O petista fluminense viu, ainda, no gesto do presidente da Câmara indicar um bolsonarista rondoniense para relatar a proposta como uma “provocação meio infantil”; Sem “espaço para qualquer tipo de diálogo”.
Por Humberto Azevedo
Os líderes petistas na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), e no Senado, senador Rogério Carvalho (SE), decidiram ir para o embate após o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), decidir pautar para esta quarta-feira, 25 de junho, em sessão semipresencial devido às festas juninas, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL), de autoria do líder da oposição bolsonarista – deputado Zucco (PL-RS) – que derruba o aumento nas alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
O petista fluminense viu, ainda, no gesto do presidente da Câmara indicar o deputado e general da reserva, Chrisóstomo (PL-RO), um dos bolsonaristas mais radicais, para relatar a proposta como uma “provocação meio infantil”. Segundo Lindbergh, a escolha pelo bolsonarista rondoniense não dá margem alguma “para qualquer tipo de diálogo”. “A derrubada do decreto significará automaticamente um contingenciamento de programas sociais”, lamenta Lindbergh.
“A derrubada do decreto, ninguém se engane, significará automaticamente um contingenciamento de programas sociais prejudicando os mais pobres. A questão é muito concreta. A derrubada desse decreto do IOF significa contingenciamento imediato de R$ 12 bilhões a mais. Já havia tido o contingenciamento de R$ 20 bi e um bloqueio de R$ 10 bi. Novamente estão querendo colocar a conta nos mais pobres. O que é que nós vamos cortar? Programa social, da educação, da saúde, do Minha Casa, Minha Vida”, comentou o petista paraibano eleito pelo estado do Rio de Janeiro (RJ).
ACORDO, SEM ACORDO
Lindbergh lembrou que há duas semanas participou de um encontro na residência oficial da presidência da Câmara onde foi selado um acordo entre os líderes partidários com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para que houvesse a elevação de parte das alíquotas do IOF para evitar corte em ações de governo nas mais diversas áreas. Entretanto, um dia após o acordo selado, e com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, de trancar o pagamento de emendas parlamentares à saúde por falta de transparência, tudo mudou reconhece o líder petista sem citar a decisão de Dino.
“Eu participei daquela reunião no domingo, com o ministro Haddad, com a ministra Gleise [Haffamann], daquele acordo. A gente tomou um sustou porque saiu da reunião, [quando] estava tudo bem e no outro dia. … Há aqui uma reação muito grande de vários setores econômicos, que defendem ajuste para os mais pobres, mas na hora h não querem pagar e contribuírem com nada!”, reclamou Lindbergh.
“A discussão do IOF está colada na discussão da Medida Provisória. A verdade é: as bets não querem pagar impostos; as fintechs [bancos digitais] também não aceitam aumentar, os bancos não aceitam juros sobre capital próprio. Na hora de falar de corte de benefícios tributários que são mais de R$ 800 bilhões, um corte linear, tudo que é setor empresarial se movimenta. Infelizmente, a opção desta Casa vai ser tirar dos mais pobres. Porque é isso que está acontecendo”, complementa o líder petista na Câmara.
DECISÃO IRREVERSÍVEL
Lindbergh comentou também que não acredita que o governo conseguirá reverter a votação e provável aprovação do PDL porque vê que Hugo Motta já decidiu em querer apreciar a matéria.
“Eu não creio que [após] uma reunião convocada às 11h35 da noite, assim, se ele fez isso é porque ele quer votar. Eu só quero que esta Casa reflita: primeiro, eu acho que é uma temeridade o presidente Hugo Motta pautar um tema de tamanha importância sem deputados aqui em Brasília. E a decisão de indicar o deputado Chrisóstomo (PL-RO) como relator significa que não tem espaço nenhum para qualquer tipo de diálogo sobre o mérito”, disparou.
“É um grave erro ter pautado isso e colocar o o deputado Chrisóstomo como relator parece uma provocação meio infantil. Eu estou sendo duro aqui com as palavras, porque não nos resta outra alternativa de dialogar com as pessoas, com as pessoas que estão em casa. Aqui é muito claro: o governo tinha que fazer um contigenciamento de R$ 50 bi, fez de R$ 30 bi e jogou R$ 20 bi para o IOF”, contou.
“O governo negociou o IOF, fez várias modificações e, agora, a questão é a seguinte: de onde vai tirar os R$ 12 bi? Pela proposta do governo, no IOF, e na Medida Provisória, o que a gente chama é os mais ricos a contribuírem com um pouco. Nesta hora, esses setores – articulados aqui no Congresso Nacional – dizem: eu não topo pagar imposto. Vai ter que tirar de programas sociais. Então, esse debate, a gente vai querer fazer. É um debate com a sociedade”, finalizou.
No mesmo sentido de querer “conversar” com a sociedade, assim se pronunciou o líder petista no Senado, o sergipano Rogério Carvalho, que defende a proposta do governo Lula que aumenta alíquotas no IOF como um “caminho na direção que todos, pelo menos no discurso, apontam para a redução de gastos”.
























