Aumento do teor de etanol elimina importações, reduz emissões, fortalece produção de biocombustíveis e ajuda a reduzir em até 20 centavos o preço por litro para o consumidor.
Por Humberto Azevedo
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta quarta-feira (25/06), o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina de 27% para 30%, conhecido como E30, e de biodiesel no diesel de 14% para 15%, o B15. A medida entrará em vigor a partir do dia 1º de agosto e vai permitir que o Brasil avance na autossuficiência e na redução do preço dos combustíveis.
A decisão foi tomada durante reunião no Ministério de Minas e Energia (MME), liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado do ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) e demais ministros que compõem o colegiado. Lula ressaltou que, para além da importância das medidas aprovadas, existe uma mensagem maior para o país.
“A política de biocombustíveis é, para nós, um modelo que ninguém vai conseguir competir com o Brasil. O Brasil deu uma chance. Eu queria que vocês compreendessem que estamos tentando fazer o possível para esse país mudar de patamar. Essa reunião é o acréscimo de etanol na gasolina e o acréscimo de óleo de biodiesel no óleo diesel, o que é verdade. Mas, para mim, essa composição aqui pode ser a fotografia do país que a gente precisa construir”, afirmou o presidente.
COP-30

O presidente frisou que os aumentos de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel mandam, adicionalmente, uma mensagem importante ao mundo às vésperas da realização, entre 5 e 21 de novembro, da 30ª edição da Conferência sobre mudança no clima das Nações Unidas (COP-30), em Belém (PA).
“Na transição energética, vocês são parceiros fundamentais para a gente entrar nessa COP de cabeça erguida”, declarou Lula aos empresários do setor.
REDUÇÃO DA DEPENDÊNCIA

A implementação do E30 e do B15 reduz a dependência brasileira em combustíveis fósseis, o que diminui a necessidade de importações, principalmente em um momento de incertezas no mercado global. As medidas também ampliam o uso de combustíveis renováveis no Brasil, fortalecem a produção nacional e contribuem, ainda, para a redução de emissões e o desenvolvimento econômico do país.
“Estamos avançando com segurança no E30 e no B15 em nossos veículos. Estamos vencendo a batalha do preço dos combustíveis, para mantê-los cada vez mais baratos na bomba para o consumidor brasileiro. Isso é fundamental para manter o círculo virtuoso da economia por meio do combate à inflação”, ressaltou o ministro Alexandre Silveira.
QUEDA DE 20 CENTAVOS

Com a adoção do E30, o Brasil voltará a ser autossuficiente em gasolina após 15 anos. As estimativas indicam que a redução do preço nos postos pode chegar a 20 centavos para o consumidor. Apenas com a transição do E27 para o E30, são esperados mais de R$ 10 bilhões em investimentos e a criação de mais de 50 mil postos de trabalho.
A decisão do CNPE foi embasada em um processo técnico coordenado pelo Ministério de Minas e Energia. Os testes com o E30 foram conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, com participação ativa de fabricantes de veículos, importadores e representantes da indústria automotiva. Os resultados, apresentados em março, atestaram a segurança e a viabilidade técnica das misturas, permitindo a adoção imediata sem impactos negativos para veículos ou consumidores.
“É um passo muito importante na garantia de soberania alimentar do povo brasileiro. Porque com o esmagamento da soja e do milho, produzimos também ração vegetal para a produção de proteína animal. É por isso que esse programa é completo. Porque está trabalhando de um lado a produção de combustíveis e de outro a garantia de soberania alimentar do povo brasileiro”, destacou o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira.
SETOR EM PESO

Além de ministros e parlamentares, a reunião contou com a participação de diversos representantes do setor, como a presidente em exercício da Petrobras, Clarice Copete; o presidente da comissão especial sobre transição energética da Câmara dos Deputados, deputado Arnaldo Jardim (Solidariedade-SP); o presidente da União das Cooperativas da Agricultura Familiar e da Economia Solidária de Alagoas (Unicafes-AL), Antonino Cardozo; o diretor do conselho da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Erasmo Batistella; e o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), Evandro Gussi.
“O Brasil construiu a maior política pública, o maior programa de transição energética do mundo. Não poderíamos perder essa oportunidade de mover a COP 30 com os nossos biocombustíveis que efetivamente estão ajudando na descarbonização”, finalizou o diretor da Aprobio, Erasmo Batistella.
Com informações de assessoria.

























