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BRASIL

Metanol: fiscalização confisca 128 mil garrafas de vodca sem documento

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Operação na quarta-feira (1º/10) realizou vistoria em bares e distribuidoras de bebidas em São Paulo e Barueri, na região metropolitana

 

Um lote de 128 mil garrafas de vodca sem documentação foi confiscado após fiscalização em uma distribuidora de Barueri, na região metropolitana de São Paulo, na quarta-feira (1º/10). A medida faz parte das investigações sobre bebidas alcoólicas contaminadas com metanol.

A operação conjunta interditou totalmente três estabelecimentos de comércio de bebidas na capital paulista: dois na região da Bela Vista e um no Itaim Bibi. Em Barueri, houve a interdição parcial das bebidas alcoólicas destinadas para consumo. Ao todo, quatro bares e duas distribuidoras foram fechados desde segunda-feira (29/9).

Segundo as autoridades, as garrafas de vodca lacradas poderão ser liberadas quando a documentação for apresentada.

O último balanço, divulgado pela Secretaria da Saúde, indica 37 casos registrados desde o mês de setembro — 27 suspeitos e 10 confirmados. A pasta também atualizou o número de mortes para 6 — sendo 5 sob investigação e uma confirmada.

 

Estabelecimentos fechados

De acordo com um servidor do Procon que falou com o Metrópoles, existe uma preocupação para que eventuais estabelecimentos inocentes não sejam responsabilizados já que há casos de bares que seguiram todas as regras na compra de bebidas. “As investigações apontam que a adulteração teria ocorrido em outro elo da cadeia de fornecimento.”

O Beco do Espeto, no Itaim Bibi, zona oeste de São Paulo, divulgou uma nota em que informa o fechamento e atribuiu a interdição a uma suposta desinformação que circulou nas redes sociais. “Passamos por uma fiscalização hoje [1° de outubro] e, mesmo apresentando todas as notas fiscais de nossas bebidas e sem haver qualquer indício de irregularidade quanto aos nosso produtos, fomos obrigados a fechar as portas”, disse o estabelecimento.

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“O auto de fechamento é pautado única e exclusivamente em uma suspeita, baseada numa fake News disseminada pela má-fé de pessoas que se utilizam do tema para surfar na onda de visibilidade”, completou.

Nos Jardins, também na zona oeste, o Ministrão foi interditado em ação conjunta com as vigilâncias sanitárias municipal e estadual devido a indícios da venda de bebidas alcoólicas contaminadas com metanol no estabelecimento. A defesa dos proprietários afirma que o local foi fechado “por causa de apenas uma pessoa”. A fiscalização suspendeu inscrição estadual do bar.

O Torres Bar, conhecido na região como o “bar do Chiquinho”, na Mooca, zona leste da capital, teve as portas fechadas após a morte do empresário Ricardo Lopes Mira, uma das vítimas da contaminação de bebida por metanol em São Paulo. O estabelecimento alega que todos produtos “são adquiridos de distribuidoras oficiais e parceiros de longa data, que sempre prestaram serviço de confiança e credibilidade ao longo da nossa trajetória”.

Interditado, o Villa Jardim, bar de São Bernardo do Campo, na região metropolitana, afirmou em comunicado que suspenderá suas atividades até o fim das investigações e esclarecimento dos fatos. “Nossas bebidas são compradas lacradas e em sua condição original. Embora tenhamos ciência de apenas um relato onde foi alegado o consumo de bebida alcoólica em todo estabelecimento e, subsequentemente, se sentiu mal, enfatizamos que o Villa Jardim preza rigorosamente pela qualidade dos produtos comercializados.”

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Entre as distribuidoras interditadas, estão a GRF distribuições, em Barueri, e a BB Belbilar Bebidas, na Bela Vista.

Ainda de acordo com o governo, uma distribuidora já teve a inscrição estadual suspensa preventivamente. Outras três estão com a situação sob análise para suspensão.

 

Alerta

A Secretaria da Saúde emitiu, na terça-feira (30/9), um alerta aos profissionais de saúde sobre o risco de intoxicação por ingestão de metanol.

O aviso foi realizado por meio do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) e do Centro de Vigilância Sanitária (CVS). A substância pode estar presente em bebidas alcoólicas clandestinas ou adulteradas e, por ser altamente tóxica, leva à cegueira permanente e até ao óbito.

O alerta divulgado aos serviços de saúde do estado reforça que os sinais e sintomas costumam aparecer entre 6 e 24 horas após a ingestão.

 

Sintomas de intoxicação por metanol

  • Sonolência
  • Tontura
  • Dor abdominal
  • Náuseas
  • Vômitos
  • Confusão mental
  • Taquicardia
  • Visão turva
  • Fotofobia
  • Convulsões
  • Acidose metabólica

 

Nos casos mais graves, pode haver cegueira irreversível, choque, pancreatite, insuficiência renal e comprometimento neurológico.

Segundo a pasta, o paciente com quadro incomum após ingestão de bebida alcoólica deve ser avaliado imediatamente e realizar exames laboratoriais e avaliação oftalmológica. O alerta emitido traz orientações técnicas sobre a conduta clínica a ser adotada nesses casos.

Por Rodrigo Tammaro / Metrópoles
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