O relatório final da Polícia Civil sobre a Operação Presságio escancarou o que muita gente já suspeitava: a contratação da Amazon Fort, empresa que ganhou quase R$ 30 milhões para recolher lixo em Florianópolis, não foi exatamente obra do acaso ou de uma “emergência” criada pela greve da Comcap.
O ex-secretário Ed Pereira aparece como o grande articulador do esquema, citado 39 vezes no documento. Segundo os investigadores, ele não só conhecia os donos da Amazon Fort, como já mandava na empresa antes mesmo da assinatura do contrato com a Prefeitura. Mensagens de WhatsApp, áudios, saques em dinheiro vivo e até a compra de um carro em espécie reforçam a tese de que houve propina para manter a empresa no jogo por 17 meses sem licitação. Valor estimado: R$ 500 mil em pagamentos obscuros.
Além de Ed, também foram indiciados Iuri e Carlos Faria, sócios da Amazon Fort, Gilliard Osmar, assessor de Ed, o então secretário do Meio Ambiente, Fábio Braga e o presidente da Comcap da época, Lucas Arruda. Todos negam, claro — inclusive Arruda, que alega apenas ter cumprido sua função ao assinar o contrato.
E a parte mais irônica: a operação nasceu para investigar crimes ambientais. No fim, nada se comprovou nessa área. O que sobrou foi um roteiro de corrupção política e administrativa digno de série policial.
Mais uma vez, Florianópolis mostra sua habilidade em transformar crises em oportunidades — mas não para a cidade, e sim para quem sabe “articular” contratos. O lixo continua sendo nosso, mas os milhões foram parar sabe-se lá onde.































