A saída de lideranças, a reorganização de blocos, o avanço do governo e a estratégia isolada de Esperidião Amin colocam PSD e Progressistas em zonas distintas de risco — e mudam o eixo da disputa pelo governo e pelo Senado.
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Não é mais crise. É reorganização de poder
A política catarinense deixou de viver uma fase de ruído interno.
Entrou em um processo claro de reorganização.
A saída de Topázio Neto, seguida por Paulinho Bornhausen, não foi apenas desfiliação.
Foi reposicionamento.
E mais do que isso: formação de um novo eixo político alinhado ao governo de Jorginho Mello, com influência direta na capital e capacidade de articulação fora dos partidos tradicionais.
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PSD escolhe controle — e aceita encolher
O PSD resolveu seu principal problema interno.
Eliminou divergências e consolidou o comando em torno de João Rodrigues.
Mas fez isso com custo:
•perdeu presença na Grande Florianópolis
•reduziu sua diversidade política
•e limitou sua capacidade de articulação
O partido ficou mais organizado.
Mas menor.
E isso muda sua condição eleitoral.
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João Rodrigues muda de estratégia para sobreviver
Diante desse cenário, João entendeu o movimento necessário.
Passou a construir sua candidatura fora do PSD.
A aproximação com:
•União Brasil
•Progressistas
•e MDB
não é casual.
É uma tentativa de montar um bloco competitivo que compense a perda de estrutura interna.
A eleição deixa de ser partidária.
Passa a ser de coalizão.
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O fator nacional sai do jogo — e aumenta a pressão local
A saída de Ratinho Jr do cenário presidencial retira de João um suporte indireto importante.
Sem uma âncora nacional forte, sua candidatura passa a depender exclusivamente da engenharia estadual.
Isso aumenta:
•a importância das alianças
•o peso das lideranças regionais
•e a necessidade de demonstrar viabilidade real
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Progressistas entra em zona de risco estrutural
Se o PSD encolhe por escolha, o Progressistas (PP) corre risco de encolher por descontrole.
Com:
•deputados sinalizando saída
•prefeitos avaliando migração
•e base insegura
o partido entra em um cenário onde o efeito dominó deixa de ser hipótese.
Passa a ser tendência.
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O governo acelera e muda o jogo
O movimento do governo não é apenas de atração.
É de ocupação.
Ao:
•sinalizar corte de apoio
•retirar indicados
•e abrir espaço para novas lideranças
o governo altera o custo de permanência nos partidos.
E transforma a decisão política em decisão de sobrevivência.
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Amin divide o partido — e assume o maior risco do tabuleiro
No centro desse cenário está Esperidião Amin.
Enquanto a executiva do Progressistas se movimenta para consolidar apoio ao governo, o senador segue em outra direção, se aproximando do projeto de João Rodrigues.
Isso cria uma ruptura clara:
•de um lado, o partido
•do outro, uma estratégia individual
A leitura interna é inevitável:
o projeto deixa de ser coletivo
e passa a ser personalista.
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Quando a divergência vira risco estrutural
Esse movimento tem consequência direta.
Prefeitos e pré-candidatos não operam com ambiguidade.
Se o partido não oferece direção clara, eles decidem por conta própria.
E, neste momento, já há sinais concretos:
•deputados prontos para sair
•base em movimento
•e perda de previsibilidade
E partido sem previsibilidade não retém estrutura.
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O impacto direto no Senado
Toda essa movimentação converge para um ponto central:
a disputa ao Senado.
Se o Progressistas perder base, Amin enfrenta um cenário crítico:
•menos estrutura
•menos capilaridade
•e maior concorrência
Se, além disso, João Rodrigues migrar para o Senado, o impacto se amplia.
O eleitorado se divide.
E quem não concentra voto, perde.
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O centro político desaparece
Talvez o movimento mais importante seja esse.
O espaço intermediário começa a deixar de existir.
Os atores passam a se posicionar de forma clara:
ou com o governo
ou contra ele
E isso torna o jogo mais direto.
E mais arriscado.
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PONTO DE VISTA
Santa Catarina entrou na fase mais real da política.
A fase onde decisões têm custo imediato.
O PSD escolheu controle interno e perdeu amplitude.
João Rodrigues entendeu que precisa de aliança para sobreviver.
O governo ampliou sua estratégia e passou a ocupar espaço adversário.
E o Progressistas enfrenta seu momento mais delicado.
Não por divergência.
Mas por divisão.
Esperidião Amin fez um movimento de alto risco.
Se estiver certo, se reposiciona.
Se estiver errado, pode enfrentar algo mais grave do que uma derrota eleitoral:
a perda da base que sustenta sua candidatura.
Na política, há erros que custam votos.
E há erros que custam estrutura.
O que está em jogo agora não é apenas a eleição.
É quem ainda terá time para disputá-la.
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