O Brasil vive atualmente um dos períodos mais importantes da sua história recente: as eleições representam um momento de reflexão, responsabilidade e exercício da cidadania para toda a nação. Desde a redemocratização, o país passou a organizar novas eleições gerais em todo o território nacional, superando a ditadura civil-militar (1964–1985), período em que os direitos democráticos, como o voto, foram restringidos por meio de decretos autoritários.
Passadas quase quatro décadas, celebramos mais uma vez a possibilidade de escolher nossos representantes federais e estaduais. O período eleitoral, além de permitir que cada eleitor analise, consulte e critique as propostas dos candidatos, é também a oportunidade para a nação renovar suas perspectivas. Afinal, o regime democrático pressupõe a alternância de poder, premissa fundamental para a vida em sociedade e para o funcionamento das instituições.
Para além das disputas ideológicas, as eleições estaduais, federais e distritais devem ser celebradas em tom de festa e júbilo. Esse evento nacional deve ser visto como uma conquista histórica da sociedade brasileira. Vivido a cada quatro anos, o pleito nos oferece a oportunidade de analisar o que foi feito, o que ainda precisa ser concretizado e o que necessita de melhorias. Atualmente, em 2026, o Brasil conta com 158,7 milhões de eleitores aptos a votar em todas as unidades da federação — um aumento de 2.291.452 eleitores (cerca de 1,46%) em relação a 2022, quando o país somava 156,4 milhões. Contudo, a polarização observada em 2022 voltou a se repetir nas eleições para o Executivo deste ano, situação que compromete o processo e impossibilita que os eleitores analisem o pleito de maneira ampla e construtiva.
É necessário romper com essa barreira dualista para voltarmos a atenção aos reais problemas enfrentados diariamente pela população brasileira, como a saúde, a educação, a segurança pública e os alarmantes índices de feminicídio que estampam os jornais. O Brasil vai muito além de uma visão maniqueísta do mundo: somos uma nação heterogênea, marcada por desafios históricos e complexos. Para avançarmos, é preciso superar projetos pessoais e priorizar os interesses da sociedade como um todo. O diálogo deve se sobrepor ao ódio e à ignorância política, pois somente nessa direção será possível construir um país plenamente democrático e independente. Uma nação soberana se edifica coletivamente, e não a partir da imposição de apenas duas visões de mundo.
André Luiz da Silva Santos é graduado em Gestão Pública, mestrando em Ensino de História pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e professor da Rede Estadual de Educação de Mato Grosso.




















