O anúncio do prefeito Abílio Brunini (PL) sobre a regularização fundiária da área do Contorno Leste, que ocupa 1.170 famílias e está no alvo de ação de desapropriação, gerou forte reação de vereadores da Câmara Municipal de Cuiabá. Durante uma reunião com a família de João Pinto, falecido na área, o prefeito divulgou sua intenção de regularizar o local. No entanto, parlamentares se sentiram excluídos das negociações e criticaram o fato de não terem sido previamente consultados antes da divulgação da medida.
A presidente da Câmara, vereadora Paula Calil (PL), manifestou insatisfação com a falta de diálogo, destacando que o Legislativo acompanha a situação desde o início e sempre ouviu as famílias. “Não fomos convidados para a reunião [com o prefeito], e precisamos ouvir o processo todo. Não podemos ser excluídos como fomos”, afirmou. A crítica foi acompanhada por outros vereadores, como Maysa Leão (Republicanos), que classificou a decisão como uma medida precipitada. “Esses anúncios sem debate causam muito transtorno. Precisamos ouvir todos os envolvidos antes de tomar qualquer decisão”, disse Maysa.
A vereadora Maria Avalone (PSDB) também cobrou maior transparência e respeito do prefeito, pedindo que os vereadores fossem mais bem informados sobre as ações da gestão. Katiuscia Mantelli (PSB) sugeriu a criação de um representante fixo da Câmara nas negociações, para garantir que o Legislativo tenha um papel ativo e bem-informado nas discussões sobre a regularização fundiária.
Em meio às críticas, a primeira-dama e vereadora Samantha Iris (PL) tentou minimizar a situação, explicando que, em nenhum momento, o prefeito afirmou que já havia fechado um acordo com a família. Ela garantiu que uma nova reunião será marcada para que os vereadores possam participar das discussões. Mesmo com as explicações, Maysa Leão reiterou a necessidade de inclusão do Legislativo nas decisões. “Espero que, com a participação de todos, possamos chegar a uma solução mais consistente”, concluiu a vereadora.

































