Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
ENTREVISTA DA SEMANA

“A música que desperta”: José Carlos Assunção Dias, o Zé Cantor, fala sobre como a musicoterapia humaniza o cuidado, fortalece a saúde emocional e transforma o ambiente hospitalar

Foto: Rafael Marques / RDM online

publicidade

Cada vez mais associada à redução da ansiedade, ao estímulo da memória e ao fortalecimento emocional, a música vem conquistando espaço como uma poderosa aliada no cuidado à saúde. Nesta entrevista, o musicoterapeuta José Carlos Assunção Dias, conhecido como Zé Cantor, compartilha experiências marcantes vividas em hospitais, explica os efeitos da música na prática clínica, defende a integração da musicoterapia às equipes multiprofissionais e aponta os principais desafios para ampliar o reconhecimento e a aplicação dessa abordagem terapêutica no Brasil.

 

Imagem: Zé Cantor
Foto: Rafael Marques / RDM online

 

 

Confira à entrevista:

RDM online: Pesquisas em neurociência associam a música à redução da ansiedade. Como o senhor percebe esses efeitos na prática clínica?

Zé Cantor: A música funciona como um relaxante natural. Ela ativa memórias, sensações e emoções, ajudando o paciente a desacelerar, se concentrar no presente e alcançar um estado de maior bem-estar.

 

RDM online: Por que a música tem um impacto emocional tão profundo nas pessoas?

Zé Cantor: Porque ela vai além do imaginar ou do visualizar. A música faz sentir. Ela atua como uma “quarta dimensão”, despertando emoções que podem acalmar, energizar ou trazer conforto.

 

RDM online: O senhor afirma que a música não é um milagre, mas um estímulo. O que isso significa na musicoterapia?

Zé Cantor: Significa que a música precisa ser aplicada com critério. Antes de qualquer estímulo, é fundamental conhecer o paciente, seu prontuário e suas condições emocionais.

 

RDM online: Como essa aplicação muda entre pacientes hospitalizados e atendimentos em clínicas?

Leia Também:  Alunas da rede estadual vão apresentar na Índia calculadora para deficientes visuais

Zé Cantor: No hospital, o foco é o acolhimento e a redução da ansiedade. Em clínicas, a musicoterapia pode atuar também na reabilitação e no aprendizado de instrumentos, por exemplo.

 

RDM online: Quais são os principais objetivos da musicoterapia no ambiente hospitalar?

Zé Cantor: Reduzir a agitação, melhorar a adesão aos procedimentos médicos, fortalecer o emocional e contribuir para o bem-estar geral do paciente.

 

RDM online: A musicoterapia pode ser aplicada também em casa?

Zé Cantor: Sim. Em ambientes familiares, ela funciona como incentivo. Crianças, por exemplo, aprendem brincando, desenvolvem coordenação, percepção e vínculo emocional.

 

RDM online: Como a música ajuda no controle da ansiedade, especialmente em crianças?

Zé Cantor: Ela traz a pessoa para o agora. Ansiedade é sofrer pelo que ainda não aconteceu, e a música ajuda a focar no presente, na respiração e no equilíbrio emocional.

 

RDM online: Existem evidências de que a música estimula o cérebro mesmo em situações críticas?

Zé Cantor: Sim. Estudos mostram que ouvir música ativa diversas áreas do cérebro, inclusive em exames médicos ou em pacientes em coma, que podem reagir à voz ou ao canto.

 

RDM online: O senhor pode relatar um caso marcante vivido na prática hospitalar?

Zé Cantor: Uma jovem que havia sofrido um AVC reconheceu minha voz anos depois, durante uma palestra. A música despertou memórias importantes e mostrou seu poder terapêutico.

Leia Também:  Alison dos Santos e Matheus Lima vão à semi dos 400m com barreiras

 

RDM online: Como funciona a integração da musicoterapia com equipes multiprofissionais?

Zé Cantor: Ela acontece junto a psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais. Esse trabalho integrado potencializa os resultados no pós-operatório e no bem-estar do paciente.

 

RDM online: A tecnologia pode ser uma aliada nesse processo?

Zé Cantor: Sem dúvida. Já utilizamos videochamadas e transmissões musicais para aproximar pacientes internados de suas famílias, fortalecendo o vínculo emocional.

 

RDM online: Sua trajetória como gestor influencia sua visão sobre a musicoterapia?

Zé Cantor: Sim. Como gestor, vejo que a música pode ser integrada de forma organizada ao cuidado hospitalar, mesmo com intervenções breves que fazem grande diferença.

 

RDM online: O que é necessário para que centros de musicoterapia se tornem realidade?

Zé Cantor: Principalmente vontade política. O SUS já prevê a musicoterapia, mas faltam profissionais e investimentos para atender a demanda.

 

RDM online: O senhor acredita que essa realidade pode mudar em breve?

Zé Cantor: Acredito que sim. Quando a sociedade percebe os benefícios, a demanda cresce e os gestores passam a se movimentar para atender essa necessidade.

 

RDM online: Para finalizar, qual mensagem o senhor deixa sobre a música e a saúde?

Zé Cantor: A música é o despertar. Ela desperta emoções, conexão, alegria e esperança. Quando entendida como ferramenta de cuidado, pode transformar vidas.

 

Veja vídeo: 

 

Foto: Acervo pessoal

 

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade