Campanha alerta homens sobre a importância dos exames preventivos e combate ao preconceito
O câncer de próstata afeta um em cada seis homens com mais de 50 anos, e no Brasil, 42 homens perdem a vida diariamente devido à doença. Conforme o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a previsão é de 72 mil novos casos anuais entre 2023 e 2025. Esse é o segundo tipo de câncer mais comum entre os
homens no país, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. A campanha Novembro Azul, que começou no Brasil na década de 1998 com o nome: Um Brilho no Toque, foi posteriormente incorporada pela Sociedade Brasileira de Urologia e tornou-se um movimento mundial. O foco da campanha
é conscientizar os homens sobre a importância dos cuidados com a saúde, especialmente a partir dos 40 anos, promovendo a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata.
Com o avanço das tecnologias e o fácil acesso à informação, o Novembro Azul visa sensibilizar os homens, especialmente a partir dos 40 anos, sobre a necessidade dos exames preventivos, como o PSA (exame de sangue) e o toque retal. Homens negros, por exemplo, têm maior propensão ao câncer de
próstata e devem ficar ainda mais atentos. A doença é silenciosa, sem sintomas evidentes nos estágios iniciais, por isso a recomendação é que homens acima de 50 anos, ou a partir dos 40 com fatores de risco, realizem os exames regularmente.
O toque retal, essencial para o diagnóstico precoce, é rápido, indolor e não afeta a potência sexual ou a masculinidade. De cada 10 homens diagnosticados com câncer de próstata, dois são identificados através do exame de toque. A detecção precoce aumenta as chances de cura para 90%. No entanto, quando o diagnóstico é tardio, a probabilidade de cura cai drasticamente para 20%, devido ao avanço da doença. O tabu relacionado ao toque retal faz com que muitos homens evitem procurar o médico, o que resulta em diagnósticos tardios e menor chance de cura. O câncer de próstata pode causar complicações graves, como impotência sexual e incontinência urinária, especialmente em casos avançados que necessitam
de cirurgia.

O urologista Fernando Leão, com mais de 10 anos de experiência e especialização em cirurgia robótica pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), acompanha pacientes com câncer de próstata e destaca que a falta de procura por médicos está diretamente ligada a fatores culturais. Segundo ele, o receio dos homens em buscar atendimento médico desde a adolescência contribui para o diagnóstico tardio de doenças como o câncer de próstata. Esse comportamento reflete um tabu, reforçado pela ausência do hábito de cuidar da saúde desde cedo, o que acaba prejudicando o diagnóstico precoce e o
tratamento.
“Eu vejo isso também como uma questão cultural. Se compararmos homens e mulheres, logo que a menina entra na adolescência, quando tem a primeira menstruação, os parentes — como a mãe, a avó ou a tia — já costumam levá-la ao ginecologista. Assim, começa-se a introduzir na vida dessa menina o
hábito de se cuidar, de fazer consultas anuais, e, caso tenha algum problema, ela já tem um médico de confiança”, destaca.
“Já no caso dos meninos, quando entram na adolescência, principalmente no Brasil, há um distanciamento dos pais em relação aos filhos, especialmente sobre sexualidade e cuidados com a saúde. Não se conversa sobre sexo, nem sobre a saúde masculina, e, assim, não se cria o hábito de levar o filho ao médico”, completa Fernando.
Apesar do tabu ainda presente entre os homens em relação à busca por exames periódicos com um urologista, o Dr. Fernando observa que, nos últimos anos, os homens têm demonstrado maior preocupação com a saúde masculina. Mesmo com as barreiras culturais no Brasil, há uma mudança gradual de comportamento, com mais homens aderindo à prevenção e procurando cuidados médicos regulares.
“Graças a Deus, de uns anos para cá, esse cenário tem mudado bastante, seja pelo maior acesso à informação, seja pelo conhecimento mais amplo da doença, muitas vezes por meio de casos de familiares ou amigos. Hoje, esse quadro realmente tem mudado, e os homens estão se preocupando mais com
a própria saúde”, pontua o Dr. Fernando.
Nos últimos anos, avanços tecnológicos, como a cirurgia robótica, têm melhorado significativamente os resultados dos tratamentos, reduzindo as complicações pós-operatórias. Esse tipo de cirurgia, altamente precisa e menos invasiva, está disponível em clínicas particulares, oferecendo maior preservação da potência sexual e da continência urinária. No entanto, o SUS de Mato Grosso ainda não dispõe dessa tecnologia, enquanto o sistema público de saúde em São Paulo já realiza cirurgias robóticas.
Diante disso, Dr. Fernando ressalta a eficácia da cirurgia robótica, que oferece melhores resultados e maior segurança aos pacientes, revolucionando o tratamento do câncer de próstata. Ele destaca que esse método traz uma significativa melhora nas chances de cura para os pacientes que optam por
essa tecnologia avançada, proporcionando maior precisão e menores riscos de complicações pós-operatórias.
“A cirurgia robótica, podemos dizer, revolucionou a medicina. Ela permite realizar procedimentos com muito mais detalhes, sendo muito mais precisa e segura para o paciente. No caso do câncer de próstata, essa técnica possibilita preservar melhor a função sexual, quando o quadro permite, além de ajudar a
manter o controle urinário” ressalta Dr. Fernando.
Em Mato Grosso, os principais tratamentos oferecidos para o câncer de próstata são a radioterapia e a cirurgia convencional, realizadas em centros especializados como o ITC, em Cuiabá. A conscientização sobre a prevenção e o combate ao preconceito são fundamentais para aumentar as chances de cura e salvar vidas.
Conscientização

A campanha Novembro Azul visa conscientizar sobre a saúde masculina e convida os homens a se cuidarem mais, dando ênfase na prevenção e diagnóstico de câncer de próstata e testículos. O câncer de próstata é o segundo mais comum entre brasileiros, somando mais de 65 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).
História
Em 2003, Travis Garone e Luke Slattery, dois amigos australianos, se encontraram em um bar em Melbourne. Dentre tantos assuntos, começaram a discutir porque o bigode, tão comum em décadas anteriores, deixou de ser considerado um item “da moda”, e se eles conseguiriam trazer essa tendência de volta. Inspirados por uma conhecida que angariava fundos para campanhas do Outubro Rosa, que visa conscientizar sobre o câncer de mama, decidiram lançar o desafio para seus amigos: crescer um bigode durante o mês de novembro, como uma forma de chamar atenção para os cuidados com a saúde
masculina e conscientizar sobre o câncer de próstata.
Foi aí que surgiu o movimento Movember: uma junção das palavras Mustache (bigode em inglês) e November (novembro em inglês). Naquele ano foram 30 participantes, ou Mo Bros, como são chamados pela campanha.
Em 2004 o movimento já tomou proporções muito maiores com a fundação da Movember Foundation, que almejava criar campanhas de conscientização sobre câncer de próstata e arrecadar fundos para a Fundação Australiana de Câncer de Próstata (Prostate Cancer Foundation of Australia – PCFA).
Essa primeira campanha reuniu 450 Mo Bros e arrecadou mais de 50 mil dólares australianos (equivalentes a mais de 200 mil reais), rendendo a maior doação que a PCFA já havia recebido.
A partir dali o movimento só cresceu, ganhando novos parceiros e sendo adotado por vários outros países nos anos seguintes, incluindo a Inglaterra e a Espanha, os primeiros a receberem a versão internacional do Movember.
Em 2006, a Beyond Blue, organização focada no cuidado da saúde mental na Austrália, se juntou ao movimento, que passou a dar mais enfoque às consequências do câncer de próstata na saúde mental dos pacientes. Com a ajuda de doações da Movember Foundation, o Projeto de Mapeamento Genético do Câncer de Próstata foi finalizado em 2011. O projeto encontrou informações importantes sobre as causas genéticas do câncer de próstata, auxiliando políticas de prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.
Em 2016, a Movember se uniu à Fundação Nacional de Câncer de Mama da Austrália, para tratar da saúde de homens e mulheres e estudar as similaridades entre os cânceres de mama, ovário e próstata. Cerca de 10% dos casos de câncer são hereditários. Mutações que aumentam o risco de câncer de mama e ovário em mulheres também elevam o risco de câncer de próstata em homens.
Outras pesquisas financiadas pela fundação encontraram, em 2018, as causas genéticas de câncer testicular familiar. Essas descobertas levaram ao desenvolvimento de testes genéticos de triagem capazes de estimar o risco de desenvolver esse tipo de câncer em indivíduos com histórico familiar da doença.
Em 2019, dois novos medicamentos para tratar câncer de próstata foram aprovados pela FDA (organização de controle de fármacos nos Estados Unidos), após pesquisas também financiadas pela campanha. Hoje o movimento já conta com mais de 6 mil Mo Bros, em mais de 20 países, além de ter apoiado mais de 1.200 projetos voltados para a saúde masculina e prevenção de câncer de próstata e testículo.
Novembro Azul no Brasil

O movimento chegou ao Brasil em 2008, iniciado pelo Instituto Lado a Lado pela Vida com a campanha Um toque, um drible, que visava quebrar estigmas e incentivar homens a realizarem os exames preventivos.
Em 2018, o Instituto nomeou a campanha de Novembro Azul, inspirada pelas campanhas do Outubro Rosa. A campanha foi adotada nacionalmente, com a participação de diversas ONGs, além do Inca, Sociedade Brasileira de Urologia e outras organizações de saúde.
No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum na população, ficando atrás somente do câncer de pele não melanoma. Segundo o Inca, são diagnosticados mais de 65 mil novos casos de câncer de próstata em brasileiros, e registradas mais de 15 mil mortes, todos os anos. O diagnóstico tardio da doença é o principal fator que dificulta o tratamento. Casos de câncer de próstata diagnosticados precocemente têm uma chance de cura de até 90%. Por isso, todos os anos são realizados diversos eventos e campanhas para incentivar a conversa sobre o cuidado com a saúde masculina.
O Novembro Azul é uma campanha que ocorre em nível internacional e que estabeleceu novembro como o mês de prevenção e conscientização dos homens a respeito do câncer de próstata. A data procura tornar do conhecimento de todos que é fundamental ter um diagnóstico precoce para auxiliar no tratamento e aumentar as chances de cura. A campanha procura incentivar os homens a procurarem atendimento médico e a reforçar os cuidados com a sua saúde.
Objetivos

A campanha é pensada para a prevenção do câncer de próstata, mas é também voltada para a saúde masculina como um todo. Entre os principais objetivos dessa campanha, destacam-se: Conscientização a respeito do câncer de próstata e os riscos que existem com essa doença. Permitir que os homens possam identificar sintomas da doença e procurar atendimento médico mais rapidamente.
Instruir os homens para prevenir a doença, pois descobri-la no início amplia consideravelmente as chances de cura. Combater preconceitos acerca dos exames e tratamentos necessários. Incentivar os homens a cuidarem de sua saúde.
Exames que podem ser realizados
O diagnóstico da doença é feito pela análise dos resultados dos exames clínicos (toque retal) e do exame de sangue denominado antígeno prostático específico (PSA). O toque retal é feito porque a glândula está localizada em frente ao reto e, no exame, o médico consegue perceber a textura dela e avaliar se há presença de caroços. Esse exame é rápido e pouco incômodo.
O PSA, por sua vez, é um exame de sangue que avalia a quantidade de antígeno prostático específico (enzima produzida pelo tecido prostático), que tende a aumentar em casos de câncer de próstata. Na maioria dos homens, o nível de PSA é inferior a 4 ng/mL. Caso seja observada alguma alteração nesses exames, uma biópsia deve ser realizada. É possível também investigar o câncer de próstata por meio de outros exames, como o ultrassom e fluxometria, que faz uma medição do jato de urina.
Câncer de próstata

O câncer de próstata é o tipo de câncer que mais ocorre em homens em todas as regiões do nosso país, depois do câncer de pele não melanoma. A incidência do câncer de próstata é alta, porém o assunto, muitas vezes, não é tratado com a devida atenção pelos homens.
O câncer de próstata está intimamente relacionado com a idade do paciente. Mais de 70% dos doentes foram diagnosticados aos seus 65 anos ou mais. Com esses dados, é possível perceber que o aumento da expectativa de vida em todo o mundo está bastante relacionado com os números de ocorrência da
doença. Além disso, a evolução dos métodos de diagnóstico também pode explicar esse número.
Além da idade, outros fatores parecem ter relação com o surgimento do câncer de próstata. Primeiramente devemos destacar que pacientes com parentes acometidos pela doença têm risco aumentado de desenvolvê-la. Além disso, homens negros possuem mais chances de desenvolver a doença que homens brancos, assim como obesos. Aliados a esses fatores, não podemos deixar de mencionar os hábitos alimentares pouco saudáveis, um tema ainda controverso, mas que merece atenção.
Uma alimentação rica em gordura, carnes e embutidos pode causar sérios problemas de saúde, inclusive o desenvolvimento de câncer de próstata. Sendo assim, controlar a alimentação, preocupando-se sempre em inserir vegetais na dieta, pode ajudar na proteção contra esse câncer e em outras doenças.
Os médicos orientam que é importante perceber sinais e sintomas que podem denunciar a presença do câncer de próstata. Os sintomas que indicam a presença dessa doença são:
– dificuldade para urinar;
– necessidade de urinar em uma quantidade além do usual;
– diminuição do jato da urina;
– demora para começar a urinar;
– dor ao urinar;
– presença de sangue na urina ou no sêmen.

















