio com um mineiro pensando em ganhar sempre. Pelo menos pense em empatar, pois o mineiro jamais gostou de perder. Eles têm fama de serem bons e hábeis negociadores, políticos e hospitaleiros. O que o mineiro tem de melhor é seu coração: ele é capaz de tirar a única camisa para agasalhar alguém que precise mais do que ele. Isso está na alma mineira: servir ao próximo.
O mineiro não gosta de ostentar riquezas. Se tem algo, é porque trabalhou duro e tudo veio com sacrifício e muito suor. Ainda hoje, em 2024, há quem guarde dinheiro embaixo do colchão. Já conheci vários lugares do Brasil, mas como Minas Gerais, não há igual. Suas belezas naturais, a melhor cachaça artesanal do Brasil, uma das melhores culinárias do mundo, com broas de milho, pão de queijo, doces de tacho, tutu de feijão, feijão tropeiro com barriga de porco, bamba de couve, leitão à pururuca, vaca atolada, frango com quiabo e polenta, e muito mais.
Um pouco do linguajar mineiro: “arreda” (chega pra lá), “arroiado” (cheio), “ataia” (cortar caminho), “atazana” (encher o saco), “bagaço” (coisa ruim), “bobiça” (bobagem), “cabuloso” (estranho ou complicado), “cacunda” (costas), “cadim” (um pouco), “cadique” (por causa do quê), “cambada” (grupo de pessoas), “casca fora” (sumir), “cê tá bão?” (você está bem?), “custoso” (difícil), “de bituca” (espiando), “de prosa” (conversar um pouco), “quentagua” (esquentar água), “facideia” (faço ideia), “trem” (um objeto), “nuemes” (não é mesmo?), “cemez qui faiz” (é você mesmo quem faz), “desbensoi” (Deus te abençoe), “cê vai tomabain” (você vai tomar banho), “agurinha mez do um pulim lá” (daqui a pouco eu vou lá), “gendideus” (gente de Deus), “blusdifri” (blusa de frio), “docindileiti” (doce de leite), “chepracá” (chega pra cá), “caduzoto” (casa dos outros), “né pussive” (não é possível), “tradaserra” (atrás da serra).
Cidades importantes: Belo Horizonte, Ouro Preto, Tiradentes, Congonhas, Mariana, São João Del Rei, Diamantina, Capitólio, São Tomé das Letras, Sabará, entre outras. A cordialidade do querido povo mineiro merece sinceras homenagens e aplausos. Em tudo, daí graça.





















