União Progressista vive seu momento mais delicado
A federação formada por PP e União Brasil atravessa hoje a fase mais sensível desde sua criação em Santa Catarina. O que antes era apenas desconforto político começa a se transformar em divergência estratégica.
O Progressistas tem defendido de forma cada vez mais clara a candidatura do senador Esperidião Amin ao Senado. Para o partido, abrir mão desse espaço significaria reduzir drasticamente sua influência política no estado.
Já setores do União Brasil demonstram disposição maior para manter diálogo com o governo estadual e avaliar composição com o projeto liderado pelo governador Jorginho Mello.
Essa diferença de postura expõe um dilema interno: manter a federação unificada ou permitir que cada partido siga seu próprio caminho eleitoral.
Se houver ruptura ou flexibilização da aliança, o impacto será imediato. A federação possui estrutura municipal, presença parlamentar e tempo relevante de rádio e televisão — fatores que podem alterar significativamente o equilíbrio entre as candidaturas.
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Amin transforma exclusão em ativo político
A decisão de reafirmar sua intenção de disputar o Senado colocou Esperidião Amin novamente no centro do tabuleiro político catarinense.
A exclusão do senador da chapa governista produziu um efeito curioso: reforçou sua posição dentro do Progressistas e mobilizou lideranças regionais em sua defesa.
Nos bastidores, prefeitos e dirigentes partidários têm manifestado apoio à possibilidade de uma candidatura independente, especialmente no interior do estado, onde Amin mantém forte capital político acumulado ao longo de décadas de vida pública.
A estratégia neste momento é testar a viabilidade real de uma candidatura fora da estrutura governista. Caso o movimento ganhe escala, a disputa pelo Senado pode deixar de ser previsível e transformar-se em uma eleição aberta.
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MDB observa o conflito e reorganiza seu espaço
Enquanto o campo conservador discute suas próprias tensões, o MDB trabalha para reconstruir seu protagonismo no cenário estadual.
Após romper com o governo, o partido intensificou reuniões internas e ampliou conversas com lideranças municipais e empresariais. A leitura estratégica dentro da sigla é que a fragmentação da direita pode abrir espaço para uma candidatura de perfil moderado.
Nesse contexto, o nome do ex-governador Raimundo Colombo continua sendo mencionado como possível eixo de reorganização política. Colombo reúne experiência administrativa e trânsito em diferentes setores da política e da economia catarinense.
O MDB parece apostar em uma lógica clássica: quando adversários se dividem, surge espaço para quem consegue apresentar estabilidade.
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Governo busca manter estabilidade política
Do lado do governo, a prioridade tem sido preservar a agenda administrativa enquanto o ambiente eleitoral se intensifica.
O governador Jorginho Mello tem ampliado agendas no interior do estado e reforçado anúncios de investimentos e obras públicas. A estratégia é conhecida: fortalecer a imagem de gestão enquanto os adversários ainda discutem alianças e candidaturas.
Nos bastidores, aliados do governo afirmam que o objetivo é evitar que a disputa eleitoral domine a pauta política antes do tempo. Ao mesmo tempo, o Palácio mantém canais de diálogo abertos com partidos que ainda não definiram posição definitiva.
Em política, relações raramente são encerradas de forma definitiva.
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O Senado passa a definir o rumo da eleição
A principal mudança no cenário catarinense é estrutural. A disputa pelo Senado deixou de ser consequência da eleição ao governo e passou a influenciar diretamente a formação das alianças.
Hoje, praticamente todas as conversas políticas no estado passam por essa disputa.
A posição de Amin influencia o Progressistas.
A decisão do PP afeta a União Progressista.
O movimento da federação altera o espaço do MDB.
E todos esses fatores impactam diretamente o projeto de reeleição do governo.
A eleição de 2026 começa a ser desenhada agora — muito antes do início oficial da campanha.
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Nada definido
Santa Catarina entra em um momento típico de pré-eleição: poucas definições públicas, muita movimentação interna e crescente pressão dentro dos partidos.
O governo ainda possui vantagem estrutural. Mas o rearranjo político em curso mostra que o caminho até 2026 será marcado por negociações intensas e possíveis mudanças de alinhamento.
Em eleições majoritárias, alianças não são apenas acordos partidários. São equações de poder, território e identidade política.
E quando essas equações começam a se mover, o resultado da eleição passa a ser decidido muito antes do primeiro voto ser depositado nas urnas.
























