O Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo, em decisão unânime do Comitê de Política Monetária. A queda de 0,25 ponto percentual leva a taxa a um recuo acumulado de 1,25 ponto desde março e abre espaço para uma redução gradual do custo do crédito para o setor produtivo.
Para o agronegócio, a medida ocorre em meio à retração do crédito rural e à preparação da safra 2026/27. Juros menores podem favorecer financiamentos de máquinas, equipamentos, armazenagem, irrigação e capital de giro, mas o efeito não será imediato nas linhas com recursos controlados, cujas taxas são definidas pelo Plano Safra.
Dados compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul apontam que a área financiada para custeio caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses. No mesmo período, o crédito rural bancário recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões, enquanto o número de contratos caiu 10,3%, para 777,8 mil. A situação ainda é agravada pela parcela de operações consideradas problemáticas, que representava cerca de 23,5% do saldo ativo em julho.
A redução dos juros ocorre em um cenário de inflação mais comportada, mas ainda cercado de riscos. Em agosto, o IPCA caiu 0,32% e acumulou 4,22% em 12 meses, enquanto o mercado projeta inflação de 4,9% para 2026. Para os produtores, o impacto da nova Selic dependerá do repasse dos bancos, da oferta de recursos e da evolução dos preços, além de fatores como clima, petróleo, fertilizantes e fretes.



















