O índice de preços de alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) subiu pelo terceiro mês consecutivo e atingiu 136 pontos em setembro, ante 133,3 em agosto. A alta foi associada a interrupções logísticas, preocupações climáticas e dificuldades no transporte de commodities, embora o indicador ainda esteja 14,84% abaixo do recorde de 159,7 pontos registrado em março de 2022.
Segundo a FAO, os cereais foram um dos principais responsáveis pelo avanço, com alta de 5,1% em setembro. O resultado refletiu as perspectivas de menor produtividade do milho nos Estados Unidos e os obstáculos à comercialização de grãos pelo Mar Negro em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia. Os óleos vegetais também subiram 0,9%, enquanto o açúcar passou a sofrer pressão diante das preocupações relacionadas ao fenômeno El Niño.
“Estamos observando um aumento persistente e cada vez mais generalizado nos preços globais das commodities, à medida que as interrupções no Estreito de Ormuz e no Mar Negro se combinam com choques climáticos, pressionando os setores de energia, transporte e principais commodities alimentícias”, afirmou o economista-chefe da FAO, Máximo Torero. A alta foi parcialmente compensada pela queda de 1,1% no índice de preços das carnes, influenciada principalmente pela desvalorização das aves.
Em relatório separado, a FAO manteve praticamente estável a previsão de produção mundial de cereais para 2026, em 2,979 bilhões de toneladas, volume que seria o segundo maior já registrado. A agência, porém, reduziu em 0,7% a estimativa para o comércio global de cereais em 2026/27. A organização também alertou para o agravamento da fome no Iêmen, onde, segundo o Programa Mundial de Alimentos, três em cada quatro famílias estão sendo obrigadas a pular refeições em meio à intensificação do conflito.




















