Turismo comunitário e polêmica sobre concessões
A Câmara de Florianópolis aprovou por unanimidade a Política Municipal de Turismo de Base Comunitária (TBC). A proposta valoriza as comunidades locais, o patrimônio natural e a identidade cultural da cidade, estimulando experiências imersivas para visitantes. O texto, no entanto, acendeu alertas em setores do turismo tradicional: há receio de insegurança jurídica, sobretudo pela possibilidade de guias sem habilitação formal conduzirem atividades. Outro ponto controverso é a previsão de concessões em atrativos turísticos. Para a prefeitura, trata-se de ampliar a gestão e manutenção; críticos enxergam um passo para privatização de espaços públicos. O debate deve continuar acalorado, já que o turismo é um dos motores econômicos da capital e qualquer mudança no modelo de exploração repercute em empregos, arrecadação e na imagem da cidade.
Ônibus lotados e mobilidade travada
As queixas sobre o transporte coletivo em Florianópolis voltaram a crescer, especialmente nos fins de semana, quando usuários relatam superlotação e longas esperas entre horários de ônibus. O Tribunal de Contas do Estado reforçou críticas à falta de política pública clara para priorizar o transporte coletivo: faltam corredores exclusivos, integração modal e fiscalização efetiva das empresas. As negociações trabalhistas no setor seguem tensas — greves recentes lembram que a fragilidade do sistema não é apenas técnica, mas também política. O debate sobre como tirar o transporte público do improviso e colocá-lo no centro da mobilidade urbana segue sem solução concreta.
Base política do prefeito sob teste
O prefeito Topázio Neto enfrenta um momento de tensão com sua base na Câmara Municipal. Nas últimas semanas, projetos de interesse do Executivo sofreram atrasos por falta de quórum ou pela ausência de vereadores que compõem a própria base de apoio. A instabilidade política coincide com o anúncio de uma reforma administrativa que promete enxugar estruturas e gerar economia para a prefeitura — um movimento que ainda precisa do aval dos vereadores. A articulação entre Executivo e Legislativo será decisiva para que projetos estruturantes, como a revisão do Plano Diretor e o programa Floripa 400, avancem sem paralisia.
Meio ambiente: Galheta pede regras claras
A Justiça determinou que a prefeitura publique, em até 30 dias, o plano de manejo do Monumento Natural Municipal da Praia da Galheta. A área, símbolo do naturismo e importante para a biodiversidade local, está sem regulamentação formal desde 2016, o que gera insegurança jurídica para moradores, visitantes e órgãos fiscalizadores. A decisão judicial pressiona a gestão municipal a cumprir uma pendência histórica que mistura preservação ambiental, ordenamento turístico e respeito a comunidades tradicionais.
Planejamento urbano e futuro da capital
O pacote “Floripa 400: a cidade como ponte entre gerações” reúne iniciativas para preparar Florianópolis para o futuro, com promessas de avanço em sustentabilidade, mobilidade, educação e regularização fundiária. Entre elas está o “Floripa Regular”, voltado a dar nome e endereço oficial a ruas e ocupações ainda informais — um passo essencial para inclusão social e acesso a serviços públicos. O sucesso do plano, contudo, dependerá de financiamento, execução continuada e alinhamento político entre prefeitura e Câmara, além de diálogo com a sociedade civil.
















