Por Gabriel Duenhas
No próximo dia 23 de março, minha bisavó Nair, ou dona Nenê, como também é carinhosamente conhecida, completa 97 anos de uma linda e emocionante trajetória de vida. Uma matriarca que é amada por todos. Eu, como bisneto, tive o privilégio, mesmo que curto, de conviver e aprender muito com esta pessoa que em seus 97 anos esbanja lucidez. Ainda com 96 anos, sofreu um acidente doméstico, vindo a fraturar o fêmur, e para a surpresa de todos, até mesmo dos médicos, teve uma rápida recuperação.
Abaixo, um breve relato da trajetória dessa guerreira chamada Nair.
Nair Rodrigues Beloto, nasceu em 23 de março de 1926 em Ibirá, São Paulo. Filha de Antônio Rodrigues Prado e Carolina Francisco Ataíde. Foi casada com Montalves Beloto em 21 de dezembro de 1947, que veio a falecer em outubro de 1988. Dessa união nasceram Suely Aparecida Beloto, casada com Valdemar Duenhas Fernandes, pais de Valdemar Júnior que lhe deu dois bisnetos, Gabriel e Arthur. Sueny Maria Beloto, casada com Benedito Wilson do Nascimento Junior, pais de Marcos Vinícius, Chiarina e Iviuch. E os bisnetos Maria Eduarda, João Paulo, Ivi, André e Mathias. Suenice Rosa Beloto, casada com João Dorileo Leal. A bisa Nair foi uma criança sofrida, que após o casamento encontrou muito carinho dos sogros e cunhados adotando-os como sua família. Com a sogra aprendeu a costurar e a cozinhar muitas delícias. Mulher muito trabalhadeira que, para ajudar o esposo para que as filhas estudassem, ia para a roça apanhar algodão, e no período da entressafra costurava. Gostava de ver sua casa sempre com muita gente e cozinhava com muita satisfação para todos da família principalmente para os netos.

Depoimento das filhas
Suely, a primogênita:
“É um orgulho muito grande ser filha de dona Nair Beloto. Ela sempre se preocupou com as filhas principalmente nos estudos. Embora só tenha feito até o segundo ano do primário cobrou de nós muita educação na escola e um bom desempenho. E por isso nós correspondemos. Ela sempre foi uma grande batalhadora, trabalhava para ajudar nas despesas da casa principalmente no que diz respeito à escola das filhas que naquela época não havia nenhuma ajuda do governo a não ser os professores. Todo o material tinha que ser adquirido. Foi uma mãe muito rigorosa, mas, hoje nós agradecemos pelo caráter que temos. Sempre procurou mesmo nos momentos mais difíceis elaborar pratos diferentes para que nós nos alimentássemos bem. Eu fui uma das filhas que mais convivi com ela porque sempre morei em Sabino-SP. Embora casada faço questão de estar todos os dias na casa dela, embora às vezes ela ainda não entenda muito o que a gente diz, é uma pessoa de bom coração, e sempre recebeu a todos em sua casa com muito carinho, e um amor muito grande pelas filhas, genros, netos e bisnetos. Esta é a minha mãe.”
Sueny, a filha do meio:
“Ela sempre foi muito enérgica comigo e com sua avó Suely. Mas, hoje entendo perfeitamente a sua maneira de agir, era a maneira que ela achava correta. Sou muito parecida com ela, mandona, no bom sentido, mas uma mulher que vale o peso dela em ouro. A última vez que estive lá, ela observou que eu estava com a mesma roupa do dia anterior e disse: vai tomar banho e trocar de roupa.”
Suenice, a filha caçula:
“Falar de dona Nair é difícil. Uma mulher guerreira que lutou a vida inteira e venceu. Tenho muito orgulho de ser filha desta mulher! Tento seguir seus exemplos para me tornar uma pessoa correta. Minha mãe representa tudo em minha vida. Mesmo morando longe, sempre que posso estou junto dela.

As cuidadoras
Maria Benício e Edneia Ravagnani, ambas cuidadoras de minha bisavó, fazem um breve relato das vivências e aprendizados ao lado dessa grande mulher.
Maria Benício:
“Cuidar da dona Nenê é muito gratificante! Cuidar do banho, da comida, fazemos tudo com muito amor. A confiança que ela tem, até na hora que colocamos ela em pé para andar. A confiança depois de Deus, é em nós, né? É muito bom estar junto dela! Eu falo que agora ela é minha mãe, como eu perdi a minha, agora eu tenho ela. Espero que Deus conceda a graça dela viver muito mais, para estarmos sempre juntos, com muita alegria, quando vemos ela as vezes triste, nós sentimos também, pois aprendemos a tê-la como parte de nossa família, como uma figura materna.”

Edneia Ravagnani:
“Há quatro anos estou vivendo com a dona Nair, fico mais tempo com ela do que em casa, durante todos os anos de convivência, fato que me inspirou, foi o que ela fez para estudar as filhas, trabalhava na roça de sol a sol, e conta tudo isso com muita felicidade. Ela fez uma promessa, quando sua primeira filha, Suely, conseguisse o primeiro emprego, deixaria de trabalhar. Dona Nair é um exemplo de vida, sempre dando conselhos e ensinamentos, tenho muito carinho e amor por ela.”

Mulher guerreira
Bisa Nair é amada por todos ao seu redor, o carinho que nós familiares e amigos temos por ela, não se resume em palavras.Conforme os relatos, foi uma história de vida muito sofrida, mas, como resultado, conseguiu estudar as três filhas, e transformá-las no que são hoje. Como dizia Mandela “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Viva dona Nair, mulher guerreira que inspirou e inspira a todos! Conselhos, vivência, tudo isso e mais um pouco, não há palavras para descrever o que a bisa Nair representa em minha vida.















