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Pandemia e excesso de telas agravam saúde mental de jovens

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O isolamento social durante a infância e o aumento do uso de telas são apontados como fatores que alteraram hábitos e relações familiares de adolescentes. Levantamento do Global Burden of Disease (GBD), publicado pela The Lancet em 2026, estima que 15,6 milhões de brasileiros de 5 a 29 anos convivam com transtornos mentais. A ansiedade aparece como a principal causa de incapacidade não fatal entre esse grupo.

Segundo a professora de Psicologia Rute Grossi, da UniCesumar Maringá, o fechamento das escolas entre os 6 e 12 anos interrompeu experiências importantes para o desenvolvimento social. “A interrupção da rotina presencial na faixa entre 6 e 12 anos privou as crianças do ambiente escolar, essencial para a construção do senso de competência social, manejo de conflitos e frustrações”, afirma. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam aumento global de 25% na prevalência de ansiedade e depressão desde o início da pandemia.

O uso prolongado de dispositivos também passou a ocupar o espaço antes destinado ao convívio presencial, segundo a especialista. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda, para adolescentes de 11 a 18 anos, limitar o uso recreativo de telas a 2 a 3 horas por dia, evitar dispositivos durante as refeições e interromper o uso de uma a duas horas antes de dormir. A orientação inclui substituir parte desse tempo por esportes, atividades ao ar livre e encontros presenciais.

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A avaliação de possíveis transtornos deve considerar a persistência dos sintomas e mudanças no funcionamento cotidiano, como queda no desempenho escolar, isolamento, alterações prolongadas de sono e apetite, irritabilidade e abandono de atividades prazerosas. Para Rute, a reconstrução da rotina familiar também é importante. “A presença diária e constante, como uma refeição sem celular ou uma conversa, é mais eficaz do que a imposição de regras rígidas sem diálogo”, afirma. A recomendação é combinar limites e diálogo, mantendo acompanhamento profissional quando houver sinais persistentes de sofrimento.

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