A Prefeitura de Cuiabá estuda um novo modelo de fiscalização eletrônica de trânsito para a capital. O anúncio foi feito pelo prefeito Abílio Brunini durante a realização de uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que apura possíveis irregularidades na arrecadação e aplicação das multas de trânsito em Cuiabá e Várzea Grande.
Segundo o prefeito, a medida inclui a retirada de parte dos radares instalados na região central da cidade, especialmente ao longo da Avenida Tenente Coronel Duarte, a popular Prainha. “Nesse trecho da Prainha, nós vamos arrancar a maioria porque acabam não ajudando o trânsito e ainda criam mais congestionamentos”, afirmou Abílio.
Atualmente, conforme dados da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), Cuiabá possui 49 pontos de fiscalização eletrônica, incluindo lombadas eletrônicas e câmeras de monitoramento. Desde a implantação do sistema, em 2014, a Semob aponta uma redução média de 38% nos acidentes de trânsito.
O contrato com a empresa responsável pelos equipamentos está prestes a vencer. A prefeitura deve lançar uma nova licitação, com previsão de atualização dos pontos de fiscalização e troca de equipamentos.
A decisão da prefeitura, no entanto, gerou preocupação entre especialistas. Juliana Chegury, professora de engenharia de transportes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), alerta que a retirada dos radares precisa ser baseada em estudos técnicos que avaliem a real necessidade e impacto da mudança. “O radar é um importante instrumento para a redução de acidentes. Retirá-lo sem estudo técnico pode gerar aumento nas ocorrências”, afirmou.
Segundo a professora, mesmo que a remoção de alguns radares da Prainha possa ser considerada, é essencial que haja embasamento técnico. “A retirada pode incentivar o aumento da velocidade por parte dos condutores, tanto de carros quanto de motos”, reforça.

































