Alvo de questionamentos diretos sobre suas fotos com o presidente Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff — além de críticas que o classificam como um político “melancia”, verde por fora (PL) e vermelho por dentro (PT) —, o senador Wellington Fagundes (PL) viu sua posição política entrar no centro do debate durante entrevista ao Jornal do Meio Dia, da TV Vila Real, nesta sexta-feira (24).
O episódio escancara um dilema estratégico: ao mesmo tempo em que tenta se consolidar como nome do PL em Mato Grosso, o senador é pressionado a reafirmar alinhamento ideológico em um cenário de forte polarização nacional.
No mesmo contexto, a fala do pré-candidato Flávio Bolsonaro, feita em Sinop, adiciona tensão ao tabuleiro. Ao afirmar que todos os apoios são bem-vindos, mas indicar preferência pela sua candidatura ao governo e José Medeiros ao Senado, o movimento foi interpretado como um gesto político calculado, que reorganiza forças dentro do partido.
Wellington também apontou o que considera um ambiente de disputa interna precoce. “Ao invés de cada um cuidar da sua campanha, querem impedir a do outro”, disse, evidenciando incômodo com articulações que, segundo ele, tentam barrar sua pré-candidatura.
Em outro momento, ao ser confrontado sobre as críticas envolvendo suas relações políticas e as fotos com lideranças do PT, o senador buscou relativizar o tema e defendeu sua trajetória. “Na política, você dialoga com todos. Isso não significa mudar de lado ou abrir mão das minhas convicções”, afirmou.
Ao defender o PL, o senador destacou a necessidade de unidade como ponto de partida, antes de qualquer composição eleitoral. Segundo ele, o partido tem um projeto nacional definido, mas reconhece que, nos estados, as alianças seguem uma lógica própria — muitas vezes marcada por interesses regionais e disputas locais.
Reforçando esse posicionamento, Wellington voltou a enfatizar o discurso de alinhamento partidário e criticou o governo federal. “O nosso projeto é claro, é fortalecer o PL e trabalhar por uma alternativa ao que está aí, que não tem atendido a população como deveria”, declarou.
As críticas envolvendo sua proximidade, ainda que pontual, com figuras históricas do PT passam a ser usadas como instrumento político por adversários, que questionam sua coerência dentro de um partido de perfil conservador.
Mesmo sendo citado como pré-candidato natural por lideranças nacionais, Wellington enfrenta resistência dentro do próprio PL, como no caso do prefeito Abílio Brunini. O cenário revela um partido dividido, onde a disputa interna, somada à pressão ideológica, pode definir os rumos da eleição antes mesmo do confronto direto nas urnas.






























