O presidente brasileiro destacou a força da agricultura familiar na base da produção nacional e a importância de garantir que os recursos do Estado cheguem a quem mais precisa.
Por Humberto Azevedo
Ao participar na tarde desta segunda-feira, 30 de junho, no Palácio do Planalto, da cerimônia de lançamento do Plano Safra da agricultura familiar 2025/2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a nova edição do programa reforça o compromisso do governo federal com o fortalecimento da produção de alimentos no país, assim como o combate à fome e a geração de renda no campo.
Com recursos de R$ 89 bilhões voltados especialmente aos pequenos produtores, o plano amplia o acesso ao crédito, incentiva a transição agroecológica e garante inclusão produtiva. Lula destacou o perfil majoritário dos produtores atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e disse que esse público é o que mais precisa de políticas públicas voltadas à inovação e ao aumento da produtividade.
“A agricultura familiar é composta por um contingente muito grande de homens e mulheres nesse país. Nós temos quase 5 milhões de pequenos proprietários e pequenas proprietárias que têm, no máximo, até 100 hectares. E, desses, mais de 2 milhões e meio têm até 10 hectares”, pontuou. “A gente precisa fazer com que o dinheiro chegue aos que mais precisam. Essa é a lógica do programa e essa é a lógica do sucesso”, comentou Lula.
Ao todo são R$ 89 bilhões para políticas de crédito rural, compras públicas, seguro agrícola, assistência técnica, garantia de preço mínimo, entre outras. Do total, R$ 78,2 bilhões são do Pronaf, que este ano completa 30 anos. O valor representa aumento de 47,5% do crédito rural para a agricultura familiar, quando comparado ao último governo. Está mantida a taxa de apenas 3% para financiar a produção de alimentos, como arroz, feijão, mandioca, frutas, verduras, ovos e leite – caindo para 2% quando o cultivo for orgânico ou agroecológico.
ESTRATÉGIA
A estratégia, adotada nos últimos dois planos safras da agricultura familiar, resultou no aumento dos financiamentos para produtos da cesta básica, gerando renda no campo e garantindo preços mais justos aos consumidores. O plano traz ainda mais incentivos para a mecanização do campo, no contexto do Programa Mais Alimentos.
O limite para a compra de máquinas e equipamentos menores foi ampliado de R$ 50 mil para R$ 100 mil com a manutenção da taxa de juros de apenas 2,5%. Para máquinas maiores, de até R$ 250 mil, a taxa de juros é de 5%.
“Nós queremos que todo agricultor possa ter dignidade, possa ter conforto no trabalho no campo, para produzir alimentos para colocar nas mesas do povo brasileiro. Nós temos um aumento de 73,6% de operações de mecanização. Se a gente quiser reter o jovem no campo, se quiser incentivar a mulher a manter-se no campo e o agricultor no campo, a mecanização é decisiva”, apontou Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
“Estamos com a menor taxa de desemprego da história, melhor distribuição de renda da história, inflação em queda, dólar em queda e o PIB em alta. Essa é a economia que o presidente Lula está criando para o Brasil, e o campo não é diferente disso. O campo é dos setores que mais recebem estímulo do governo e, de novo, está batendo outro recorde hoje, fazendo um Plano Safra que é o maior da história”, explicou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
PRONARA
Entre os principais destaques do Plano Safra da agricultura familiar está o Programa nacional de redução de agrotóxicos (Pronara), instrumento de indução de políticas públicas voltadas à redução progressiva da dependência do modelo agrícola baseado em insumos e fertilizantes químicos sintéticos, e à promoção de sistemas de produção sustentáveis, com ênfase na agricultura familiar, na agroecologia e na produção orgânica.
O Pronara prevê ações integradas de pesquisa científica, monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos e no ambiente, fortalecimento da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e ampliação do uso de bioinsumos, de modo a fomentar práticas agrícolas mais seguras, resilientes e saudáveis.
A institucionalização do Pronara insere o debate sobre o uso excessivo de agrotóxicos no escopo das políticas nacionais de desenvolvimento rural sustentável e de segurança alimentar e nutricional, articulando-se, inclusive, ao Plano Safra da Agricultura Familiar, que contempla ações de fomento ao crédito rural, à assistência técnica qualificada e ao fortalecimento das cadeias de produção de alimentos saudáveis.
Essa visão integrada de desenvolvimento — que conecta sustentabilidade no campo, segurança alimentar, geração de renda e crescimento econômico — reflete os avanços conquistados pelo país nos últimos anos.
Com informações de assessoria.



























