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SOBRETUDO. Quando a política entra em contradição, o eleitor decide — e não costuma perdoar

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Santa Catarina vive um momento raro: partidos divididos, alianças sendo anunciadas antes de estarem consolidadas e lideranças obrigadas a escolher entre coerência e conveniência. O resultado disso não será decidido nas reuniões. Será decidido na urna.

 

O tabuleiro está montado. O problema é que as peças não estão alinhadas

Os últimos movimentos deixam uma impressão clara.

Existe um esforço real para construir um campo competitivo fora do governo.

Mas esse campo ainda não se sustenta com a mesma clareza que se anuncia.

Tem desenho.

Tem nomes.

Mas ainda não tem unidade.

O episódio do Progressistas mostrou isso de forma explícita.

A base do partido se movimenta em direção ao governador Jorginho Mello, enquanto sua principal liderança, o senador Esperidião Amin, sustenta outro caminho.

No MDB, o roteiro se repete.

A direção sinaliza uma aliança com João Rodrigues, mas a base reage ao método e à forma.

No PSD, o cenário é diferente.

O partido resolveu seu conflito.

Mas ao resolver, perdeu território e amplitude.

A pergunta que ninguém responde: quem controla a base?

Essa é a questão central.

Não é sobre quem tem mais tempo de TV.

Não é sobre quem aparece melhor na pesquisa.

É sobre quem consegue mobilizar:

prefeitos
vereadores
lideranças locais

Porque são essas estruturas que fazem a eleição acontecer.

E hoje há um desalinhamento evidente entre liderança e base em mais de um partido.

O caso Amin é o mais simbólico — e o mais delicado

O senador entra em uma encruzilhada política que não permite neutralidade.

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De um lado, um partido cuja base majoritária já sinaliza apoio ao governo.

De outro, uma tentativa de construção de um bloco alternativo, ainda instável.

E, acima disso tudo, uma variável que pesa mais do que qualquer articulação regional:

o cenário nacional.

O fator nacional deixou de ser pano de fundo

A indefinição de Ratinho Junior e a possibilidade de aproximação com o PL não são detalhes.

Elas mexem diretamente com o comportamento do eleitor.

Santa Catarina tem um eleitorado politicamente definido.

Especialmente no campo da direita.

Esse eleitor não costuma fazer concessões sofisticadas.

Ele busca coerência.

E aqui nasce o maior dilema

Se o PSD mantiver candidatura própria à Presidência, com nomes como Ratinho, Caiado ou Leite, o campo político se divide.

E Amin terá que escolher.

Apoia o projeto nacional do partido que tenta compor no estado?

Ou mantém coerência com o eleitor que o acompanhou nos últimos anos?

Não existe resposta neutra.

O eleitor não acompanha estratégia. Ele acompanha sinal

Essa é uma das maiores ilusões da política.

Acreditar que o eleitor vai entender a complexidade do arranjo.

Ele não entende.

Ele interpreta.

E a interpretação é simples:

está do meu lado ou não está?

O risco silencioso que poucos estão medindo

Se houver desalinhamento entre discurso e posicionamento, o efeito não será imediato.

Mas será progressivo.

Perda de engajamento
redução de mobilização
queda na intensidade da campanha

E, quando isso acontece, não há pesquisa que antecipe.

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Só aparece no resultado.

O projeto alternativo enfrenta um problema mais profundo

Não é apenas uma questão de montar chapa.

É de alinhar interesses.

Hoje, o que se vê é:

partidos tentando decidir antes de estarem coesos
lideranças avançando sem consolidar base
e uma corrida contra o tempo imposta pela janela partidária

Enquanto isso, o governo joga outro jogo

O governador não precisa resolver conflitos internos complexos.

Tem base.

Tem alinhamento.

E, principalmente, tem previsibilidade.

E previsibilidade, neste momento, é poder.

O que está em jogo não é apenas a eleição

É o modelo de construção política.

Se decisões continuarem sendo tomadas de cima para baixo, sem base consolidada, o risco é claro:

projetos que existem no papel
mas não se sustentam na prática

PONTO DE VISTA

A política catarinense chegou em um ponto em que não há mais espaço para ambiguidades.

Cada movimento agora exige consequência.

Cada escolha exige coerência.

E cada incoerência será cobrada.

O eleitor pode até tolerar estratégia.

Mas não tolera contradição.

A classe política precisa responder algumas perguntas que, até agora, estão sendo evitadas:

Quem lidera de fato os partidos?
Quem controla a base?
E, principalmente, quem está disposto a sustentar suas posições até o fim?

Porque o tempo da articulação silenciosa acabou.

Agora é o tempo da definição.

E, nesse tempo, não vence quem anuncia mais.

Vence quem consegue alinhar discurso, base e direção.

O restante vira ruído.

E ruído não ganha eleição.

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