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VINICIUS DE CARVALHO

Secretariado feminino

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Uma boa notícia da semana passada vinda da Prefeitura de Cuiabá foi o fato inédito de termos nove secretárias municipais, de um total de 19. Estavam com titulares mulheres as secretarias de Governo, Gestão, Obras Públicas, Educação, Assistência Social, Trabalho, Mulher, Turismo e Procuradoria Geral do Município. Nesta terça-feira houve a designação da secretária Ozenira Félix de Souza para responder, de forma interina, pela Saúde. Deste modo foi atingida a marca de 10 secretarias entre 19, chegando a 52% do total.

Analiso aqui alguns aspectos que propiciam esta situação. O primeiro deles é o fato deste tão desejado equilíbrio de gênero ter sido alcançado num governo de centro-direita, enquanto outros mais progressistas não conseguiram. O atual prefeito Emanuel Pinheiro teve sua trajetória política desenvolvida sempre nesse campo, com passagem por partidos como PFL (hoje Dem), PR (hoje PL) e MDB (antigo PMDB). Isto não o colocaria, à primeira vista, como um político comprometido com esta causa da paridade de gênero, mais associada aos movimentos sociais e partidos de perfil mais de centro-esquerda.

Algo muito importante em política é a legitimidade. Às vezes as mudanças acontecem com sinais trocados. Bandeiras da esquerda são apropriadas pela direita e vice-versa. Porque um político que tem apoio de um determinado setor do campo político não desperta os mesmos temores na condução de reformas que um adversário causaria. É o caso da aquela famosa frase “somente Nixon poderia ir à China” cunhada quando Richard Nixon foi o primeiro presidente norte-americano a ir à China comunista no auge da Guerra Fria. Como Nixon tinha acumulado fortes credenciais anti-comunistas ao longo de sua carreira política, os setores mais conservadores dos Estados Unidos sabiam que essa aproximação visava ao fortalecimento do Partido Republicano, com perfil mais a direita.

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Na sua eleição para prefeito Emanuel Pinheiro também teve maior intenção de voto entre as mulheres. Isto fez com que ele apresentasse algumas propostas voltadas para este segmento, com o objetivo de consolidar sua vantagem. A principal foi a chamada hora estendida nas creches. A criação da secretaria da mulher acabou sendo mais um passo no sentido de estreitar a aproximação com o eleitorado feminino.

Um outro aspecto é a forte aliança de Emanuel Pinheiro com os servidores públicos, que vem desde sua carreira parlamentar e foi mantido na Prefeitura. A maior parte dos servidores são mulheres, sobretudo nas áreas de educação e saúde. Esta forte presença de mulheres no secretariado amplia o diálogo com elas. Não se pode esquecer também as candidatas a vereadoras, que vêm em número recorde nesta eleição. E o cumprimento da quota de gênero foi muito melhor observado agora do que em outras eleições, por conta de vários processos na justiça eleitoral e da obrigatoriedade de destinação de recursos financeiros da campanha na mesma proporção para as mulheres.

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Por fim, quando se olha apenas para esta eleição vemos que há uma candidata mulher, a advogada e servidora pública estadual Gisela Simona (PROS). É a uma forma também de neutralizar esse ativo político dela de ser a única candidata a prefeita nesta eleição em Cuiabá. Emanuel Pinheiro sempre teve bom diálogo com os partidos mais a esquerda desde a eleição passada, passando por PT e PC do B. Seguiu a aliança formada durante muito tempo em nível estadual que reuniu partidos como PR e PC do B, repetida em 2018 na coligação de Wellington Fagundes a Governador. Num eventual segundo turno, o candidato do PT Julier Sebastião pode pender para Emanuel Pinheiro, baseado numa aliança comum contra o Governador Mauro Mendes. Veremos.

Vinicius de Carvalho é gestor governamental, analista político e professor universitário.

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