Embora tenha sido desenvolvido para a caça, o Rastreador Brasileiro é uma raça canina com habilidades versáteis para diversas tarefas em áreas rurais. Rústico e resistente, é um cão incansável e sempre pronto para o trabalho pesado no campo, seja sob sol forte, chuva intensa, em terrenos acidentados ou com obstáculos naturais. Destemido, é um excelente auxiliar no pastoreio, conduzindo rebanhos com facilidade.
Além disso, possui um latido potente, que lhe rendeu a fama de “urrador”, sendo também um vigilante eficaz da propriedade. Acompanha fielmente seu tutor por toda a área rural e é ágil o suficiente para afugentar animais invasores, como javalis, que prejudicam lavouras.
Sua principal aptidão está no faro apurado para seguir rastros, sendo também treinado para operações de busca e salvamento, especialmente de pessoas perdidas em matas e florestas. Por essas características, o Rastreador Brasileiro tem sido integrado a equipes dos bombeiros, policiais e forças militares. De porte grande — podendo atingir até 65 centímetros na altura da cernelha —, ele também se destaca em concursos e exposições com suas belas combinações de cores, como o mosqueado preto e branco (que gera um efeito azulado), e versões em branco ou preto com manchas fulvas.
Com capacidade para desempenhar múltiplas funções, o Rastreador Brasileiro tem grande potencial de crescimento no mercado. De manejo simples e oficialmente reconhecida — desde que de linhagem pura, atestada por pedigree —, a raça representa uma excelente oportunidade de retorno financeiro. O criador precisa apenas garantir alimentação de qualidade e a instalação de um canil. Os animais podem ser mantidos até mesmo em quintais com áreas ociosas ou galpões desativados.
Alegre, vivaz, dócil e fácil de cuidar, o Rastreador Brasileiro se alimenta de rações encontradas em qualquer loja agropecuária — que devem ser de boa qualidade, tanto para filhotes quanto para adultos. Para manter a saúde da criação, basta seguir o cronograma anual de vacinas e aplicar vermífugo a cada 12 meses.
Origem e Reconhecimento
Genuinamente nacional, o Rastreador Brasileiro foi desenvolvido por Oswaldo Aranha Filho, equinocultor e filho de um ex-ministro do governo Getúlio Vargas. Utilizando técnicas de seleção genética a partir de linhagens importadas, especialmente do Foxhound americano, em cerca de duas décadas foi criada uma raça adaptada ao clima brasileiro, destinada a auxiliar caçadores no encurralamento de onças, porcos-do-mato, raposas e tatus.
O sucesso foi tanto que, posteriormente, o Rastreador Brasileiro tornou-se a primeira raça canina brasileira a obter reconhecimento internacional. Contudo, no início da década de 1970, o registro foi cancelado devido a um surto de babesiose — doença transmitida por carrapatos —, que quase levou à extinção da raça. Nas décadas seguintes, um grupo de entusiastas e criadores iniciou um trabalho árduo de resgate. Cães descendentes foram localizados, e a raça voltou a ganhar visibilidade, reconquistando seu reconhecimento internacional em 2020.
Criação e Cuidados
Aquisição – A compra de exemplares para formação de matrizes deve ser feita com critério. Dê preferência a canis indicados por clubes de cinofilia e com boas referências no mercado. Observe se os animais apresentam boa mobilidade, saúde e comportamento equilibrado.
Características físicas – A raça possui cabeça triangular, orelhas longas, olhar atento e pelo curto e liso.
Ambiente – Adaptado ao clima nacional, o Rastreador pode ser criado em qualquer região do país. Ele é resistente e capaz de se locomover por terrenos de difícil acesso, áreas alagadas e até mesmo atravessar rios.
Canil – Se houver espaço disponível, é possível adaptar uma área da propriedade. Caso haja necessidade de construção, recomenda-se que cada baia tenha 4 metros de comprimento por 1,8 metro de largura, com dormitório de 1×1 metro. Reserve também uma área de solário nos fundos. Utilize alvenaria com revestimentos em cimento ou azulejo e telhas de barro. O piso deve ser rústico, com leve inclinação para o escoamento da água de limpeza em direção ao ralo.
Alimentação – A ração deve ser de categoria Premium, adequada à idade dos cães. Filhotes devem ser alimentados de duas a três vezes ao dia, enquanto adultos recebem uma ou duas refeições diárias. Um cão bem nutrido pode pesar entre 20 e 30 quilos.
Cuidados veterinários – Filhotes devem ser vermifugados mensalmente; os adultos, a cada seis meses. A primeira dose é aplicada aos 45 dias de vida, com duas doses subsequentes em intervalos de três semanas. A partir dos quatro meses, é hora da vacina antirrábica. Um médico veterinário pode orientar sobre reforços e outros cuidados.
Reprodução – Embora as fêmeas entrem no cio por volta dos nove meses, recomenda-se o acasalamento apenas a partir dos 15 meses — mesma idade indicada para os machos. Após a gestação, que dura de 59 a 62 dias, nascem de oito a 11 filhotes por ninhada. O desmame ocorre em aproximadamente 35 dias.

















