A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), gerou forte reação entre autoridades de Mato Grosso, especialmente entre políticos alinhados ao bolsonarismo. A medida foi tomada após Moraes apontar o descumprimento de medidas cautelares por parte do ex-presidente, além de suposta tentativa de obstrução de investigações no inquérito que apura tentativa de golpe de Estado.
Nesta terça -feira (5), algumas lideranças do PL realizaram uma coletiva de imprensa na rampa do Congresso Nacional. Parlamentares da oposição e representantes do meio jurídico repudiaram publicamente a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar do ex- presidente Jair Bolsonaro.
Em Mato Grosso, o secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia (União Brasil), usou as redes sociais para classificar a medida como “uma grave ameaça à democracia”, por ter sido tomada de forma monocrática, sem decisão colegiada do STF. Embora tenha cobrado uma reação urgente do Senado, Garcia evitou citar Moraes nominalmente ou sugerir medidas concretas.
Também pelas redes sociais, o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou estar “triste” e “indignado” com a decisão do STF. Segundo ele, Bolsonaro está sofrendo “sanções antes mesmo de ser julgado”, o que considera um ataque direto à Constituição e ao Estado de Direito.
Em um vídeo, Pivetta declarou: “Nós precisamos ser solidários a este homem que está sofrendo tantas sanções antes mesmo de ser julgado. Quero deixar aqui minha solidariedade ao ex-presidente Bolsonaro e pedir ao Senado Federal que definitivamente faça alguma coisa, cumpra seu dever, que é frear os desmandos e os excessos que estão acontecendo no Brasil”. Na legenda da publicação, escreveu: “Sem julgamento, sem ampla defesa, sem respeito ao devido processo legal. A democracia não sobrevive quando a lei é ignorada mesmo contra quem discorda. Hoje é ele. Amanhã, qualquer um de nós.”
Em tom ainda mais crítico, o deputado estadual Júlio Campos (União) afirmou, em entrevista, que o país vive uma “ditadura do Judiciário”. Ele acusou o STF de agir com “posturas draconianas” e seletivas, e questionou: “Onde estão os ladrões do INSS, os da Lava Jato? Será que o Supremo só enxerga Bolsonaro?” Para ele, a medida fortalece a direita e reforça o nome de Tarcísio de Freitas como presidenciável em 2026.
No Senado, Jayme Campos (União) anunciou, e um vídeo publicado em suas redes sociais, que assinou o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes. “De forma consciente, acabo de assinar o pedido de impeachment do ministro […]. Ele ultrapassou qualquer barreira, na medida em que está desrespeitando toda a sociedade brasileira”, disse, alegando abuso de autoridade. Com seu apoio, os três senadores por Mato Grosso — Jayme, Wellington Fagundes (PL) e Margareth Buzetti (PSD) — agora endossam oficialmente o pedido de afastamento do ministro.
Ainda na segunda-feira (4), o governador Mauro Mendes (União Brasil) também se manifestou por meio de nota oficial contrária à decisão de Moraes, reforçando a ampla mobilização política no Estado em defesa de Bolsonaro.
Na decisão que motivou toda essa reação, Moraes apontou que Bolsonaro teria utilizado redes sociais de aliados — inclusive de seus filhos parlamentares — para disseminar mensagens com “claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao STF e apoio ostensivo à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro”. Uma dessas publicações, feita no domingo (3) na conta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), destacou atos de apoio ao ex-presidente.




































