A inauguração do terminal ferroviário de Dom Aquino, que deveria ser marcada apenas pela celebração de um novo avanço logístico para Mato Grosso, acabou se transformando em palco de duras críticas do governador Otaviano Pivetta ao Governo Federal. Em declarações contundentes, o chefe do Executivo estadual acusou a União de prejudicar o desenvolvimento do estado e classificou como um “crime” a demora na liberação de licenças para obras consideradas estratégicas.
O discurso ganhou força diante de uma plateia composta por lideranças políticas, empresariais e autoridades nacionais, incluindo o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Aproveitando a visibilidade do evento, Pivetta voltou a defender mudanças na condução econômica do país e criticou o cenário de juros elevados, que, segundo ele, dificulta investimentos de longo prazo e reduz a capacidade de crescimento do setor produtivo.
Ao comparar a realidade nacional com a experiência de Mato Grosso, o governador afirmou que o Estado conseguiu avançar após promover ajustes fiscais e manter as contas públicas sob controle. Para ele, a responsabilidade na gestão permitiu ampliar investimentos e criar um ambiente mais favorável ao desenvolvimento econômico.
A Ferrovia Estadual foi apontada por Pivetta como um exemplo concreto dessa capacidade de execução. O governador destacou que a obra representa um marco para o Brasil por ser a primeira ferrovia estadual do país e argumentou que o projeto só saiu do papel graças à atuação dos órgãos estaduais responsáveis pelo licenciamento ambiental.
As críticas mais severas foram direcionadas ao que classificou como excesso de burocracia federal. Como exemplo, citou a demora na autorização para intervenções na MT-251, a Estrada da Chapada, afirmando que o estado aguarda há anos por uma definição dos órgãos competentes. Para Pivetta, a lentidão desses processos compromete investimentos e atrasa melhorias importantes para a população.
As declarações repercutiram imediatamente entre as autoridades presentes. Enquanto parte do público reagiu com apoio às críticas, representantes do Governo Federal contestaram a narrativa apresentada pelo governador, reforçando que os processos de licenciamento seguem critérios técnicos e legais em todas as esferas administrativas.
O contraponto veio do ministro dos Transportes, George Santoro, que rebateu as acusações e defendeu a atuação da União. Segundo ele, não existem obras paralisadas em Mato Grosso por questões de licenciamento ambiental e o governo federal tem trabalhado para acelerar projetos de infraestrutura. O episódio evidenciou as divergências entre os governos estadual e federal sobre os caminhos para impulsionar o desenvolvimento e a execução de grandes obras no país.




































