Mato Grosso lança lei de mobilização masculina em um dos maiores encontros do país sobre o tema
Uma verdadeira multidão masculina tomou conta do auditório em Cuiabá, nesta quarta-feira (10), durante o evento da Campanha Laço Branco-MT, que reuniu mais de 1,4 mil homens — entre autoridades, servidores, forças de segurança e representantes da sociedade civil. O encontro, marcado por discursos firmes e apelos emocionados, celebrou também a sanção da Lei nº 1782/2025, que institui o Dia Estadual de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres.
Ao longo do evento, o clima foi de alerta. O governador Mauro Mendes destacou números que escancaram a gravidade do problema e reforçou que o Estado intensificou a estrutura de proteção. Ele lembrou que mais de 17 mil mulheres buscaram medidas protetivas neste ano e afirmou que o governo tem ampliado patrulhas, núcleos especializados, salas lilás e ferramentas de segurança. “Se for preciso ir além, nós vamos. Não dá mais para fechar os olhos”, disse, sob forte reação do público.
Outra voz marcante do encontro foi a suplente de senadora Margareth Buzetti, que levou ao palco uma fala dura sobre os avanços legais no Congresso e o papel dos homens na transformação cultural. Ela citou o Pacote Antifeminicídio e novos cadastros nacionais de criminosos sexuais como exemplos de avanço, mas reforçou que leis não são suficientes sem mudança de comportamento. “A violência só vai parar quando os homens pararem. E ver este auditório lotado de homens debatendo isso é simbólico”, provocou.
O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, reforçou que a nova lei transforma o Laço Branco em uma mobilização permanente no Estado e cobrou responsabilidade do público presente. “Não adianta só não praticar violência. É preciso impedir, denunciar, enfrentar. Respeito não é slogan: é prática diária”, afirmou, sob aplausos.
Já o advogado Renê Freitas, referência nacional em defesa de mulheres, fez um dos discursos mais contundentes da noite. Ele lembrou que o feminicídio costuma nascer de pequenas violências normalizadas e alertou que somente o engajamento masculino pode romper o ciclo. “A agressão começa no detalhe — e termina em tragédia. Quem pode parar isso são vocês”, frisou.
O evento foi organizado pelo Governo do Estado em parceria com o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDM/MT). Mais informações, vídeos e materiais educativos estão disponíveis em @lacobrancomt no Instagram.































