O assassinato do advogado Renato Gomes Nery, executado a tiros em plena luz do dia em frente ao próprio escritório em Cuiabá, caminha agora para um dos momentos mais aguardados do caso: o julgamento dos acusados pelo Tribunal do Júri. A decisão foi assinada pelo juiz João Bosco Soares da Silva, que mandou a júri popular quatro investigados apontados como integrantes da engrenagem criminosa que teria planejado e executado o homicídio.
Vão responder no banco dos réus Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira, Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi. Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, o casal Julinere e Cesar é apontado como mandante da execução, enquanto Jackson e Ícaro teriam atuado nos bastidores, fazendo a intermediação entre os contratantes e os executores do crime.
As investigações descrevem um assassinato meticulosamente planejado, com divisão de tarefas, pagamentos e logística organizada para garantir a morte do advogado. A denúncia sustenta que o grupo teria agido dentro de uma estrutura criminosa articulada, razão pela qual os acusados também vão responder por participação em organização criminosa.
O Ministério Público aponta ainda que Renato Nery foi morto por motivo torpe e mediante pagamento. As qualificadoras incluídas no processo também mencionam o uso de recurso que dificultou qualquer chance de defesa da vítima, além do perigo gerado pela ação criminosa em uma das avenidas mais movimentadas de Cuiabá.
O crime aconteceu na manhã de 5 de julho de 2024, na Avenida Fernando Corrêa da Costa. Renato chegava ao escritório quando foi surpreendido pelos disparos. A execução provocou forte comoção no meio jurídico e levantou suspeitas sobre a atuação de grupos especializados em homicídios sob encomenda.
Segundo a investigação, o assassinato teria sido motivado por uma disputa judicial milionária envolvendo mais de 12 mil hectares de terras no município de Novo São Joaquim. O Ministério Público sustenta que o casal acusado de mandar matar o advogado teria desembolsado R$ 200 mil pela execução.
Jackson e Ícaro, conforme a denúncia, seriam responsáveis por viabilizar o esquema criminoso, incluindo o contato com os executores, a entrega da arma usada no homicídio e a movimentação dos pagamentos. Apesar da decisão de pronúncia, ainda não há data definida para o julgamento dos acusados.



























