“A COP-30 vai ser um sucesso”, garante Celso Sabino
De acordo com o ministro do Turismo e deputado licenciado pelo União Brasil do estado do Pará, o governo brasileiro está “trabalhando para eliminar qualquer argumento que seja contrário ao sucesso” da 30ª edição da Conferência sobre mudança no clima da Organização das Nações Unidas (COP-30).
Por Humberto Azevedo
A realização da 30ª edição da Conferência sobre mudança no clima da Organização das Nações Unidas (COP-30) “vai ser um sucesso”, garantiu o ministro do Turismo e deputado licenciado pelo União Brasil do estado do Pará (PA), Celso Sabino, em entrevista à reportagem do Grupo RDM.
Na oportunidade, o ministro afirmou ainda que “nós estamos trabalhando para eliminar qualquer argumento que seja contrário ao sucesso dessa COP” e que “não vai ter protestos, não vai ter falta de hospedagem, não vai ter falta de nada” para atrapalhar a organização do evento, que vai acontecer em Belém (PA) entre os dias 10 e 21 de novembro.
Sabino, que vem sendo pressionado por correligionários para deixar o cargo da Esplanada dos Ministérios, comentou também que durante a COP vão surgir “muitas propostas para eliminar ou reduzir bastante as acentuadas mudanças climáticas”.
O encontro de cúpula em que os chefes de Estados participarão do evento vai acontecer nos dias 6 e 7 de novembro, três dias antes da abertura oficial. Nos bastidores, a reunião de cúpula foi antecipada para evitar pressionar ainda mais o setor hoteleiro da capital paraense, que vem apresentando preços muito acima do previsto para garantir a hospedagem dos participantes.
A crise em torno das vagas de leitos em Belém se tornou um problema tão sério, que nesta sexta-feira, 22 de agosto, a presidência da COP e o governo brasileiro reafirmaram em reunião com os dirigentes da ONU, que todas as “condições plenas” de logísticas, infraestrutura e segurança estão asseguradas para a realização do evento.
O governo brasileiro, em conjunto com o Governo do Pará, reafirmaram ainda que Belém possui capacidade de hospedagem para a realização da COP-30, com uma oferta total de 53 mil leitos, número superior à estimativa de 50 mil participantes do evento.
A estrutura inclui hotéis de diferentes categorias, imóveis privados cadastrados e regulamentados, dois navios internacionais de grande porte, operados por empresas como a MSC e a Costa Diadema, além de acomodações específicas voltadas para povos indígenas, juventude e sociedade civil, o que garantirá diversidade, acessibilidade e previsibilidade para todas as delegações e perfis de público.
“Nós estamos preparando a cidade como nunca antes a cidade de Belém foi preparada, com obras de intervenção em diversas áreas, saneamento básico, obras viárias, construção de áreas de convivência e também considerando o grande número de pessoas que vão estar na cidade, especialmente chefes de Estado, líderes globais, preparando a rede hoteleira e acomodações para abrigar a todos que vêm para a COP”, falou o ministro do Turismo.
“O governo brasileiro, desde o anúncio da ONU de que a COP-30 aconteceria em Belém, tem direcionado muitos esforços, por meio de muitos ministérios do presidente Lula, para que a COP seja um sucesso — de representatividade, de inclusão e, sobretudo, de sugestões do Brasil para os acordos internacionais a fim de conter mudanças climáticas. Iniciamos um programa de parceria com a iniciativa privada, cedemos áreas para a construção de novos hotéis e garantimos financiamentos, muitos deles pelo Fundo Geral do Turismo”, complementou.
“Investimos mais de R$ 382 milhões em projetos para receber os visitantes da COP. Temos dezenas de novos hotéis em construção, outros em ampliação ou reforma, e o fato é: teremos leitos para todos, com preços justos. O governo brasileiro está cedendo mais de 2.400 quartos individuais para que a ONU abrigue as mais de 196 delegações. As tarifas começam a partir de 100 dólares. Fizemos uma divisão justa, levando em conta a realidade econômica de cada país, para que nenhuma delegação deixe de participar”, completou.
COMIDA AMAZÔNICA

Para Sabino, a polêmica que quase tirou pratos típicos da Amazônia do cardápio oficial da COP-30 foi um erro, que rapidamente o governo federal corrigiu. Na entrevista, o ministro abordou a iniciativa de sua pasta ministerial que garante 15% de desconto em hospedagens para professores da rede pública e privada, e também voltada a mulheres, em estabelecimentos associados à Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH).
O benefício vale durante todo o ano, incluindo alta e baixa temporada. A política de incentivo à inclusão também prevê descontos especiais para mulheres em reservas de hospedagem, reforçando a estratégia de democratizar o acesso às viagens e fortalecer o turismo interno.
Ele comentou também o desempenho positivo do setor no primeiro semestre de 2025, quando houve crescimento de 6,6% em comparação ao ano anterior, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), puxado pelo aumento da demanda no transporte aéreo, nas hospedagens e restaurantes.
“Houve um equívoco de, no edital de seleção de quem iria fornecer os alimentos para a COP, proibir a entrada dos principais ingredientes da nossa gastronomia. Veja só: açaí, tucupi e maniçoba. Rebatemos prontamente e jamais vamos aceitar. A gastronomia de Belém é uma das mais deliciosas do planeta. A cidade é reconhecida pela Unesco como criativa da gastronomia, e revistas internacionais a colocam entre as dez melhores do mundo. Evitar que esses produtos entrassem no cardápio da COP era como convidar para uma churrascaria e dizer que não vai servir churrasco”, comentou.
ENTREVISTA
Abaixo, segue a entrevista concedida pelo ministro Celso Sabino a reportagem do Grupo RDM.
Grupo RDM: Qual é a importância do “Plano Brasil Soberano” para enfrentar as consequências das tarifas que os Estados Unidos impôs às exportações brasileiras?
Celso Sabino: O presidente [deu] um importante passo na direção de garantir desenvolvimento e a prosperidade dos empreendedores no Brasil, com segurança jurídica e, sobretudo, a continuidade dos empregos.
Grupo RDM: Mas as tarifas interferem na ida dos brasileiros aos EUA e na vinda de turistas norte-americanos ao Brasil?

Celso Sabino: Nós demos uma grande virada no turismo, nós viramos a chave, nunca mais o turismo será como era antes. Uma pesquisa feita, inclusive, no ano passado, na cidade de São Paulo, uma pesquisa recorrente em que um grande jornal da cidade de São Paulo faz, apontava antes que destinos nos Estados Unidos era a preferência de destinos entre os brasileiros que vivem ali na cidade de São Paulo. E na última pesquisa feita no ano passado, os destinos nacionais, destinos brasileiros, passaram os destinos norte-americanos, na vontade dos cidadãos que vivem na cidade de São Paulo. Isso mesmo antes das tarifas, de subida de câmbio, de tudo. O fato é que o brasileiro hoje quer conhecer mais o seu Brasil. Quanto mais viaja pelo mundo, mais se apaixona pelo seu país, e isso vem acontecendo muito. A vontade, inclusive, estava vendo uma matéria, uma reportagem, um artigo que foi feito por uma revista especializada, dizendo que as pessoas no Brasil estão cada vez mais querendo novas experiências, e isso se realiza através de viagens, preferindo até novas experiências em relação à aquisição de bens materiais. Isso tem feito com que, como disse, o brasileiro está viajando como nunca viajou antes na história. Eu vou dar um dado. No ano passado, nós batemos o recorde de passagens aéreas no nosso país. Foram 118 milhões de passagens voadas no nosso país. Mais um recorde, e que representa 20 milhões a mais do que há dois anos atrás. E também uma pesquisa feita aqui, pelo nosso governo, através da Secretaria de comunicação social (Secom) da Presidência da República, mostra que apenas 29% dos brasileiros optam pelo modal aéreo de transporte. Ou seja, a grande maioria ainda viaja de carro, van, ônibus, trem, barco, navio. E nós tivemos também, no ano passado, além desse movimento nos aeroportos, e quem viaja de avião está vendo o quanto os aeroportos estão todos cheios. As aeronaves todas, você não encontra quase um assento vazio em nenhuma aeronave, considerando que nós aumentamos em 18% a oferta de assentos disponíveis. E mais, as rodovias federais bateram recorde de movimentação no ano passado. O terminal rodoviário do Tietê, que é o maior da América Latina, no ano passado, registrou recorde na movimentação de passageiros. E as locadoras de automóveis, quando você desce no aeroporto, você já vê o tamanho do pátio das principais locadoras de automóveis, o quanto aumentou. Nunca antes se alugou tanto veículo para fazer turismo quanto se alugou no ano passado. Sabe quanto foi o faturamento das locadoras de automóveis no ano passado? 53 bilhões de reais. Esse foi o faturamento das locadoras de automóveis no ano passado. Um número recorde. Assim como as locadoras, nunca se criou tanta empresa com o CNAE [Classificação Nacional das Atividades Econômicas] da atividade de turismo como foram criadas no ano de 2024. Então, ou seja, viramos a chave. O brasileiro está viajando como nunca antes viajou ao nosso país. E assim, entre a escolha de ir para a Europa, ir para os Estados Unidos, ir para o Chile, ir para a Argentina, ele está preferindo conhecer os grandes centros e grandes atrativos do nosso país. Em relação ao público norte-americano, o fato do governo brasileiro adotar a reciprocidade de vistos não afetou praticamente em nada o atrativo brasileiro para os turistas norte-americanos, eles continuam vindo em maior volume ainda agora. E o fato do tarifaço não ter impacto no setor do turismo. Ao contrário, isso pode favorecer ainda mais porque se eles levavam as nossas laranjas ou o nosso suco de laranja para ser consumido lá, nós estamos aqui de braços abertos para recebê-los, para virem tomar o suco de laranja diretamente aqui no Brasil. E se quiser inovar, também, eu estou oferecendo açaí, podem vir.
Grupo RDM: E a Cop-30?
Celso Sabino: A COP-30 vai ser um sucesso.
Grupo RDM: E a questão da crise no setor hoteleiro, de Belém, como que o sr. está vendo isso?
Celso Sabino: Nós estamos trabalhando para eliminar qualquer argumento que seja contrário ao sucesso dessa COP.
Grupo RDM: Então, não corre risco, como aconteceu em Santiago, no Chile, em 2019, que há um mês de acontecer uma mudança?
Celso Sabino: Por qual motivo?
Grupo RDM: Santiago teve alguns protestos à época e a ONU, por questão de segurança, promoveu a COP em Madrid, na Espanha.
Celso Sabino: Mas não vai ter protestos, não vai ter falta de hospedagem, não vai ter falta de nada. Vai ter muitas propostas para eliminar ou reduzir bastante as acentuadas mudanças climáticas.
Grupo RDM: E como o governo vai resolver essa questão da hospedagem, em que a rede hoteleira de Belém está cobrando muito caro pela estadia durante os dias da COP?
Celso Sabino: O governo brasileiro, desde o anúncio da Organização das Nações Unidas de que a COP-30 aconteceria no Brasil, na cidade de Belém, tem direcionado muitos esforços através de todos os ministérios do governo do presidente Lula para que essa COP seja um grande sucesso. Um sucesso de representatividade, um sucesso de inclusão e um sucesso, sobretudo, nas sugestões que o Brasil dará para os acordos internacionais a fim de conter mudanças climáticas. Nós estamos preparando a cidade como nunca antes a cidade de Belém foi preparada, com obras de intervenção em diversas áreas, saneamento básico, obras viárias, construção de áreas de convivência e também considerando o grande número de pessoas que vão estar na cidade, especialmente chefes de Estado, líderes globais, preparando a rede hoteleira e acomodações para abrigar a todos que vêm para a COP. Nós iniciamos um programa de parceria com a iniciativa privada, falando especificamente sobre os meios de hospedagem. [Em que] cedemos diversas áreas para a construção de novos hotéis, garantimos financiamentos, muitos deles, quase todos, através de fundos públicos, a sua grande maioria pelo Fungetur, que é o nosso Fundo Geral do Turismo do Ministério do Turismo. Nós investimos só no Fungetur mais de R$ 382 milhões, financiando projetos para hospedar as pessoas que vão para a COP. Hoje, nós estamos com dezenas de novos hotéis sendo construídos em Belém, outros tantos sendo ampliados, reformados e requalificados. E o fato é, teremos leitos para todos e teremos preços justos para todos que virão para essa COP na cidade de Belém. Falando em números, na COP de Baku, no Azerbaijão, que foi a COP-29 no ano passado, no dia de maior pico, a COP é de 10, 11 dias e cada dia são temas específicos que são debatidos, onde autoridades e líderes muitas vezes vão para debater um assunto específico ou uma temática específica. Então acabam não ficando todos os 11 dias. Mas na COP de Baku, no dia de maior presença, nós tivemos 24 mil pessoas hospedadas na cidade de Baku. Para a cidade de Belém, o governo brasileiro, com a parceria da iniciativa privada e com todas as ações que foram feitas, já temos mais de 53 mil leitos garantidos para o período da COP na cidade de Belém.
Grupo RDM: Em relação ao preço há um limite para delegações? O que está sendo feito para que o preço não fique inviável?

Celso Sabino: Nós temos, nesses novos hotéis que estão sendo construídos na cidade, a perspectiva de que esses novos leitos, somados aos leitos que serão oferecidos por dois grandes navios, nós garantimos que estarão em Belém para também servir de meio de hospedagem. O governo brasileiro, por exemplo, está cedendo mais de 2.404 quartos individuais para que a ONU possa abrigar as suas mais de 196 partes e países que compõem a ONU com tarifas a partir de US$ 100 [R$ 541,00]. Então, foi feita uma divisão em dois grupos, países com menor PIB per capita. Esse primeiro grupo, que era de áreas entre US$ 100 e US$ 200 [R$ 1.082,00] e o segundo grupo de países de PIB per capita [mais elevados] em de áreas entre US$ 200 e US$ 600 [R$ 3.246,00]. Além disso, nós fizemos um acordo com a rede hoteleira da cidade de Belém que está nos garantindo pelo menos entre 10% e 20% dos seus quartos por uma diária de US$ 300 [R$ 1.623,00]. Esses novos hotéis, e recentemente visitando a obra de vários hotéis, vou citar um deles, do grupo Vila Galé, um grupo português que está sendo construído ali na continuação da Estação das Docas, em Belém, com quartos de frente para o Rio. E as diárias serão em torno de 3 mil reais uma diária, um hotel cinco estrelas, num apartamento de luxo, de frente para o Rio, com toda a infraestrutura, diversos restaurantes, piscina com borda infinita. Nós temos também um hotel seis estrelas que está sendo construído em Belém. Então, o fato é, o governo brasileiro trabalha, em primeiro lugar, para que todas as delegações que queiram vir participar da Cop da Floresta, Cop de Belém, Cop-30, e possam pagar pelo menos US$ 100 em uma diária de um apartamento, estejam presentes nas negociações da Cop-30. Também, com toda essa oferta de leitos que está surgindo na cidade, nós temos a certeza de que alguns abusos, que surgiram, e nós reconhecemos que existem alguns abusos na cobrança de preços de hospedagem, mas isso não é a regra geral. A regra geral é essa que eu mencionei para você. Esses abusos serão compelidos, combatidos, e quem vai tomar conta desses abusos é o próprio mercado. Um dado concreto, quando eu falo o próprio mercado, é que eu quero dizer que, com a grande oferta de leitos, os que estão cobrando muito caro pelos seus leitos, terão duas alternativas, ou reduzir os preços, ou ficar com seus imóveis sem alocar. Recentemente, uma notícia de um hotel que até colocou o nome de hotel Cop-30, e virou notícia no Brasil inteiro, um hotel de cerca de três estrelas, de não muito conforto, vamos dizer assim, estaria cobrando R$ 6 mil em uma diária. Esse mesmo hotel, com o avanço da oferta, com a entrada na nossa plataforma oficial, com o início da oferta dos leitos nos navios, desses novos hotéis, esse mesmo hotel já reduzia a sua diária de R$ 6 mil para R$ 2.500. Então, aquelas exceções que estão cobrando R$ 100 mil em uma diária de um apartamento, ou R$ 1 milhão pelo aluguel de uma casa de sete quartos durante os dez dias da Cop, essas habitações, os proprietários delas, terão duas opções, ou reduzir muito o preço, ou não vão alocar seus imóveis.
Grupo RDM: O senhor falou que os valores mais baixos das diárias para a COP-30 serão U$ 100 dólares, cerca de R$ 550, isso pode ser um valor viável para as delegações, mas não seria um valor alto para integrantes de movimentos sociais, de Organizações Não Governamentais (ONGs)? O governo está pensando em hospedagem até mais acessível que esses U$ 100?
Celso Sabino: Bom, na história das realizações das COPs, essa média de diária para delegações que não têm um alto valor disponível para investir em diária tem sido até maior do que essa, tem sido até maior do que 100 dólares [R$ 550,00]. Se por um lado, a gente enfrenta essas informações que são divulgadas no Brasil das exceções, desconsiderando a regra geral, a gente vê muito a imprensa nacional, não toda a imprensa nacional, alguns veículos, divulgando na internet os abusos, mas desconsideram a regra geral. E por outro lado, se nós temos de um lado os abusos, do outro lado nós temos as exceções, onde nós temos delegações de países que ainda não querem pagar os 100 dólares, querem pagar 50 dólares [R$ 275,00] no preço de uma diária para estarem na COP da Floresta, em Belém, discutindo um tema tão importante. Mas o governo brasileiro tenta conciliar. Na semana passada, nós tivemos uma reunião muito importante no Ministério do Turismo com a ministra Marina, do Meio Ambiente, com o embaixador André Lago, presidente da COP-30, onde nós fechamos um grupo de assessores internacionais que já começou a trabalhar, identificando pontualmente quais são essas delegações, quais são esses entes que querem participar da COP e ainda não conseguiram encontrar as suas habitações ou estão tendo alguma dificuldade na nossa plataforma, para que, pessoalmente, nós façamos um link entre essas pessoas que querem vir para a COP com sua delegações e as habitações que nós temos disponíveis para facilitar o encontro entre eles e a garantia da hospedagem, para que essa COP seja não só a maior COP que já aconteceu, mas a COP mais decisiva que já aconteceu, e também a COP mais inclusiva que já aconteceu.
Grupo RDM: E a gastronomia paraense, amazônica, será o cardápio da COP? Até porque parece que o açaí e outros produtos não estavam listados? Como foi isso?

Celso Sabino: Houve um equívoco, já reconhecido por quem cometeu esse erro, de, no edital de seleção de quem iria fornecer os alimentos para a COP nos espaços especiais, proibir a entrada dos principais ingredientes da nossa gastronomia. Veja só. Açaí, tucupi e maniçoba, sobre um argumento que nós rebatemos prontamente e jamais vamos aceitar. Como a gente está se revoltando quando as pessoas querem, de uma forma ignorante, vamos dizer assim, porque não conhecem, desprestigiar ou falar mal da região Norte do país, do Pará, da cidade de Belém. A gente tem passado os últimos dias tendo que falar muito sobre hospedagem, sobre qualidade de hospedagem, sobre preço de hospedagens abusivos. Agora, sobre a nossa gastronomia. E, por trás de tudo isso aí, existe, sim, uma vontade de muitas pessoas de que essa COP não ocorresse em Belém. Existe, sim, uma espécie de preconceito interno dentro da cabeça de muitas pessoas sobre a região Norte, sobre o povo da região Norte e, agora, sobre a nossa gastronomia. Só que foi um tiro que saiu muito pela culatra. A gastronomia de Belém é uma coisa que todo mundo reconhece, que é uma das maiores e mais deliciosas gastronomias do planeta. A Unesco, aliás, reconhece a cidade de Belém como cidade inteligente ou criativa da gastronomia. Diversas revistas no mundo inteiro reconhecem a cidade de Belém como uma das dez melhores cidades de gastronomia do planeta, e, justamente, a base de produtos da floresta amazônica, produtos que são consumidos no cotidiano de quem vive nessa região, como o tucupi, como o jambu, como a maniçoba e, principalmente, como o açaí, que ganhou o cardápio, ganhou a mesa do mundo todo, dos norte-americanos, dos japoneses, dos chineses, dos europeus. Outro dia, alguém estava me falando a quantidade de lojas de açaí que já tem em Lisboa, em Portugal. Então, evitar que esses produtos entrassem lá na mesa da COP era a mesma coisa que convidar as pessoas para uma churrascaria e chegar na hora de dizer que não vai servir churrasco. Ninguém falou do carneiro ou das comidas típicas que foram servidas na COP, por exemplo, de Dubai ou nos outros países. E, falando da COP de Dubai, foi servido lá tucupi, foi servido lá comida paraense pelo grande chefe de cozinha paraense que o presidente Lula levou para servir o chefe de Estado. Mas o dado concreto é que, feita essa correção, foi feito uma errata praticamente no mesmo dia e essa exclusão da maniçoba, do tucupi e do açaí saiu deste edital. Isso já foi contornado, então todos teremos a oportunidade de provar as iguarias. O que nós não queremos, não vamos nunca permitir, é o preconceito com a nossa região, com qualquer parte do Brasil. O governo brasileiro não tolera a intolerância, não tolera que alguns sejam maiores que os outros. Nós somos todos brasileiros e todos os alimentos servidos na COP passarão por um rigoroso controle de segurança alimentar, o respeito absoluto a todas as normas de vigilância sanitária, do Ministério da Saúde. Mas a mesma norma que será submetida à maniçoba, será submetida à salada, a mesma norma que será submetida ao açaí, será submetida à lasanha, a mesma norma que será submetida ao tacacá, será submetida também, por exemplo, ao macarrão que será servido na COP.
Grupo RDM: A exemplo de obras e investimentos previstos como o aeroporto de Guarujá e o túnel Santos-Guarujá, quais são os planos do Ministério do Turismo para fortalecer o turismo da região e das demais regiões do país?
Celso Sabino: Nós ampliamos bastante a promoção dos principais destinos turísticos, inclusive os belos atrativos que existem na cidade de Santos, dentro do Brasil e também fora do país. Nunca nós investimos tanto em promoção turística fora do país quanto nós estamos investindo agora. E nunca nós investimos tanto em promoção do turismo dentro do Brasil quanto nós estamos investindo agora. O resultado concreto é que o brasileiro nunca viajou tanto dentro do país como está viajando hoje e nós nunca recebemos tantos estrangeiros quanto nós estamos recebendo hoje. A própria cidade de Santos, no ano passado, bateu recorde na recepção de turistas no período de um ano. O Brasil, no primeiro semestre, segundo a Organização das Nações Unidas, pela primeira vez na história, está entre os dez países que mais cresceram no turismo em todo o planeta. E a primeira vez que o Brasil entra nesse seleto grupo de entre os dez primeiros países que mais cresceram no turismo em todo o planeta, nós já ficamos em segundo lugar. Então, no primeiro semestre, de janeiro a junho, o Brasil foi o segundo país do mundo que mais cresceu no turismo. E é fato que o Rio de Janeiro é o nosso emblema, é a nossa marca, é uma das cidades que sempre foi, ao longo de muitos anos, a cidade e o estado mais visitado do Brasil. No ano passado foi o Rio de Janeiro e, nesse primeiro semestre, também foi o Rio de Janeiro. E a gente vai continuar investindo muito nos atrativos turísticos, na promoção correta da imagem do Rio de Janeiro, para que cada vez mais turistas visitem a cidade maravilhosa e possam também conhecer os encantos de todo o estado do Rio de Janeiro. E a determinação do presidente Lula é, além de fortalecer o turismo nas cidades já consolidadas, nos emblemas nacionais que nós temos, desenvolver também o turismo regional. Investir em cidades periféricas, no entorno de grandes centros turísticos, para que os turistas que venham ao Brasil possam conhecer também outros grandes atrativos que existem em todo o nosso país.
Grupo RDM: Tem algum projeto de incentivo de turismo interno para o Rio Grande do Sul que foi muito afetado no passado e que está se recuperando?
Celso Sabino: No ano passado, foi um ano em que um dos nossos principais estados, que é o estado do Rio Grande do Sul, recebeu o maior volume de turismo internacional que acontece no Brasil. O primeiro lugar entre quem mais nos visita são os argentinos. E pelo estado do Rio Grande do Sul, é por onde entram a grande maioria dos argentinos que nos visitam. E todos nós sabemos a infelicidade que o Brasil teve no ano passado, quando esse estado praticamente não recebeu nenhum turista, em que nós tivemos o aeroporto interditado e os hotéis fora de funcionamento. E apesar dessa tragédia que aconteceu, que nos retirou o Rio Grande do Sul durante todo um ano praticamente do turismo, no ano passado, o Brasil bateu o recorde histórico na visitação de turistas estrangeiros. Nunca, nem com Copa do Mundo, nem com Olimpíadas, o Brasil recebeu tantos turistas estrangeiros, quanto recebeu no ano de 2024. Agora, com o Rio Grande do Sul já restabelecido, o aeroporto Salgado Filho funcionando, as estradas funcionando, todo o setor hoteleiro pujante, funcionando a pleno vapor, destaco, qaue além da nossa cidade de Porto Alegre, a Serra Gaúcha com a cidade de Canela, de Gramado, toda a rota do vinho que existe no Rio Grande do Sul, nós já estamos superando todas as expectativas para o Brasil, especialmente para o estado do Rio Grande do Sul. No primeiro semestre, aliás, até julho de janeiro a 31 de julho de 2025, agora, nesse ano, o Brasil já registrou a entrada de mais de 5 milhões e 950 mil turistas estrangeiros neste período de sete meses, caminhando para chegar nesse número inédito. O Brasil que nunca tinha recebido antes sete milhões de turistas estrangeiros, esse ano de 2025, a nossa projeção é encerrar o ano com mais de dez milhões de turistas estrangeiros. Isso é uma marca incrível que reflete o trabalho de todas as pessoas em todo o Brasil, que impulsionam, que trabalham e que acreditam no setor do turismo. E o Rio Grande do Sul, claro, recebeu toda a atenção do governo federal, não só para sua reestruturação, não só para a resiliência que nós precisamos aprender e pôr em prática num período tão curto, num intervalo de tempo tão pequeno, mas que tem funcionado. Nós levamos o Rio Grande do Sul para todas as principais feiras internacionais, especialmente na Argentina, como disse que é o nosso principal cliente, nós conquistamos o direito de a maior feira de turismo da Argentina, a FIT, que acontece em Buenos Aires, em setembro do ano passado, no meio do segundo semestre do ano passado, nós tivemos um grande destaque nessa feira, porque o Brasil foi o país homenageado. Há muito tempo que o Brasil não era o país homenageado na FIT da Argentina, e no ano passado foi. E com essa prerrogativa, nós fizemos uma grande promoção, uma grande divulgação, uma grande venda dos destinos turísticos nacionais e, por determinação do Presidente da República, o Rio Grande do Sul recebeu uma atenção toda especial nessa promoção e nessa divulgação. O dado concreto é, se você andar pelas ruas da cidade de Porto Alegre ou por vários destinos turísticos do Rio Grande do Sul, você vê hoje as cidades repletas de argentinos que estão nos visitando, fazendo turismo, gastando dinheiro e gerando emprego no Brasil.
Grupo RDM: Voltando para a COP-30, como foram os preparativos para que a capital paraense pudesse ter acessibilidade turística e também sinalização? E essa acessibilidade também está sendo feita com os demais destinos turísticos do país?
Celso Sabino: Em relação à COP-30, o governo brasileiro, como disse, está fazendo uma grande intervenção na cidade, a cidade hoje é um canteiro de obras, muitas delas já estão, inclusive, ficando prontas antecipadamente, seguindo todo o cronograma e tudo aquilo que nós nos propusemos a fazer para a COP-30 na cidade de Belém, nós estamos fazendo. E todas as obras, cada intervenção que está sendo feita na cidade é com a exigência obrigatória da garantia de acessibilidade para todos que vão estar visitando, que vão estar permeando e conhecendo a cidade de Belém do Pará durante a COP. Além disso, o governo federal, através do Ministério do Turismo, fez um convênio com a prefeitura da cidade de Belém para a sinalização turística, para que todos os atrativos turísticos estejam muito bem sinalizados e todos que estejam circulando. Sejam circulando na cidade, saibam como chegar nos principais atrativos, como o Mercado Velo Peso, o Teatro da Paz, o Museu Emílio Guedes, o Parque da Cidade, onde será realizada a Cop, o Aeroporto Internacional, então quem for para Belém vai ver uma cidade muito bem sinalizada, especialmente em relação aos seus atrativos turísticos. E o Ministério do Turismo, ele tem colocado em todas as suas obras, em todo o país, também essa obrigação da garantia, da inclusão, da acessibilidade para todos aqueles que tenham oportunidade. Essa é a política do presidente Lula e ele não abre mão disso, inclusão e acessibilidade em todas as obras.
Grupo RDM: Como fomentar ainda mais grandes eventos como o festival folclórico de Parintins, incentivando e também fazer com que outros festivais menos conhecidos também possam ter notoriedade?
Celso Sabino: O Festival de Parintins é o espetáculo, sem dúvida nenhuma, o maior, mais bonito, mais emocionante, mais empolgante, mais vistoso, mais brilhoso festival cultural do planeta. Nunca vi nada igual e olha que Deus me abençoou, já tive a oportunidade de ver vários eventos em várias partes do mundo. Nunca vi nada igual com a energia, com a beleza, com a suntuosidade que é o festival de Parintins, que acontece durante três dias na cidade de Parintins a apresentação dos dois bois, duas horas e meia cada, com meia hora de intervalo, ou seja, cerca de cinco horas e meia e quando acaba cada dia você diz assim, já acabou, não dá para ficar mais um pouquinho mais? E no outro dia é outra apresentação diferente, no terceiro dia é outra apresentação totalmente diferente, realmente é um espetáculo. Esse ano, no ano passado foi recorde de público e esse ano superou as expectativas todas previstas com mais de 140 mil pessoas visitando a cidade de Parintins no período do festival que aconteceu no último final de semana de junho. A cidade de Parintins, a sede da cidade, em que reside 100 mil pessoas, esse ano recebeu mais de 140 mil pessoas de fora. E desde o ano passado, o Ministério do Turismo tem investido nesse festival, acreditando na potência da força da floresta, da cultura do povo parintinense, do povo do Amazonas, da Amazônia e tem dado muito resultado. Muita gente de fora, influenciadores, artistas e assim como foi feito em Parintins, a gente tem feito no Festuris, que acontece em Gramado, no Rio Grande do Sul. O mesmo a gente tem feito no São João do Nordeste inteiro. Inclusive, esse ano pela primeira vez o Ministério do Turismo financiou, apoiou o carnaval do Rio de Janeiro, às 12 escolas do grupo especial e as escolas do grupo de acesso. Nós acreditamos que grandes eventos culturais, a demonstração da nossa cultura, grandes apresentações, como é o caso do Festival de Parintins, sem dúvida nenhuma, tem uma relação umbilical com o turismo, as pessoas vêm de fora, inclusive de outros países para se hospedar, para comprar produtos, para levar para almoçar, para jantar e com isso movimentando muito a nossa economia. Não é à toa que o Brasil hoje, pela primeira vez aí está batendo o recorde na geração de emprego e a nossa taxa de desemprego já está abaixo de 6%.
Grupo RDM: Sobre o incentivo ao turismo para mulheres e professores, como isso está funcionando?
Celso Sabino: A gente tem se esforçado muito para implementar vários programas que impulsionam o nosso turismo, como o “Conheça o Brasil Voando”, “Conheça o Brasil Cívico”, “Conheça o Brasil Realiza”, que está financiando pacotes turísticos pelo Banco do Brasil, pela Caixa Econômica, em até 60 parcelas. A gente tem várias ações de promoção, de divulgação, e essa foi uma medida feita em parceria com o setor hoteleiro. Todos sabem que o nosso governo tem uma ação muito forte para a inclusão de pessoas no turismo, e a gente tem uma categoria que merece muito conhecer o Brasil, porque é quem ensina para as nossas crianças e para os nossos jovens o que é a cultura, o que é a história, o que é o nosso país, são os professores. E nós, em parceria com uma grande rede de hotéis, que fazem parte da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, com hotéis em todas as cidades do Brasil, estamos disponibilizando pelo site da ABIH e também pelo site do Ministério do Turismo esses hotéis, com descontos de 15% para que os professores possam se hospedar e fazer turismo no nosso país. E também reconhecendo que muitas mulheres, por às vezes serem mães solo, ou por serem mulheres solteiras, ou às vezes por terem receio de viajar sozinhas, têm algumas dificuldades em escolher o seu destino turístico ou mesmo de viajarem. Então o governo brasileiro, em parceria com a ABIH, tem também o mesmo desconto para os professores, para as mulheres que viajam sozinhas, de 15% na rede hoteleira em todo o Brasil. E aí procura o quê? Quais são os critérios para isso? Você entra no site do Ministério do Turismo, busca o programa de desconto de 15% para mulheres que viajam sozinhas, lá você vai ter acesso a toda a relação dos hotéis por cidade, você entra em contato diretamente com o hotel, fala do programa e o hotel vai garantir para você os 15% de desconto. É isso, então vamos entrar no site do Ministério do Turismo.
Grupo RDM: Voltando a falar de COP-30, cidades do interior do Pará, da Amazônia, como Santarém, também podem receber eventos ligados à conferência sobre mudança no clima?
Celso Sabino: Total, 100%, já estamos, inclusive, oferecendo para algumas delegações que queiram se hospedar em Santarém, mas, sobretudo, nós não vamos perder essa oportunidade de estar recebendo tanta gente importante no estado do Pará, nós não vamos perder essa oportunidade de divulgar bastante os atrativos turísticos do nosso estado, as cidades do Pará e também todos os atrativos turísticos do Brasil para aqueles que estejam visitando a Cop. Nós estamos montando um espaço chamado “Casa Brasil”, onde todos que estiverem na Cop terão a oportunidade de ver o Alter do Chão, de ver os Lençois Maranhenses, de ver o Cristo Redentor, de ter experiências com gastronomia, com o turismo de várias regiões do nosso país. E, claro, por estar ali próximo, a cerca de uma hora de voo da cidade de Belém, Santarém vai ter a sua prioridade e também lá em Santarém a gente tem a Festa do Sairé, que é muito parecido com o Festival de Parintins, só que em vez de ser dois bois, são dois botos, o Cor de Rosa e o Tucuxi, que fazem uma apresentação também extraordinária e também desde o ano passado o Ministério do Turismo tem apoiado esse evento, apoiando mais uma vez esse ano, que acontece agora em setembro.
























