A polêmica sobre o uso de animais em espetáculos ganhou novos contornos e subiu de tom em Cuiabá após o vereador Eduardo Magalhães (Republicanos) apresentar um projeto de lei que promete mexer diretamente com o setor circense. Em meio a um cenário já tensionado por debates na Assembleia Legislativa (ALMT), a proposta surge como um contraponto duro: proibir totalmente a presença de animais em circos e shows na Capital.
A iniciativa vem na esteira de uma discussão estadual que acabou tomando rumo diferente. Um texto semelhante chegou a tramitar na ALMT, mas foi alterado por um substitutivo aprovado em primeira votação, flexibilizando o uso de animais — exatamente o oposto do que Magalhães agora tenta emplacar no âmbito municipal.
Com um discurso enfático, o vereador sustenta que a proposta é necessária para combater práticas que considera cruéis. Ele aponta situações como confinamento em espaços reduzidos, transporte desgastante e métodos de adestramento baseados em coação como evidências de um modelo que, segundo ele, desrespeita completamente o bem-estar animal.
Na justificativa, Magalhães amplia o debate e cita exemplos de cidades brasileiras e países que já baniram esse tipo de prática. Ele defende que o chamado “circo de habilidades”, inspirado em grandes produções modernas, é não apenas economicamente viável, mas também mais educativo e adequado às novas gerações.
Ao levantar a bandeira, o parlamentar tenta colocar Cuiabá na linha de frente da proteção animal, evocando o título de “Cidade Verde” como argumento para reforçar a necessidade de mudança. Para ele, a medida representa mais do que uma regra: é um posicionamento ético e cultural.
O projeto ainda deve enfrentar um longo caminho até uma possível aprovação, passando pelas comissões da Câmara antes de ir ao plenário. Se avançar, dependerá da sanção do prefeito Abilio Brunini (PL). Enquanto isso, no cenário estadual, o embate continua dividido: de um lado, parlamentares defendem a flexibilização com viés educativo; de outro, cresce a pressão por regras mais rígidas — sinal de que a disputa está longe de terminar.




























