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Citricultura brasileira: a força pouco reconhecida que move o agro

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O Brasil é reconhecido mundialmente pelo tamanho e pela qualidade do seu agronegócio, marcado pela diversidade de culturas, com destaque para a produção de milho e soja. No entanto, um setor que recebe relativamente pouca atenção da mídia e da população, mas é de extrema importância econômica e social, é a citricultura. A produção de laranja, por exemplo, possui impacto significativo no país e no cenário global, refletindo-se em índices econômicos, tecnológicos e até de qualidade de vida.

Para compreender melhor os aspectos que envolvem esse segmento, o RDM Online conversou com Gilberto Lozatti, consultor em citros e professor do MBA em Agronegócio da USP/ESALQ.

 

A relevância da citricultura brasileira

 

Qual a importância da citricultura no agronegócio brasileiro?

“A citricultura brasileira tem grande relevância para o agronegócio. O PIB do setor gira em torno de US$ 6,6 bilhões, sendo US$ 2 bilhões provenientes das exportações. Além disso, o segmento gera cerca de US$ 200 milhões em impostos e 200 mil empregos diretos, beneficiando toda a sociedade. Os municípios produtores de citros — como laranja, tangerina e limão — apresentam Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais elevado, resultado dos impactos econômicos positivos da atividade.”

 

Qual a importância do Brasil na citricultura mundial?

“O Brasil é líder mundial na produção de citros, respondendo por 37% da produção de laranja, 64% do suco de laranja e 75% das exportações globais do produto. Podemos afirmar que, a cada cinco copos de suco de laranja consumidos no mundo, três são produzidos no Brasil. Essa liderança não se deve apenas às condições favoráveis de solo e clima, mas também à competência do produtor brasileiro em superar os desafios tecnológicos do setor.”

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O agronegócio brasileiro é reconhecido pelo alto nível de desenvolvimento tecnológico nas últimas décadas, especialmente nas culturas de soja e milho. Houve avanços semelhantes na citricultura?

 

“Eu diria que a citricultura gerou ainda mais tecnologia em comparação com outras culturas, por ser uma atividade permanente, tradicional e repleta de desafios que estimulam pesquisas e investimentos contínuos. Entre os grandes resultados, podemos citar o sequenciamento genético da bactéria Xylella fastidiosa, causadora da clorose variegada dos citros, que colocou o Brasil como o primeiro país do Hemisfério Sul a sequenciar o genoma de um organismo. Outro destaque está nos avanços no manejo do HLB (Greening dos citros), que recebe milhões de dólares em investimentos para o combate à doença. Além disso, o país é referência mundial na produção de mudas cítricas em ambiente protegido, servindo de exemplo para regiões produtoras dos Estados Unidos, como Flórida e Califórnia.”

 

O futuro dos citros no Brasil

 

A citricultura brasileira sofreu prejuízos com as fortes chuvas e as mudanças climáticas recentes. Como o setor tem enfrentado esses desafios?

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“Na verdade, os maiores impactos têm vindo da falta de chuvas e das altas temperaturas, que nos últimos anos afetaram a produtividade dos pomares. Essa situação não é exclusiva da citricultura, mas pesquisas já estão em andamento para mitigar os efeitos climáticos, com o uso de bioestimulantes, novas variedades de copas e porta-enxertos e sistemas de irrigação mais eficientes.”

 

Qual a sua perspectiva para a citricultura brasileira na próxima década?

“Nosso grupo já previa, há mais de dez anos, uma redução gradual da produção, o que de fato ocorreu. A tendência é que esse cenário continue, pois o produtor hoje tem outras opções de culturas rentáveis, como soja, milho e cana-de-açúcar. Além disso, o custo de implantação dos pomares é elevado e os riscos fitossanitários continuam sendo um desafio. Ainda assim, o suco e a fruta da laranja permanecem como alimentos de alto valor nutricional, fortalecendo a imunidade e com demanda crescente no mercado interno. Diante disso, os preços devem se manter firmes ao longo dos próximos anos, garantindo boa rentabilidade aos produtores mais tecnificados.”

 

 

Gostou de saber mais sobre essa cultura tão importante para o Brasil?
Conteúdo baseado em entrevista concedida por Gilberto Lozatti e divulgado pelo MBA ESALQ/USP – colaboração de Caio Roberto.

 

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