O júri popular de Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz em uma conveniência na Praça do Choppão, em Cuiabá, foi marcado por momentos de tensão nesta terça-feira (12). Durante o depoimento, o investigador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Walfredo Raimundo Adorno Mourão Junior, entrou em confronto verbal com a defesa após afirmar que a arma usada pela vítima possuía identificação oficial do Estado de Mato Grosso.
Testemunha do crime, Walfredo relatou que apresentou Thiago ao acusado pouco antes da confusão. “Eu apresentei os dois como Mike e Charlie”, afirmou. Segundo ele, Mário reagiu de forma agressiva ao policial. “Ele pegou no braço do Tiago e falou: ‘Você não é policial, porra!’”. O investigador também declarou que os primeiros disparos atingiram o teto da conveniência. “Se eu não tivesse dado dois passos para trás, teria levado um tiro no queixo”, disse.
O clima esquentou após Walfredo reforçar que o revólver de Thiago tinha o brasão do Estado, versão contestada pela defesa. O advogado Cláudio Dalledone acusou a testemunha de mentir em plenário e pediu ao juiz que desconsiderasse o depoimento por suposto falso testemunho. Em outro momento do julgamento, houve bate-boca entre a defesa e o promotor Vinícius Gahyva Martins, levando à suspensão temporária da sessão. “O senhor já conseguiu o afastamento da juíza. Agora tá ameaçando o juiz presidente”, afirmou o promotor.
Emocionado, o investigador lembrou da amizade com Thiago e afirmou que pediu perdão à mãe da vítima após o crime. “Me ajoelhei na frente dela porque não consegui salvá-lo”, declarou. O julgamento também ouviu a testemunha Gilson Vasconcelos, amigo do réu, que afirmou que Thiago e Mário entraram em luta corporal após uma discussão envolvendo a arma da vítima. A defesa sustenta que o acusado reagiu por “fundada suspeita” antes dos disparos.











