Enquanto o debate público ainda gira em torno de governo e Senado, os bastidores da política catarinense já estão tomados por outra disputa. Muito mais silenciosa. Muito mais estratégica. E talvez muito mais importante.
A montagem das nominatas para deputado federal e estadual virou o verdadeiro campo de batalha dos partidos em Santa Catarina.
É ali que se define quem terá bancada forte, quem amplia poder político, quem sobrevive eleitoralmente e quem corre o risco de desaparecer do mapa nos próximos quatro anos.
E os movimentos mais recentes mostram que o xadrez já começou a mudar.
A eleição de 2026 ainda parece distante para o eleitor comum, mas nos bastidores da política catarinense a disputa já começou faz tempo. E talvez a guerra mais importante nem esteja nas majoritárias. Ela acontece dentro das nominatas para deputado federal e estadual, onde os partidos tentam equilibrar voto, território, ego, densidade regional e sobrevivência política.
Em Santa Catarina, alguns movimentos começam a deixar o cenário mais claro. No PL, a principal mudança envolve Caroline De Toni, que deixa de ser vista como peça central da nominata federal e passa a surgir praticamente consolidada no projeto ao Senado. O mesmo acontece com Esperidião Amin, que trabalha sua recondução e deve novamente disputar uma vaga senatorial. A consequência direta disso é a redistribuição de espaço dentro da chapa federal do PL, fortalecendo nomes como Júlia Zanatta, Zé Trovão, Daniel Freitas, Ricardo Guidi e Daniela Reinehr.
Na Assembleia Legislativa, o PL continua apostando numa chapa fortemente ideológica e extremamente competitiva, sustentada por nomes como Ana Campagnolo, Sargento Lima, Jessé Lopes, Carlos Humberto e Ivan Naatz. O partido aposta novamente na força do voto conservador, na presença digital e numa distribuição regional bastante organizada.
No Progressistas, os movimentos também começam a ganhar forma. Zé Milton aparece cada vez mais consolidado no projeto de candidatura à Câmara Federal, enquanto Altair Silva trabalha sua recondução à Alesc apoiado principalmente pela força construída junto ao agro e ao Oeste catarinense.
Mas talvez o partido que mais chama atenção hoje seja o PSD. Enquanto muitas siglas apostam apenas em nomes fortes ou em polarização ideológica, o PSD tenta montar uma engenharia proporcional mais sofisticada, baseada em equilíbrio interno e distribuição territorial. Na disputa federal, o partido trabalha nomes extremamente competitivos como Júlio Garcia, Mário Motta e Napoleão Bernardes, sob articulação política de Raimundo Colombo.
Já na nominata estadual, o PSD começa a ganhar musculatura em várias regiões. E um dos nomes que mais cresce internamente é o de Gean Loureiro, visto como peça importante para fortalecer o partido na Grande Florianópolis e ampliar a densidade eleitoral da chapa. O partido também trabalha lideranças ligadas ao projeto estadual de João Rodrigues, que hoje se transformou no principal eixo político da sigla em Santa Catarina.
O MDB também se movimenta com cautela, mas continua sendo uma das estruturas partidárias mais capilarizadas do estado. A legenda aposta novamente na força municipalista e na presença histórica em praticamente todas as regiões catarinenses. Entre os nomes mais observados nas articulações internas aparecem Antídio Lunelli, Fernando Krelling, Mauro de Nadal e Jerry Comper. O MDB sabe que talvez não tenha hoje a narrativa mais barulhenta do estado, mas segue extremamente competitivo quando o assunto é estrutura eleitoral.
Já o União Brasil talvez seja hoje uma das maiores incógnitas da eleição proporcional catarinense. O partido trabalha longe dos holofotes, mas vem tentando estruturar uma chapa capaz de ocupar justamente o espaço entre a polarização pesada do PL e a estrutura tradicional de MDB e PSD.
Nos bastidores, existe a leitura de que o União pode crescer muito se conseguir consolidar nomes regionais fortes sem criar excesso de concentração interna. E alguns movimentos começam a chamar atenção.
O deputado federal Fábio Schiochet segue como uma das principais lideranças do partido no estado e atua diretamente na montagem das nominatas. O União também observa lideranças municipais, ex-prefeitos e parlamentares que possam agregar densidade regional sem entrar numa disputa predatória dentro da própria chapa.
Na nominata estadual, o partido monitora nomes com forte apelo regional e perfil mais moderado, especialmente em regiões onde a polarização começa a gerar desgaste político. Existe também a expectativa sobre possíveis movimentos de lideranças da Grande Florianópolis e do Norte catarinense que ainda aguardam definições partidárias antes de oficializar projetos eleitorais.
O União Brasil tenta construir uma estratégia diferente: menos dependência de voto ideológico puro e mais foco em gestão, municipalismo e presença regional. E justamente por não carregar hoje o desgaste de protagonizar a polarização estadual, muita gente nos bastidores acredita que o partido pode acabar sendo um dos destinos mais procurados na reta final da janela partidária.
O Podemos também começa a chamar atenção na formação proporcional. A deputada estadual Paulinha aparece como principal nome da legenda para uma das vagas à Câmara Federal. Nos bastidores, existe a leitura de que ela chega à disputa com densidade eleitoral consolidada, forte presença municipalista e boa capacidade de transferência regional de votos.
O que já ficou claro nos bastidores é que a eleição proporcional de 2026 em Santa Catarina será profundamente regional. Os partidos entenderam que não basta mais ter celebridade política, deputado viral ou nome forte em rede social. É preciso montar chapas inteligentes, equilibradas e territorialmente distribuídas. Porque em eleição proporcional, muitas vezes o problema não é faltar voto. É colocar votos demais no lugar errado.


























