O câncer de orofaringe, tradicionalmente associado ao tabagismo e ao consumo excessivo de álcool, tem atingido cada vez mais pessoas sem esses fatores de risco. Segundo especialistas, a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) está por trás de parte dessa mudança, principalmente entre homens na faixa dos 40 anos.
De acordo com a cirurgiã de cabeça e pescoço do IBCC Oncologia, Beatriz Godoi Cavalheiro, os tumores relacionados ao HPV costumam surgir na região das amígdalas, da base da língua e do palato mole. “Temos acompanhado pacientes em que a infecção pelo HPV aparece como único fator desencadeador associado ao desenvolvimento do tumor”, afirma a médica.
Entre os principais sinais de alerta estão dificuldade ou dor para engolir, rouquidão persistente, feridas na boca que não cicatrizam, alteração na voz e aumento de gânglios no pescoço. Segundo a especialista, muitas pessoas demoram a procurar atendimento por acreditarem que, por nunca terem fumado, não fazem parte do grupo de risco. “Existe a falsa sensação de segurança em quem nunca fumou”, alerta.
Estudos publicados neste ano reforçam que os casos de câncer de orofaringe associados ao HPV vêm crescendo em diferentes países e apresentam características distintas dos tumores relacionados ao cigarro e ao álcool. Embora o tratamento siga os mesmos princípios oncológicos, os casos ligados ao vírus costumam apresentar prognóstico mais favorável quando diagnosticados precocemente.
Especialistas destacam que a vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente pelo SUS para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, é uma das principais formas de prevenção. Além da imunização, manter hábitos saudáveis e buscar avaliação médica diante de sintomas persistentes são medidas consideradas essenciais para aumentar as chances de diagnóstico precoce e cura da doença.


















