Mesmo afirmando nos bastidores ser o principal representante político da Assembleia de Deus em Mato Grosso, Sebastião Rezende enfrenta desgaste interno e vê crescer a influência do deputado Thiago Silva dentro da maior igreja pentecostal do Estado.
A disputa silenciosa pelo eleitorado evangélico da Assembleia de Deus em Mato Grosso já começou a movimentar os bastidores da política estadual. Embora o deputado estadual Sebastião Rezende (União) siga afirmando a aliados e lideranças religiosas que seria o único candidato oficialmente respaldado pela denominação, o cenário dentro da igreja está longe de ser unanimidade. Após seis mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa, Rezende enfrenta desgaste político crescente e resistência de parte da própria cúpula da instituição religiosa.
Nos corredores políticos e também em setores da Assembleia de Deus, cresce a avaliação de que o parlamentar perdeu parte da força que já teve dentro da igreja. Pastores influentes e lideranças regionais vêm demonstrando desconforto com o discurso de exclusividade adotado pelo deputado. Em conversas reservadas, integrantes da denominação apontam que a base evangélica já não aceita mais imposições automáticas e que muitos fiéis passaram a avaliar mais a atuação parlamentar do que apenas a ligação religiosa dos candidatos.
Enquanto isso, quem vem ampliando espaço de forma consistente dentro da igreja é o deputado estadual Thiago Silva, do MDB. Em busca do terceiro mandato, Thiago conseguiu consolidar uma imagem de político acessível, simples e próximo das bases evangélicas. Com forte presença em cultos, eventos comunitários e ações sociais, o parlamentar passou a ser visto por muitos membros da Assembleia de Deus como um nome mais agregador e menos envolvido em disputas internas de poder.
A atuação de Thiago em áreas como saúde, infraestrutura, educação e assistência social também é frequentemente citada por apoiadores como um diferencial importante. Nos últimos anos, o deputado intensificou a destinação de emendas parlamentares para hospitais, obras urbanas, escolas e projetos sociais em várias regiões do Estado. Em entrevistas recentes a rádios e veículos do interior, o emedebista reforçou o discurso de “mandato municipalista”, defendendo aproximação maior entre Assembleia Legislativa e pequenos municípios.
Outro fator que fortalece Thiago Silva é a expansão territorial de sua base eleitoral. Diferentemente de eleições anteriores, quando sua força estava mais concentrada em Rondonópolis e na região Sul do Estado, o parlamentar conseguiu ampliar presença política no Araguaia, Médio-Norte, Oeste e Nortão. Lideranças religiosas dessas regiões passaram a abrir espaço para o deputado em agendas e encontros da igreja, cenário que vem sendo interpretado como sinal claro de crescimento interno dentro da Assembleia de Deus.
Já Sebastião Rezende enfrenta uma disputa dura até mesmo dentro do próprio partido. No União Brasil, ele divide espaço eleitoral com nomes tradicionais e altamente competitivos, como Dilmar Dal Bosco e Júlio Campos. A avaliação de analistas políticos é que o cenário ficou mais complicado para parlamentares que dependem fortemente do voto segmentado religioso, especialmente em meio ao aumento do número de candidatos evangélicos e à fragmentação das lideranças dentro das igrejas.
No MDB, por outro lado, Thiago Silva aparece inserido em uma chapa considerada forte e competitiva, ao lado de nomes como Eduardo Botelho, João Batista, do ex-prefeito Léo Bortolin e da empresária Jéssica Riva. Nos bastidores, a expectativa é de que o MDB consiga fazer entre três e quatro cadeiras na Assembleia Legislativa. Dentro desse cenário, aliados acreditam que Thiago Silva poderá ultrapassar com folga a marca de 35 mil votos, consolidando-se como um dos principais nomes evangélicos da próxima legislatura.













