Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), mostra que 87% dos registros de câncer de pulmão com estadiamento entre 2020 e 2025 estavam nos estágios 3 e 4 da doença. O câncer de pulmão é o que mais mata no Brasil, com cerca de 31 mil mortes por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Dos 49 mil registros analisados, 31.467 estavam no estágio 4, quando o câncer já se espalhou para outras partes do corpo, e 11.704 no estágio 3. Os estágios iniciais tiveram participação bem menor: foram 1.975 registros no estágio 1 e 2.499 no estágio 2. Especialistas ressaltam que os dados não representam todos os pacientes, já que nem todos passam pelo estadiamento.
A dificuldade para detectar a doença está relacionada ao avanço silencioso do tumor. Sintomas como tosse e falta de ar podem ser confundidos com problemas respiratórios comuns, especialmente entre fumantes e ex-fumantes. “O que mais vemos é o paciente chegando com o diagnóstico grave e que nos dá poucas possibilidades de tratamento porque a doença já progrediu demais”, afirma o cirurgião torácico Erlon Ávila Carvalho, da SBCO.
O Brasil também não possui rastreamento do câncer de pulmão pelo SUS. A principal ferramenta para identificar tumores antes dos sintomas é a tomografia computadorizada de baixa dosagem. O Inca iniciou um estudo para avaliar como implementar o rastreamento na rede pública, mas especialistas apontam que será necessário garantir toda a cadeia de atendimento, do diagnóstico ao tratamento. A pesquisa deve durar dois anos.



















