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ENTREVISTA DA DE SEMANA | BALANÇO GOVERNISTA DE 2025

Guimarães celebra a retomada do diálogo como chave para as vitórias legislativas no final do ano. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

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Guimarães comemora 99% de aprovação e aposta em diálogo para 2026

 

No balanço final do ano, o líder do governo na Câmara destaca a vitória fiscal com a inclusão de Bets e Fintechs na reforma tributária, mas reconhece tensões com o Congresso.

 

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), fez um balanço positivo do ano legislativo de 2025, com a aprovação de 99% das matérias enviadas pelo Executivo, totalizando 248 proposições. A única derrota estratégica citada por ele foi a do Imposto sobre Operações Futuras (IOF), recuperada em parte pelo Supremo. Ele destacou ainda a relação com o Congresso se deu através do diálogo.

 

Entre as conquistas, o petista cearense elegeu como “maior vitória fiscal” a inclusão da taxação dos Juros sobre Capital Próprio (JCP, na sigla em inglês), do aumento das taxações sobre as Bets (apostas eletrônicas) e sobre às Fintechs (bancos digitais) no projeto que reduziu 10% os benefícios tributários, gerando cerca de R$ 22,5 bilhões de arrecadação a partir de 2026.

 

Segundo ele, ficaram faltando duas prioridades do governo, a Medida Provisória (MP) do Gás do Povo, que pode ser reeditada a partir de janeiro de 2026, com o novo ano legislativo e a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que garante ao governo federal um papel de centralizador das ações contra o crime organizado, além da conclusão da deliberação do Projeto de Lei (PL) antifacção, que ficaram para o próximo anos.

 

“Olha a importância disso: nós trouxemos para dentro toda a questão da JCP, trouxemos as bets, trouxemos as fintechs… e isso vai acrescentar… em torno de R$ 22 bi e 450 milhões. Para mim é a maior vitória, do ponto de vista do impacto fiscal, recuperamos uma temática que estava no armário e que foi muito importante para o país”, comentou.

 

DESAFIOS E TENSÃO

 

O líder do governo escuta uma pergunta da imprensa sobre os momentos de tensão com o Congresso. (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

 

Apesar do saldo positivo, Guimarães reconheceu momentos de profunda divergência dentro da base governista e com o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). Episódios como a derrota do IOF, a escolha de um secretário do governador paulista, Tarcísio de Freitas, principal opositor do governo para relatar o PL antifacção e as campanhas midiáticas de enfrentamento do PT nas redes digitais geraram um estrangulamento na relação.

 

Para o líder, a virada ocorreu com uma combinação de fatores: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que deu razão ao governo sobre o IOF, a mobilização social e, sobretudo, a retomada do diálogo direto, intermediado pelo presidente Lula. Ele defende que é possível ser aliado e ter divergências, desde que separadas as questões institucionais.

 

“Mais importante foi a decisão do Supremo que deu vitória ao governo… E claro que tudo pesou… Mas o processo de mobilização na sociedade, o debate que foi feito, para mim foi o elemento mais definidor de uma mudança de comportamento aqui dentro da Câmara. A política sai valorizada nesse final de ano”, complementou.

 

PAUTAS PARA 2026

 

Com expressão séria, José Guimarães comenta os desafios da relação com o “centrão” e a oposição. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

 

Com um ano eleitoral pela frente, Guimarães projeta uma agenda legislativa enxuta e complexa, com foco na conclusão da PEC da Segurança, na regulamentação das plataformas digitais (big techs) e na possível votação do fim da escala 6 por 1. A tarifa zero no transporte público municipal e intermunicipal das regiões metropolitanas, segundo ele, depende de estudos de impacto econômico por parte do Ministério da Fazenda e do Planejamento.

 

O líder governista também adiantou que o PT trabalha para ampliar suas bancadas no Congresso, mirando pelo menos a eleição de 90 deputados federais e eleger 19 senadores, além de priorizar a reeleição do presidente Lula. No Ceará, ele reafirmou o apoio à reeleição do governador petista Elmano Freitas e sua própria candidatura ao Senado.

 

“O que é central para 2026? É o fim da jornada 6 por 1, a PEC da Segurança, a lei antifacção e a regulamentação das Big Techs. Quando começou o debate sobre 6 por 1 havia indiferença, mas hoje essa matéria passa com bastante razoabilidade aqui dentro. É um tema central que não tem porque fugir”, completou.

 

DESAFIO FISCAL

 

Concentrado, o parlamentar petista detalha os números da aprovação de 99% da pauta do Executivo no ano. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

 

Por fim, Guimarães expressou preocupação com a contradição entre o discurso de responsabilidade fiscal e a aprovação de projetos que oneram os cofres públicos. Ele citou como exemplo a PEC dos agentes comunitários de saúde, que terá um impacto de R$ 100 bilhões, afirmando que o debate sobre o tamanho do orçamento e a distribuição de recursos entre os entes federados e que compõem a federação é necessário, mas deve ocorrer após as eleições de 2026. 

 

O líder do governo avalia que a relação com o “centrão” termina o ano mais estável, e a troca no comando da bancada do PT, com a saída de Lindbergh Farias (RJ) e a entrada de Pedro Uczai (SC), deve contribuir para um clima menos acirrado em 2026.

 

“A gente convive aqui entre bombas atômicas e bombas amortecedoras… Acabamos de cortar benefícios fiscais, aí de noite bota mais 50 bi dentro. Então isso não pode. As regras estão na LDO… o problema é que em algum momento, depois dessas eleições, nós vamos ter que sentar para discutir”, concluiu.

 

ENTREVISTA

 

Abaixo, segue a íntegra da entrevista concedida pelo líder do governo na Câmara aos repórteres que cobrem a Casa num “café da manhã” realizado na sala da liderança do governo no último dia 18 de dezembro, ao qual a reportagem do Grupo RDM participou.

 

Imprensa: Líder, qual o seu balanço em relação ao trabalho legislativo neste ano?

Gesticulando, Guimarães enfatiza a “maior vitória fiscal”: a inclusão de bets e fintechs na reforma tributária. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

José Guimarães: Um balanço, sobretudo, em primeiro lugar, da relação que nós tivemos com vocês, todas e todos, da imprensa, independente do posicionamento dos seus veículos. Eu sempre prezo muito que vocês devem acompanhar a relação com os profissionais da imprensa… Às vezes, quando sai uma matéria que não é favorável, à gente, a tendência do mundo político é ficar com raiva do jornalista ou da jornalista. Mas muitas vezes vocês não têm nem responsabilidade sobre isso… Mas a ideia é que eu vou entregar para vocês um balanço do que nós concluímos aqui na Câmara. Só faltou… Nós aprovamos praticamente todas as matérias. Só faltou uma Medida Provisória, o gás do povo… e a questão da… PEC da Segurança. Basicamente, as matérias de interesse do governo de iniciativas da Câmara são essas duas que ficaram. E, portanto, nós aprovamos quase 99% das matérias que foram encaminhadas pelo Executivo. Nós aprovamos 248 matérias. Vou passar esse relatório para vocês. 16 Medidas Provisórias, duas emendas à Constituição, 152 Projetos de Leis, 15 Projetos de Lei Complementares e 63 projetos de referendos ou de acordos internacionais. Esse é o balanço que nós fizemos e a minha conclusão, é que foi muito positiva.

 

Imprensa: E sobre essas duas matérias que ficaram pendentes, a PEC da Segurança e o gás do povo?

José Guimarães: Essas duas matérias que não foram votadas, que estavam previstas, uma, o gás do povo, tem prazo ainda, é uma Medida Provisória, já está em execução, não tem problema, e a PEC da Segurança, porque não deu tempo, ainda que seja uma prioridade do governo, reafirmada pelo presidente Lula ontem na reunião ministerial… Ainda que seja prioridade do governo, não tinha acordo sobre o texto, porque nós recebemos um relatório e votar uma medida dessa sem conhecimento, sem se inteirar, sem ter feito nenhuma reunião com o Ministério da Justiça, não seria aconselhável, dado o peso que isso teve.

 

Imprensa: O senhor destacou a questão do gasto tributário. Qual foi o impacto fiscal real dessas decisões?

Em momento de discurso, o líder petista defende o fim da escala 6×1 como pauta central para 2026. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

José Guimarães: Acho que nós pactuamos durante a semana… que tinha três matérias que nós precisávamos dar conta, para finalizar o ano… E o gasto tributário, eu não sei se vocês observaram, tem uma novidade, foi que nós trouxemos para dentro dele, todos os pontos que estavam naquela MP do [Carlos] Zarattini [PT-SP, relator da MP] 1.303. Olha a importância disso, nós trouxemos para dentro, toda a questão da JCP [Juros sobre Capital Próprio], trouxemos as bets, trouxemos as fintechs… e isso vai acrescentar, daqueles 19 bi que estavam previstos para fechar o orçamento, e nós terminamos botando mais em torno aí dos 3, 4 bi para dentro… Mais ou menos esse é o saldo que está contido na medida… E esse PL do gasto tributário parecia impossível… todos os setores… todos serão atingidos no bom sentido, nessa redução, não é o fim dos incentivos, é a redução de 10% [dos benefícios fiscais]. E a grande novidade que eu queria ressaltar é a história de ter votado os três problemas que ficaram pendentes, Bets, Fintechs e JCP. Isso não é pouca coisa que nós fizemos aqui. Para mim é a maior vitória, do ponto de vista do impacto fiscal, recuperamos uma temática que estava no armário, e que foi muito importante para o país.

 

Imprensa: O que mudou, Líder? Houve uma mudança no comportamento político?

José Guimarães: O processo, vocês… Eu vou entrar mais na parte política… Mas acho que toda crise, ela sempre apresenta saídas. Do IOF [Imposto sobre Operações Futuras] para cá, nós tivemos momentos muito doídos aqui dentro. Divergências profundas dentro da base do governo, e na relação do governo com a Câmara… O processo de mobilização que teve na sociedade, o debate que foi feito na sociedade, para mim foi o elemento mais definidor de uma mudança de comportamento aqui dentro da Câmara. E nós estamos terminando o ano, votando essas matérias sem nenhuma extravagância orçamentária. O que nós estamos fazendo é concluir tudo, vamos chegar na execução em torno de 90%, sobretudo de empenho [das emendas parlamentares]. Tudo o que estava previsto vai ser empenhado, no mínimo, 100% das individuais. Então, esse modelo de transparência com que nós enfrentamos o debate, eu acho que ele foi muito definidor.

 

Imprensa: O que você acha que ajustou e aparou na relação dois lados entre governo e Câmara?

José Guimarães: Eu acho que a conversa do presidente Lula… O Lula é um ser humano encantador. Quando ele conversa, quando ele dialoga, eu acho que todo mundo pensa um pouco. Até pelo peso político que ele tem. Então, acho que foi isso. O trabalho que nós fizemos aqui dentro. Porque, veja bem, às vezes, as pessoas confundem a relação institucional com a relação de adesismo… Mesmo no momento de tensionamento daquele outro. Porque tem que separar as coisas. Aquilo que é divergente, daquilo que é necessário o governo aprovar, como nós fizemos… Eu acho que a política sai valorizada nesse final de ano aqui na Câmara dos Deputados. E esse é o modelo que vocês sabem que o diálogo é o fio condutor das vitórias que nós alcançamos.

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Imprensa: O senhor mencionou a reforma tributária. Foi difícil concluí-la?

José Guimarães: Olha, não foi fácil concluir a tributária. Uma coisa que aparentemente era do consenso, da organização da reforma de consumo que nós fizemos, foi mais difícil do que o conteúdo do texto [constitucional] passado. Nossa Senhora! Não foi fácil aprovar essa parte da regulamentação do que nós fizemos na reforma do consumo. Então, foi muito doído.

 

Imprensa: Por quê?

José Guimarães: Tem lobbies muito pesados da Zona Franca e por aí vai. Questão do esporte, nós pegamos a safra e ditamos olha, você não tem noção do que nós tivemos que fazer. O açucarado… O que não deu acordo, nós fomos para o voto. E terminamos ganhando no açucarado por 21 votos. Então, eu considero que essas duas matérias, para mim, coroaram o ano. A conclusão da tributária é importante para o país. O Lula valoriza muito isso e a questão do gasto tributário.

 

Imprensa: Como o senhor avalia essa gestão do Motta esse ano? Porque a gente tem tomado café com os líderes aí e sempre veem muitas críticas à condução dele na Casa.

José Guimarães: Eu acho que aquele episódio da primeira ocupação da mesa com os bolsonaristas naquele momento, eu acho que ali foi um ponto fora da curva da gestão dele. E acho que aquilo ali deu uma derivada para esses caminhos. Tanto é que houve a reação quando o Glauber assumiu a cadeira do presidente. Mas eu acho que vai terminar num outro patamar… você tem que medir o resultado de uma gestão ao final. Eu acho que nós tivemos esses tropeços todos aqui dentro e eu penso que serviu na minha percepção… Vamos ver como é que vem em 2026. Acho que o final sai fortalecido por tudo que fez que nós fizemos juntos, independente da divergência sobre esse ou aquele ponto.

 

RDM: O senhor citou a votação do IOF, a derrota do IOF, que foi o ponto alto da rejeição ao governo. E o senhor estava falando que foi retomado por diálogo e tal, mas qual o peso que o senhor atribui à campanha que o PT fez nas redes de gritos contra pobres, Congresso e ministro do povo, e a de justiça voluntária que vocês rotularam. Isso não foi mais importante do que as conversas?

José Guimarães: Mais importante foi a decisão do Supremo que deu vitória ao governo. Aí foi o ponto da anti-curva, digamos assim. Quando o ministro [Alexandre de Moraes] decidiu que era tarefa exclusiva do Poder Executivo a edição, no caso, a legislação sobre essa matéria, eu acho que deu uma reposição importante para o governo… E claro que tudo pesou, pesou essas campanhas que foram feitas. Mais do que as campanhas foi a mobilização. Quando teve a manifestação da Paulista, que foi a maior, eu estava internado no Sírio-libanês hospitalizado, por conta da cirurgia [coronária]… Então, pesou muito. Eu acho que todos os elementos pesaram.

 

Imprensa: O senhor voltou da internação hospitalar na história da votação do PL antifacção. Então, o senhor não acha que foi uma afronta direta chamar o secretário do Tarcísio, o Derrite, que estava lá em São Paulo para vir para cá com a desculpa de que seria uma decisão técnica porque ele entende de facção? Não foi uma afronta direta ao governo trazer o secretário de Segurança de São Paulo para relatar esta matéria de interesse do governo?

José Guimarães: O governo ponderou para… Tinha duas questões. O governo ponderou para o presidente [da Câmara] que não era o caminho. Inclusive, eu cheguei a sugerir outros nomes. Uma lista de cinco nomes. Reconhecendo que é atribuição do presidente [da Casa] definir quem ele quiser para relatar as matérias. Mas, naquele momento, quando ele definiu e trouxe o secretário para relatar uma matéria importante para o governo no enfrentamento, a partir do que aconteceu no Rio de Janeiro, houve esse estrangulamento… Acho que quando a matéria voltar, se voltar, para cá não é?

 

Imprensa: Aliás, já voltou.

José Guimarães: Estou confundindo com [o PL da] dosimetria. Nós decidiremos o que fazer. Olha, o amadurecimento que teve. Não vota esse ano. Não vota. Vou deixar o próximo ano para ter tempo de avaliar.

 

Imprensa: Primeiro, o senhor falou que a relação com o Motta termina em outro patamar. Queria perguntar se eventualmente não faltou firmeza em relação à dosimetria?

 

José Guimarães: Primeiro, o seguinte, a dosimetria vai direto para a sanção. Eu também não sei quais mudanças foram feitas no Senado. Me relataram ontem que eram mudanças redacionais. Redação, não sei. Aquela redação do Senado… Mas enfim, acho que teve um amadurecimento. Eu penso que todos nós, e ele [Motta] principalmente, acho que ele vai fazer uma avaliação. Um amadurecimento. Porque não é fácil você presidir uma Câmara com essa correlação de forças, com essa composição que tem… Mas, entre tapas e beijos, as coisas terminam bem nesse final de ano.

 

RDM: O senhor falou que essas campanhas do PT, de certa forma, influenciaram o debate e os resultados aqui dentro. Então, por um lado, me parece que são campanhas que ajudaram o governo a aprovar essas matérias de interesse. Mas, por outro lado, essas campanhas do PT e do governo tensionaram muito também a relação com o Congresso. Tem uma reclamação muito grande da cúpula e dos próprios deputados de serem vistos como inimigos. E acaba o senhor nesse papel de que o PT, de um lado, está batendo e o senhor está no papel de líder de governo. Queria entender se isso ajuda, ou atrapalha. Porque, assim, o senhor está falando da relação com o governo. Mas a gente sabe que a relação com o PT também chegou no seu pior momento aqui. Então, queria uma avaliação do senhor sobre isso. E, emendando, como que o senhor vê a fala do presidente Lula na reunião de ministros cobrando os ministros e os partidos? Agora a União Brasil indicou um outro nome para a pasta do Turismo e nada indica que esses partidos vão passar a votar com o governo e não vão mais para impor derrotas ao governo?

Apontando para gráficos ou documentos, o deputado explica o impacto de R$ 22,5 bilhões da medida do gasto tributário. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

José Guimarães: Primeiro, sobre essa questão das campanhas, enfim. Todo mundo sabe que houve um tensionamento muito grande entre o líder do PT e o presidente [da Câmara]. E eles estão terminando de bem. Deram o dedinho. Deram uma trégua. Porque o Lula sempre diz para nós que o papel do líder do governo é um e o papel do líder de uma bancada é outro. Pode ser confundido. E, evidentemente, a gente ajuda muito nessa… Acho que estão terminando… O meu papel é administrar. Eu acho que distensionou bem… E, segundo, eu acho que o Lula ontem fez uma fala… Eu acho que ele fez uma fala muito adequada para o momento que nós estamos vivendo. Há que se compreender que não é possível um partido participar do governo e votar contra o governo aqui. Ninguém quer obrigar a nada, mas as pessoas também precisam se mancarem. Não pode… Como eu defendo uma frente ampla para ajudar na governabilidade do presidente Lula, eu acho que nós temos que ter um momento chave para consolidar isso… Eu acho que se a gente tiver nessa média 30 votos da bancada do União Brasil, de 30 a 35 votos da bancada da União Brasil, a mesma coisa do PSD e do PP, eu acho que está de bom tamanho, porque esses partidos, parte significativa deles, fizeram aliança com o candidato que perdeu a eleição em 2022. Portanto, isso tem que ser compreendido.

 

RDM: E a questão da investigação da Polícia Legislativa que o Alcolumbre, presidente do Congresso, anunciou sobre a campanha “Congresso, inimigo do povo”. Qual é a perspectiva do governo sobre essa investigação? E outra, houve acordo do governo no Senado para deixar aprovar o PL da dosimetria em troca do projeto que reduz em 10% as isenções fiscais? Porque o governo disse que não, mas o senador Renan Calheiro (MDB-AL) disse que sim, o Alexandre Vieira disse que sim…

José Guimarães: Vamos deixar essa pergunta mais para o final, para não concluir. A gente vai responder aqui nessa questão mais política do atual.

 

Imprensa: Sobre o PL da dosimetria também. Tanto a ministra Gleisi como o líder Randolfe Rodrigues, da liderança do governo no Congresso, já disseram que o presidente Lula vai vetar. Ele vetando, é possível convencer deputados de centro a mudarem de posição para manter o veto?

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE, centro), durante café da manhã com a imprensa no final do ano legislativo. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

José Guimarães: Olha… Primeiro, então vou responder logo… Olha, eu fui investigar hoje cedo, a bancada do PT votou contrária. Isso é importante dizer… O que o Jacques Vargas me relatou? O que ele fez foi um acordo de procedimento na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça]. Não foi acordo de conteúdo. Nessas horas você tem que sentar e conversar. E me parece que faltou esse diálogo entre a ministra e ele… Não pode ter… O governo, para atuar bem, ele tem que ter sintonia entre aquele que segura o piano aqui dentro e aquele que está lá no Palácio fazendo as construções… Então, eu acho que aconteceu isso. Faltou esse diálogo… Se vai vetar ou não, isso é tarefa do presidente. Eu não gosto de ser intérprete do pensamento alheio. As pessoas se antecipam. Vai fazer isso, vai fazer aquilo.

 

Imprensa: O senhor acha que o presidente vai vetar a dosimetria?

José Guimarães: Ele tem dado sinais de que veta, mas ele não anunciou nenhuma posição sobre isso. Eu acho que esse negócio é um erro grave, porque o processo transitou em julgado. Não podia nem a Câmara, nem o Senado fazer isso… Como é que pode um negócio desse? Até porque nós vivemos sob a égide da nossa Constituição que preserva o Estado Democrático de Direito… Então não pode ser anistiado. Não é problema de ser governo ou oposição… Então, eu não sei qual vai ser a posição do presidente, mas os sinais que são dados é de que vetará. Mas eu também não vou anunciar isso, porque senão eu vou ser intérprete do pensamento alheio ou da subjetividade da política. Ele tem que resolver se vai vetar ou não.

 

RDM: Líder, o senhor comentou agora sobre as vitórias do governo no campo econômico, da questão fiscal, mas no meio do caminho tem a aprovação da PEC dos agentes de saúde,, uma bomba fiscal. Como é que o senhor viu isso? Qual é a perspectiva? Isso pode repetir o que aconteceu em 2022, quando o Congresso aprovou a PEC dos enfermeiros e a Confederação Nacional dos Municípios acionou a Suprema Corte devido ao efeito nas contas das prefeituras. Isso pode se repetir agora com esta PEC, a judicialização?

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Em tom descontraído, Guimarães cumprimenta jornalistas após apresentar o balanço das votações de 2025. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

José Guimarães: A gente convive aqui entre bombas atômicas e bombas amortecedoras. Nós vamos ter que ver como amortecer, porque cada projeto tem… É impressionante, todo mundo tem um discurso que o país não pode gastar mais do que arrecada. Todo mundo, da direita, da esquerda e todos, ninguém quer desarrumar as contas públicas. Mas aí quando vem os projetos, é sempre assim… Aprovaram isso aí. Eu peguei os dados que aprovaram no Senado e fiquei assustado, porque o Bruno Moretti [economista formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com mestrado em Economia da Indústria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutorado em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), ex-assessor da liderança do PT no Senado e atualmente, secretário especial de Análise Governamental da Presidência da República] me disse que isso tem um impacto de R$ 100 bilhões. Imagina, eu acho que o Brasil tem que fazer uma profunda reforma ainda de tudo isso, de teto, de super salário, acho que tinha que fazer, mas não dá para fazer tudo em quatro anos… Por isso que a razão de não ter tido sessão ontem [quarta-feira, 17 de dezembro] é exatamente isso. Como é que nós vamos fazer, no último dia do ano, vamos nos meter numa confusão dessa aqui de projetos com pacto? Acabamos de cortar, diminuir os benefícios fiscais, aí de noite bota mais 50 bi dentro. Então isso não pode também.

 

O parlamentar cearense, pré-candidato ao Senado, fala sobre as projeções do PT para as eleições de 2026. (Foto: Bruno Spada / Agência Câmara)

Imprensa: A respeito da operação de hoje, inclusive com prisões, já substituíram o número dois no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Estão fazendo busca e apreensão em um senador, que é da base do governo, do PDT. E isso provavelmente vai ser usado pela oposição. Que impacto isso vai ter na avaliação do senhor nessa primeira hora após a operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU)?

José Guimarães: Veja bem, se está apurando, é por conta de quê? Da CGU e da Polícia Federal. Instrumentos do atual governo. Portanto, ainda bem que o nosso governo apura sem particularizar… Eu acho que a gente tem que ter muita tranquilidade. Essas coisas, quando acontecem e tem uma operação desse tipo, tem que levar até o fim. Na apuração e na punição dos responsáveis… Então, eu não vejo problema nenhum nisso e nem acho que isso vai ter impacto na eleição. Até porque o INSS, o roubo que fizeram dos aposentados, começou no governo anterior. Portanto, ainda bem que o nosso governo apura tudo.

 

Imprensa: Líder, emendando. O senhor acha que isso vai ter impacto na indicação do Jorge Messias, advogado-geral da União para a vaga no STF que era do ex-ministro Luís Roberto Barroso? Porque o relatório da indicação do Messias é do senador Weverton (PDT-MA), envolvido nesta apuração da PF e da CGU?

José Guimarães: Bom, deixa eu lhe dizer… A questão do Messias, que também foi uma matéria que ficou faltando, não é? Eu acho que foi, não é aqui, é no Senado, mas acho que vai se consolidar. Eu acho que vai consolidar a indicação dele. O Senado vai aprovar em fevereiro. É a minha expectativa.

 

Imprensa: Líder, como o senhor mesmo falou, sai o líder do PT, no caso, sai o Lindbergh, entra o Pedro Uczai (PT-SC), que é um nome que é digamos assim bem menos combativo que o Lindbergh. Então, o que a gente pode esperar em 2026 de embates aqui do governo, do PT, com o Motta, com o “centrão”, como o Lindbergh fez esse ano?

José Guimarães: Nós tivemos um período, os tensionamentos que ocorreram aqui foi em função também da pauta da conjuntura. Esses temas obrigam também os líderes a se manifestarem. Foi o que aconteceu muito, mas não acho que o novo líder, a pessoa que eu estou convivendo com ele há muito tempo, é uma pessoa muito tranquila, tem as posições políticas, mas faz isso parte dele com pluralidade.

 

Imprensa: Você acha que isso vai ajudar a distensionar? Porque o Congresso, o que a gente ouviu muito aqui ao longo do ano, é que tinha ali esse desbalanço em relação aos Três Poderes, que o STF estava muito alinhado com o governo, e esse tema das emendas foi um tema que o Congresso se viu saindo perdendo em muitos aspectos. Você acha que com o cronograma das emendas estabelecido já na LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárria], com essa concertação, esse é um tema que o governo não vai, no ano que vem, ir para o embate também com o Congresso?

José Guimarães: As regras estão na LDO, o calendário, e as emendas já vão ser indicadas no próximo ano pelas comissões, atendendo aquilo que o Dino fez lá atrás. Então, o problema é que em algum momento, depois dessas eleições, nós vamos ter que sentar para discutir. É todo mundo discutir o tamanho do orçamento, o que cabe a cada ente federado e da federação. Eu acho que isso é um debate que a sociedade brasileira precisa fazer, mas após a eleição. Primeiro tem que fazer o enfrentamento da eleição para ganhar a eleição.

 

Imprensa: Mas a questão das emendas, o PT já disse, não só o Edinho Silva, presidente nacional do PT, falou que é uma questão histórica do PT, o enfrentamento das emendas é derrubar, principalmente as impositivas. Não tem uma contradição nisso?

José Guimarães: As emendas impositivas ocorreram, meu caro, no governo da presidenta Dilma, quando o Henrique Eduardo Alves (MDB) era presidente da Câmara. Então, aí tem que mudar o modelo, mas não está em discussão isso agora.

 

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães, e o presidente da Casa, deputado Hugo Motta (ao centro), recebem das mãos do vice-líder do PSB, deputado Jonas Donizette (SP), e do vice-presidente da República e ministro responsável pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDICS), Geraldo Alckmin (PSB), as propostas do governo federal para mitigar os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos (EUA) em agosto, mas já revogadas em dezembro. O ato simbólico marca a coordenação entre Executivo e Legislativo na resposta às tensões comerciais com o terceiro maior parceiro comercial do país, atrás apenas de China e da União Europeia. (Foto: Marina Ramos / Agência Câmara)

Imprensa: Sobre a importância da atuação direta do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para a aprovação do PLP 128, que põe fim às práticas realizadas pelos devedores contumazes, que ele estava aqui quando da votação, conversou com os líderes também, e como o senhor avalia, como chega agora no fim do ano, a relação com os partidos de centro com o governo? Alguns como a federação União Progressista (União Brasil e PP) anunciaram um rompimento durante o ano, como é que chega no fim do ano essa situação?

José Guimarães: Primeiro, o Haddad foi decisivo. Nós, de segunda-feira [15 de dezembro] para cá, até anteontem à noite, ele teve papel decisivo e permanente aqui dentro comigo. Os líderes pediram para ouvi-lo, por ser o ministro da Fazenda. Então, teve uma participação efetiva e fundamental para aprovar o [PLP] 128, a conclusão da tributária, o outro do fundo social, as matérias que nós votamos… Então, teve papel decisivo. Segundo, eu acho que a relação termina muito mais tranquila do que foi nos últimos cinco meses, com esses líderes todos. E a minha expectativa, pelo que houve aí da mudança do União Brasil, essas coisas todas, nós temos que costurar aqui uma base que tenha pelo menos os 257 votos que são necessários para aprovar as matérias de maior relevância.

 

Imprensa: Perspectiva para 2026, tarifa zero para os ônibus circulares nas cidades e nas regiões metropolitanas e o fim da jornada de trabalho 6 por 1. Você acha que isso aprova no Congresso?

José Guimarães: Eu acho que tem… Quando começou o debate, especialmente sobre desses temas que eu levantei aí, o que é central para 2026? É o fim da jornada 6 por 1, a questão da PEC, da segurança, e a lei anti-facção, que deverá voltar para cá. E aí, essas três matérias, elas são… E a regulamentação das Big Techs. Essas quatro matérias são fundamentais. Quando começou o debate sobre o fim da escala 6 por 1, havia uma indiferença, mas hoje essa matéria passa com bastante razoabilidade aqui dentro, na minha percepção. É um tema central que não tem porque fugir dele hoje. Está posto pela sociedade, e vários países do mundo estão fazendo isso, e eu acho que nós vamos ter que fazer. Eu não vejo problema, não. Tarifa zero depende do impacto econômico. É um tema relevante, mas isso depende da área econômica do governo.

 

José Guimarães em uma pausa durante a longa entrevista, refletindo sobre os desafios do ano eleitoral que se aproxima. (Foto: Bruno Spada / Agência Câmara)

Imprensa: Como é que o senhor projeta para as eleições do ano que vem? O que seria razoável para o PT manter de bancada? O senhor falou agora pouco do Haddad, candidato a governador de São Paulo. O senhor acha que esse é o cenário mais provável?

José Guimarães: Veja bem. Está muito indefinido qual será o retrato que sairá das urnas em 2026. Não para eleição para presidente, mas para senador e para deputado federal e governador. Primeiro, acho que o Lula vai se consolidando com grande possibilidade por tudo que está sendo entregue… Segundo, o PT está procurando nessas eleições, eu coordeno o GTA juntamente com o Edinho na presidência do PT, além da eleição, e a prioridade número um é a eleição do Lula. E tem mais duas prioridades, a eleição de senador e eleição de deputado federal. Nós precisamos aumentar a nossa presença no Senado federal e na Câmara Federal… Eu, se der a pedir de mim, eu quero eleger aí no mínimo 90 deputados federais. Porque precisa para o bem da governabilidade do Brasil… Nós temos nove candidatos a governadores, pré-candidato até agora. Nós temos 19 candidatos a senadores e uma imensidão de candidatos a deputados e deputadas.

 

Imprensa: No Ceará, Líder? O senhor é candidato? O Edinho já cravou a candidatura do senhor. Mas o grupo também quer outros nomes.

José Guimarães: O Elmano [de Freitas] é o candidato à reeleição.

 

Imprensa: Mesmo com o Ciro Gomes, agora de volta ao PSDB, sendo o candidato da oposição? Não há já conversa no PT para que o Camilo Santana, ex-governador e ministro da Educação, seja o candidato?

José Guimarães: O nosso candidato à reeleição, no Ceará, é o governador Elmano, à reeleição. Tem todo tipo de fofoca, todo tipo de especulação. Ele tem o direito de ser candidato à reeleição e nós estamos preparados para ganhar a eleição. Seja contra o Ciro ou seja com qualquer outro candidato bolsonarista no Ceará… O PT Nacional não abre mão da minha pré-candidatura ao Senado. Evidentemente, você que acompanha a política do Ceará, toda eleição no Ceará, olha a atenção que teve na última para o Elmano sair candidato, negociar comigo, com a Luiziana e tudo. Então, eu acho que nós chegaremos a um bom acordo.

 

Imprensa: Se o senhor vai ser candidato ao Senado, o senhor vai manter a liderança do governo ou como é que vai ser isso?

Ao final do encontro, Guimarães convida os jornalistas para um café, simbolizando a relação que preza com a imprensa. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil) ou (Foto: Marina Ramos / Agência Câmara)

 

José Guimarães: Vou analisar na hora certa, não é? Vamos ver. Não tem impeditivo, não, sobre isso.

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