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Toda eleição alguém repete: “Como esse sujeito chegou lá?”

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Chegou do mesmo lugar de sempre: das urnas.

Democracia não escolhe os mais preparados.
Escolhe os mais votados.
E quem é mais votado costuma ser quem fala simples, promete fácil e grita alto.

Isso não é coincidência.
É compatibilidade.

O político medíocre não surge apesar da sociedade.
Ele surge porque se parece com ela.

Uma população que carece de educação básica sólida, leitura crítica e repertório cultural não procura um gestor técnico, discreto e complexo. Ela procura alguém que entenda, represente e confirme sua visão de mundo.

As pessoas votam em quem se reconhecem.
Em quem fala como elas falam.
Em quem pensa como elas pensam.
Em quem transforma frustração em discurso fácil.

O político ruim não é um acidente do sistema.
Ele é o espelho.

Isso não significa que “o povo é burro”. Essa frase é arrogante, rasa e inútil.
O que significa é algo bem mais desconfortável: o poder tende a refletir a média cultural, educacional e informacional da sociedade, não o seu melhor potencial.

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Onde interpretar texto é exceção,
onde fato e opinião se misturam,
onde emoção vence argumento,
o debate público empobrece.
E, com ele, quem chega ao poder.

Nesse ambiente, o político preparado parece distante.
O barulhento parece próximo.
O simplificador parece honesto.
E o incompetente parece “gente como a gente”.

Enquanto o debate público for raso, o incentivo será eleger quem nada bem nesse raso.

A pergunta real não é “por que os políticos são ruins?”

É outra, bem mais incômoda:o espelho está refletindo quem, exatamente?

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