A semana começa com um elemento novo para a política catarinense. Não é apenas mais um capítulo das articulações tradicionais. É a entrada mais agressiva de discursos de ruptura, ao mesmo tempo em que os partidos consolidados mostram dificuldade de manter coesão interna. O contraste começa a ficar evidente.
A terceira via sobe o tom e tenta furar a bolha
O empresário Marcelo Brigadeiro, pelo partido Missão, intensificou os ataques aos principais nomes do cenário. Direcionou críticas ao governador Jorginho Mello, ao ex-prefeito João Rodrigues e ao ex-deputado Gelson Merisio, acusando-os de representar a velha política e de viverem do dinheiro público.
Sem estrutura tradicional, tempo de TV ou inserção partidária robusta, a estratégia é clara. Apostar em redes sociais, discurso direto e confronto para ganhar visibilidade.
Na mesma linha, Ralf Zimmer Júnior, pré-candidato pela federação PRD e Solidariedade, também elevou o tom. Passou a criticar não apenas os nomes tradicionais, mas também figuras do cenário nacional, questionando a polarização e tentando se posicionar como alternativa de renovação.
O que se desenha é um movimento típico. Quando o sistema político se fecha, surgem candidaturas que tentam romper pela radicalização do discurso.
O bolsonarismo mostra fissuras públicas
O embate entre Nikolas Ferreira e integrantes da família Bolsonaro ganhou novos capítulos e respingou diretamente em Santa Catarina, especialmente envolvendo Jair Renan Bolsonaro e Carlos Bolsonaro.
O conflito, que começou nas redes sociais, revela algo mais profundo.
Disputa por protagonismo dentro do próprio campo político.
Esse tipo de desgaste interno tende a ter impacto direto na organização do grupo no estado, especialmente em um momento em que o PL tenta consolidar candidaturas majoritárias e ao Senado.
Michelle sinaliza e embaralha o Senado
A movimentação de Michelle Bolsonaro ao compartilhar conteúdos de Esperidião Amin chama atenção nos bastidores.
Não é um gesto isolado.
É sinal político.
Em um cenário onde o PL trabalha a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado, o movimento é interpretado como ruído dentro do próprio campo bolsonarista.
Resultado. A disputa ao Senado, que já era aberta, ganha mais um elemento de incerteza
MDB vira o centro do tabuleiro
O governador Jorginho Mello intensificou a ofensiva sobre o MDB, promovendo reuniões com prefeitos e lideranças do partido.
O movimento é estratégico.
O MDB hoje é a peça que pode redefinir o equilíbrio da eleição.
De um lado, a direção liderada por Carlos Chiodini mantém alinhamento com João Rodrigues. De outro, prefeitos e parlamentares já operam próximos ao governo.
O partido vive um cenário cada vez mais difícil de sustentar.
Um barco onde cada lado rema para um lado diferente.
E quanto mais o tempo passa, mais difícil fica manter essa dualidade sem ruptura.
A esquerda aposta em coerência de longo prazo
A presença de Gelson Merisio em eventos do PT, ao lado de lideranças como Luciane Carminatti e Ana Paula Lima, reforça a tentativa de consolidar a aliança de esquerda no estado.
O movimento não é improvisado.
É construção de médio prazo.
A estratégia passa por reduzir resistências internas e apresentar uma frente minimamente coesa, algo historicamente difícil nesse campo político em Santa Catarina.
Senado vira ativo estratégico e não apenas disputa
A movimentação em cidades como Joinville mostra uma mudança importante.
A disputa não está apenas nas cabeças de chapa.
A suplência ao Senado virou moeda política relevante.
Nomes tradicionais e novas lideranças disputam espaço ao lado de candidatos como Esperidião Amin, não apenas pela eleição direta, mas pelo potencial de assumir protagonismo futuro.
Isso revela um cenário mais sofisticado.
A eleição já não é apenas sobre vencer.
É sobre estar bem posicionado no tabuleiro.
PONTO DE VISTA
O cenário catarinense começa a mostrar duas forças atuando ao mesmo tempo. De um lado, o sistema político tradicional tentando se organizar, ainda que com dificuldades internas claras. De outro, candidaturas e discursos que apostam no confronto direto para ganhar espaço.
Esse tipo de ambiente costuma produzir ruído, desgaste e, principalmente, imprevisibilidade.
Quando os extremos aumentam o volume, o centro precisa mostrar consistência. E hoje, em Santa Catarina, esse centro ainda parece mais preocupado em se ajustar internamente do que em se afirmar para fora.
No fim, a eleição tende a não ser decidida apenas por quem grita mais alto.
Mas por quem consegue transformar discurso em estrutura e conflito em posicionamento claro.



























