Diretriz foi acertada pelo petista com o comando da campanha à reeleição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve evitar visitas a estados onde possui mais de um palanque durante o primeiro turno da eleição. A diretriz foi acertada pelo petista com o comando da campanha à reeleição. Aliados, porém, fazem a ressalva de que a decisão pode ser revista diante da pressão dos candidatos locais e do cenário eleitoral, conforme o andamento das campanhas.
Parte da coordenação da campanha afirma que ainda não há uma definição sobre o assunto. Lula conta com apoios de mais de um candidato a governador em estados como Pernambuco, Maranhão e Paraíba.
O plano de deixar esses estados de lado durante o primeiro turno procura evitar desconforto político entre aliados. Mesmo antes do início oficial da campanha, a duplicidade de palanques já tem provocado mal-estar.
Em junho, Lula gravou um vídeo declarando apoio ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). A divulgação da peça ocorreu uma semana após o presidente do PT e coordenador da campanha do petista, Edinho Silva, ter desautorizado publicamente declaração do ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) de que Lula teria um duplo palanque no estado, onde Campos concorre contra a atual governadora, Raquel Lyra (PSD). Formalmente, o PT apoiará o ex-prefeito de Recife.
Em entrevista ao GLOBO, Dias indicou que o presidente apoiaria tanto Campos quanto Lyra no estado. A declaração do ministro gerou revolta no entorno do ex-prefeito, que rechaça a possibilidade de um duplo palanque. A expectativa é que haja pressão de Campos para que Lula faça agendas ao seu lado em Pernambuco, estado natal do presidente.
O entorno de Raquel Lyra, por sua vez, diz que, desde o começo das conversas sobre eleições, a governadora levou a aliados de Lula e ao próprio presidente o pedido para que ele não tomasse nenhuma decisão sobre apoios de forma precipitada, sinalizando a possibilidade de apoiar o petista. Interlocutores de Lyra não descartam gestos do presidente nesse sentido e falam na possibilidade de ele não viajar ao estado para evitar qualquer ruído.
Outro vídeo gravado por Lula causou desconforto no presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que manifestou incômodo a pessoas próximas. Em uma peça também divulgada em junho, o presidente declarou apoio a Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que tentará se reeleger para um novo mandato no Senado em uma disputa que terá como adversário Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Motta.
Um aliado próximo do presidente da Câmara diz que era esperado um apoio a Veneziano pela relação de proximidade que ele tem com Lula, mas o deputado foi pego de surpresa com o vídeo — não foi avisado previamente —e achou o “timing” ruim, já que isso ocorreu antes mesmo do processo eleitoral começar.
Na Paraíba, o PT apoiará a reeleição do atual governador Lucas Ribeiro (PP). Os candidatos ao Senado da chapa são o ex-governador João Azevêdo (PSB) e Nabor. Veneziano faz parte da chapa que tem o ex-prefeito de João Pessoa Cícero Lucena (MDB) como candidato a governador.
O Maranhão é o único dos três estados em que o PT terá candidato próprio. O partido lançou o vice-governador Felipe Camarão. Porém, Lula também tem o apoio do ex-prefeito de São Luis Eduardo Braide (PSD) e de Orleans Brandão (MDB), sobrinho do atual governador Carlos Brandão (MDB).
Interlocutores do candidato petista, no entanto, dizem que eles receberam uma sinalização da cúpula do PT que Lula deve viajar aos estados com postulantes do partido e, dessa forma, devem ir ao Maranhão. A expectativa deles é que isso possa ocorrer ainda no primeiro turno.
Um aliado de primeira hora de Lula afirma que a disposição, hoje, é evitar esses estados, já que todos os apoios são bem-vindos na disputa, que deverá ser acirrada. Ele afirma que o presidente já gravou vídeos sinalizando a preferência nos três estados e, dessa forma, não teria a necessidade de visitar in loco esses territórios.
Pela estratégia já definida pela coordenação, Lula deve priorizar os três maiores colégios eleitorais do país (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e os quatro estados do Nordeste atualmente governados pelo PT (Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí) na largada da campanha eleitoral, com presença em convenções e nos atos inaugurais de aliados nesses locais.
Por Sérgio Roxo e Victoria Azevedo / O Globo Brasília



























