O agronegócio brasileiro vive um momento de transformação profunda. Máquinas mais inteligentes, decisões baseadas enm dados, mercados exigentes e uma velocidade de mudança que não dá trégua nem para os empresários ruraisrurais mais atentos. Mas, em meio a tanta tecnologia, um desafio silencioso tem tirado o sono dos gestores: a convivên cia entre gerações e a dificuldade de formar e reter equipes qualificadas. Uma situação que se repete em todos os segmentos do mercado de trabalho.
De fazendas a cooperativas, de agroindústrias a revendas, do comércio à prestação de serviços, o discurso que se ouve:
“A geração Z não tem comprometimento”, “não para um na empresa”, “não aceitam cobranças”, “não querem respon sabilidade”, “não querem pegar no pesado”, “não querem liderança”:
As queixas ecoam por todos os setores, mas pouco adianta reclamar! O fato é que o campo mudou, o mercado mudou e as pessoas também.
Antes de apontar o dedo, é preciso olhar para dentro!
É claro, que é sempre mais fácil culpar o jovem do que encarar que o mercado de trabalho mudou. A nova geração chega com expe ctativas diferentes, outra relação com o tempo, com propósito e com a forma de trabalhar. E isso exige que empresáriose líderes façam perguntas incômodas, porém necessárias:
O que tenho feito, como empresário, para lidar com esse novO cenário?
(ou)
Como estou preparando minha liderança para receber e desenvolver esses jovens?
(e ainda)
Estou realmente aproveitando o melhor de cada geração ou apenas reforçando
conflitos?
No agro, sabemos que não adianta reclamar da chuva ou da seca. É preciso
agir, apesar das condições adversas do tempo. Com gente é igual!
Adaptabilidade: a competência que tem separado empresas que crescem das que ficam para trás.
O mundo está mudando em ritmo acelerado, e tentar gerir pessoas com práticas antigas é como insistir em plantar sem ficar de olho no tempo. Não existe receita mágica, mas existem caminhos claros para fortalecer equipes, reduzir turnover e aumentar produtividade, seja no campo ou no escritório.
Nesse cenário, separo algumas indicações importantes:
Desenvolva a liderança: Grande parte das demissões não acontece por causa da empresa, mas por causa da liderança. No agro e outros segmentos, é comum promover para gestor quem é excelente tecnicamente: o melhor operador, o melhor vaqueiro, o melhor tratorista, o melhor analista, o melhor contador. Mas ser bom tecnicamente não significa saber liderar. É preciso, com urgência, desenvolver competências, como: liderança situacional, liderança intergeracional, comunicação assertiva e gestão de conflitos.
Líder preparado retém talentos, aumenta engajamento e melhora resultados.
Desenvolver equipes técnicas e operacionais: Treinar equipes sobre cultura, comportamento e técnica cria times mais seguros, produtivos e preparados para assumir novas responsabilidades. Além disso, forma sucessores e dependência de poucos colaboradores-chave.
Avaliar desempenho com método: Avaliação não é cobrança, é gestão. Quando feita com clareza e periodicidade, identifica lacunas, orienta desenvolvimento e fortalece a confiança entre líder e equipe.
Estruturar a área de RH, até mesmo em empresas pequenas: RH não é luxo, é estratégia. Contratar bem, treinar, reter, resolver conflitos e cuidar do clima organizacional impacta diretamente na produtividade, segurança e resultados na empresa.
Organizar processos: processos claros reduzem erros, aceleram decisões e facilitam o crescimento. Empresas que documentam rotinas e padronizam tarefas ganham eficiência e atraem profissionais melhores.
Se queremos uma empresa forte, competitiva e sustentável, precisamos olhar para as pessoas com a mesma atenção que damos aos investimentos em correção de solo, na manutenção de máquinas e nas estratégias e inovações tecnológicas.
2026 chegou com desafios e oportunidades.
E Talvez o maior diferencial competitivo do seu negócio esteja na forma como você desenvolve e lidera as pessoas que fazem tudo acontecer.
Por Izabela Sefrin
Izabela Sefrin é Mentora de Gestão e Liderança, Coach e Diretora Executiva na Somoos – Desenvolvimento Humano e Estratégico.

















