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Tereza Albues é homenageada com a publicação de livros e estreia de filme-ensaio

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Nesta terça-feira (27/09), acontece no Sesc Arsenal o lançamento do livro “A dança do jaguar”, escrito pela autora mato-grossense Tereza Albues e também a estreia do filme-ensaio “Albuesas”, produzido pela pioneira do cinema em Mato Grosso e irmã da autora, a cineasta Glória Albues. 

Por Iasmim Sousa 

O livro A dança do jaguar será lançado pela primeira vez no formato físico nesta terça-feira (27/09) no Sesc Arsenal. A publicação faz parte da iniciativa da Editora Entrelinhas de publicar ou republicar todas as obras escritas por Tereza Albues ao longo de sua vida. 

A escritora, natural de Várzea Grande – MT, se formou em Direito, Letras e Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), viveu 25 anos em Nova York e por lá escreveu toda sua obra. Em 2013, foi escolhida para ser a Patrona Perpétua das Letras Brasileiras em Nova York pela Brazilian Endowment for Arts (BEA) e este ano, foi considerada Mestre da Cultura em Mato Grosso, pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT). Infelizmente, Tereza veio a falecer em 2005 vítima de câncer. 

O livro A dança do jaguar de Tereza Albues.

Apesar de já ter sido lançado anteriormente em formato de e-book, no Salão do Livro em Paris, é a primeira vez que A dança do jaguar é publicado de maneira física e com ampla divulgação em Mato Grosso. Além disso, essa publicação faz parte do esforço e compromisso firmado pela editora Entrelinhas de publicar todo o acervo da escritora. Em 2019,  a editora republicou os livros Pedra Canga, Chapada da Palma Roxa, a Travessia dos Sempre Vivos e o Berro do Cordeiro em Nova York no Box “Conexão Tereza Albues”, em que cada capa foi criada especialmente por artistas plásticos do estado, assim como a autora desejava. 

Segundo Glória Albues, desde 2005 com o falecimento de sua irmã, ela tentava viabilizar a publicação das obras que nunca haviam sido lançadas.

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“Após a morte dela em 2005, eu vim travando uma luta enorme pra ver se conseguia [publicar], porque ela deixou vários livros, três romances, três livros de contos e agora apareceram mais livros ainda, mais originais. Eu queria tanto que isso viesse a público, porque para todos nós artistas, escritores, cineastas, tudo que nós queremos é que as pessoas vejam aquilo que nós produzimos, leiam nossos livros, vejam nossos filmes.”, disse Glória. 

A cineasta Glória Albues lendo O berro do cordeiro em Nova York.

A cineasta também destacou a dificuldade em publicar as obras de sua irmã.

“Nós estamos nessa luta [para publicar as obras]. Digo “estamos” porque é difícil publicar livros no Brasil, principalmente. Não é fácil. Até a Maria Teresa vem lutando contra as dificuldades, porque ela é uma editora extremamente rigorosa, a produção é toda extremamente bem-feita, muito bem acabada. Com um livro publicado pela Entrelinhas, você tem uma garantia de qualidade que pode circular em todo o território nacional.”, afirmou Glória. 

Albuesas

Nesta terça (27/09), também acontece a estreia do filme-ensaio Albuesas, dirigido pela pioneira no audiovisual em Mato Grosso, Glória Albues. Com duração de cerca de 20 minutos, o curta-metragem tece laços entre a obra e vida de Tereza Albues. Sem limites definidos, ele busca trazer para a tela a perspectiva poética e mística encontrada na literatura da escritora. Além de instigar a curiosidade dos espectadores, pois Albuesas não traz respostas prontas. 

Evocando Manoel de Barros, a cineasta define a literatura da irmã como mágica. 

“Porque a literatura da minha irmã é uma literatura muito mágica. […] Ela tem essa coisa também que as histórias se passam sempre em dimensões paralelas, surpreendentes e isso ela conserva em todos os livros.”, disse Glória. 

Ela também destacou a vontade de realizar uma adaptação audiovisual do livro O Berro do Cordeiro em Nova York, um romance escrito por sua irmã, mas que carrega um teor também muito biográfico. No entanto, por se tratar de um longa-metragem, as dificuldades acabaram não permitindo ainda a sua realização. Ela informa, porém, que através da Lei Aldir Blanc e da abertura do Edital para o reconhecimentos de Mestres da Cultura de Mato Grosso, foi possível publicar A dança do jaguar e juntamente Albuesas. Apesar de ser um documentário curta-metragem apoiado pela Lei Aldir Blanc, as dificuldades de Glória para realizar o filme também estavam no campo emocional, por ter tido que lidar com as saudades de sua irmã ao assistir e montar o material.

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“Eu tive muitas dificuldades de realização, porque eu e ela somos/éramos muito próximas. Para você ver que eu falei somos porque ela está muito viva em mim. […] Sempre fomos muito próximas, confidentes e amigas. Para fazer o filme eu tive que me debruçar sobre o material, de arquivo, sentar na tela e ver ela, a Tereza falando, conversando. Então tiveram momentos difíceis, dolorosos mesmo.”, informou Glória. 

Quanto ao formato, a cineasta destaca que não se trata de uma cinebiografia sobre Tereza, mas sim um filme-ensaio que propõe uma imersão tanto na vida quanto no mundo literário da autora. 

“É um filme-ensaio, na verdade. Não é uma cinebiografia, eu não conto a vida da minha irmã, onde ela nasceu, não há inclusive nenhuma preocupação linear e eu tento utilizar uma linguagem poética, que permita ao espectador adentrar no universo existencial dela e também de sua obra. Eu costumo dizer que esse filme não é bem sobre Tereza, mas com Tereza. Ela é a grande protagonista dessa história.”

O lançamento do livro e a exibição do filme serão abertos ao público nesta terça-feira (27/09) no Sesc Arsenal (Rua 13 de Junho, Porto) às 19 horas. 

Assista ao teaser de Albuesas:

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