MATO GROSSO

Resposta a Trump

Alckmin envia carta a Trump, se diz “indignado” com postura do presidente dos EUA e recebe apoio de Alcolumbre e Motta

Carta de Alckmin e Mauro Vieira expondo a posição do Brasil ao governo dos EUA e pedindo uma resposta a proposta brasileira apresentada em maio para as tarifas de 30% contra setores da siderurgia nacional que exporta para aquele país. (Foto: Divulgação / Secom-PR)

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Resposta do governo Lula a carta de Trump aconteceu com outra carta: “O Governo brasileiro ainda aguarda a resposta dos EUA à sua proposta”.

 

Por Humberto Azevedo

 

No contexto do anúncio por parte do governo norte-americano da imposição de tarifas adicionais de 50% a todos os produtos brasileiros exportados para aquele país, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e serviços, Geraldo Alckmin (PSB), e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviaram na noite desta última terça-feira, 15 de julho, uma carta ao secretário de comercio estadunidense, Howard Lutnick, e ao representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer, em que se dizem “indignados” com postura do presidente dos EUA, Donald Trump.

 

Em reunião na manhã desta quarta-feira, 16 de julho, a missiva de Alckmin e Mauro Vieira recebeu o apoio dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Cãmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que declararam durante a reunião com Alckmin a defesa da soberania brasileira em resposta às tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, a deputada licenciada Gleisi Hoffmann (PT-PR), também acompanhou o encontro.

 

“O Governo brasileiro manifesta sua indignação com o anúncio, feito em 9 de julho, da imposição de tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, a partir de 1° de agosto. A imposição das tarifas terá impacto muito negativo em setores importantes de ambas as economias, colocando em risco uma parceria econômica historicamente forte e profunda entre nossos países. Nos dois séculos de relacionamento bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos, o comércio provou ser um dos alicerces mais importantes da cooperação e da prosperidade entre as duas maiores economias das Américas”, assinala o primeiro ponto da carta.

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“Desde antes do anúncio das tarifas recíprocas em 2 de abril de 2025, e de maneira contínua desde então, o Brasil tem dialogado de boa-fé com as autoridades norte-americanas em busca de alternativas para aprimorar o comércio bilateral, apesar de o Brasil acumular com os Estados Unidos grandes déficits comerciais tanto em bens quanto em serviços, que montam, nos últimos 15 anos, a quase US$ 410 bilhões, segundo dados do governo dos Estados Unidos. Para fazer avançar essas negociações, o Brasil solicitou, em diversas ocasiões, que os EUA identificassem áreas específicas de preocupação para o governo norte-americano”, continua o texto da carta.

 

“Com esse mesmo espírito, o Governo brasileiro apresentou, em 16 de maio de 2025, minuta confidencial de proposta contendo áreas de negociação nas quais poderíamos explorar mais a fundo soluções mutuamente acordadas. O governo brasileiro ainda aguarda a resposta dos EUA à sua proposta. Com base nessas considerações e à luz da urgência do tema, o Governo do Brasil reitera seu interesse em receber comentários do governo dos EUA sobre a proposta brasileira. O Brasil permanece pronto para dialogar com as autoridades americanas e negociar uma solução mutuamente aceitável sobre os aspectos comerciais da agenda bilateral, com o objetivo de preservar e aprofundar o relacionamento histórico entre os dois países e mitigar os impactos negativos da elevação de tarifas em nosso comércio bilateral”, finalizam Alckmin e Mauro Vieira.

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Estiveram presentes no encontro de Alckmin com os dois presidentes do Legislativo brasileiro os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado; o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA); o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP); o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado; Rogério Carvalho (SE), líder do PT no Senado; Weverton Rocha (MA), líder do PDT no Senado; e Fernando Farias (AL) representando o líder do MDB – o senador Eduardo Braga (AM). 

 

A crise diplomática teve início em 9 de julho de 2025, quando Trump anunciou as tarifas, justificando-as como retaliação ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta participação em atos golpistas e alegados ataques à liberdade de expressão. (Foto: Divulgação / Agência Senado)

Todos eles se comprometeram unir forças com o Poder Executivo para proteger economia brasileira contra as tarifas prometidas por Trump para começarem a valer a partir de 1º de agosto e reforçaram a importância da lei da reciprocidade econômica para proteger a economia e os empregos no Brasil. A crise, com potencial de agravar a inflação nos dois países e acirrar os ânimos nas relações comerciais existentes desde 1822, destaca a importância da unidade entre Executivo e Legislativo para enfrentar os desafios impostos pelas tarifas prometidas por Trump.

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