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Caminhos capixabas

ENTREVISTA DA SEMANA | PAULO HARTUNG

Ex-senador e ex-governador pode ser candidato ao Senado em 2026, segundo ele hoje ocupado pelo pior da política. (Foto: Ricardo Medeiros / A Gazeta)

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“Brasil, um país que não aprende com os erros, mas também não aprende com os acertos”, diz ex-governador capixaba

Cotado para concorrer ao Senado em 2026, onde é apontado atrás apenas do atual governador Renato Casagrande, o ex-político capixaba acredita que os caminhos do Brasil é se “inspirar” em casos de sucesso para construir um “futuro de esperança”.

 

Por Humberto Azevedo

 

O Brasil é “um país que não aprende com os erros, mas também não aprende com os acertos”. Esta é uma declaração que o ex-governador do Espírito Santo (ES) entre os anos de 2003-2010 e 2015-2018, Paulo Hartung, ex-PSDB e filiado ao PSD presidido nacionalmente pelo chefe da Casa Civil do governo de São Paulo, Gilberto Kassab, desde maio, deu em uma entrevista rápida quando estava de passagem no aeroporto de Vitória (ES).

 

Cotado para concorrer ao Senado em 2026, onde é apontado atrás apenas do atual governador capixaba Renato Casagrande (PSB), o ex-político que já foi senador entre os anos de 1999 e 2002, acredita que os caminhos do Brasil é se “inspirar” em casos de sucesso de empresas como a empresa brasileira de aviação civil (Embraer) e a “Weg Motors” para construir um “futuro de esperança” como a garantia de empregos e renda destinada à população.

 

Na rápida entrevista, Hartung também opinou sobre como ele vê o atual cenário em que o governo do presidente norte-americano Donald Trump impôs tarifas de 50% às exportações brasileiras destinadas para aquele país. Segundo ele, o mundo assiste a volta das práticas do mercantilismo adotadas nos séculos XV, XVI, XVII, XVIII e XIX e do protecionismo que “na contramão de tudo” que foi construído no pós-guerra, quando os próprios EUA lideraram o movimento em defesa do livre comércio. 

 

“É, portanto, um retrocesso. [Mas] essa queda de braço [mesmo que retórica, entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente estadunidense Trump] não é positiva para a economia brasileira, até porque exportamos para eles produtos de maior valor agregado, como os aviões da Embraer. (…) O caminho é a diplomacia, a negociação. Aprendi que, quando encontramos uma porta fechada, não devemos ir embora: é preciso bater novamente, porque uma hora ela se abre”, defende.

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ENTREVISTA

 

Abaixo, segue a rápida entrevista concedida pelo ex-governador do ES, Paulo Hartung, a jornalistas capixabas.

 

Imprensa: Governador, recentemente o sr. recebeu a visita do ex-prefeito de Serra, segundo maior município do estado, e também ex-deputado federal Sérgio Vidigal (PDT). Há chances do sr. concorrer nas eleições de 2026?

Ex-tucano, Hartung decidiu se filiar ao partido presidido nacionalmente por Gilberto Kassab para, talvez, retornar à vida pública. (Foto: Arthur Mota / Folha de Pernambuco)

Paulo Hartung: Hoje inclusive recebi uma foto dele (Vidigal) reassumindo seu posto como médico. É muito bom ver alguém que exerceu vários mandatos voltando a uma atividade profissional. Defendo que seja assim a vida pública. Em determinado momento, a liderança exerce um cargo eletivo; em outro, retoma sua vida privada ou profissional. Conversa boa de quem faz política com responsabilidade. Em segundo lugar, destaco a atitude dele de procurar outras lideranças, inclusive a mim. Essa é uma prática que infelizmente tem faltado à política capixaba. Ele está ocupando um espaço vazio, e isso demonstra maturidade e experiência — elementos necessários para conduzir as coisas.

 

Imprensa: E como o Sr. está vendo este cenário em que os EUA de Donald Trump impôs tarifas de 50% às exportações brasileiras? A longo prazo, como avalia o que está acontecendo agora?

Paulo Hartung: Um dado importante é que, nos últimos 14 anos, a balança comercial do Brasil com os EUA tem sido favorável aos americanos: eles vendem mais para nós do que nós vendemos para eles. Isso nos dá um bom argumento. Mas a volta do mercantilismo e do protecionismo vai na contramão de tudo o que foi construído no pós-guerra, quando os próprios Estados Unidos lideraram o movimento em defesa do livre-comércio. É, portanto, um retrocesso.

 

Imprensa: E como analisa a resposta adotada pelo governo brasileiro? Por um lado, efetivamente lança um programa para ajudar as empresas que foram afetadas pelas tarifas, mas sem adotar a reciprocidade comercial recentemente aprovada pelo Congresso. Entretanto, por outro lado, em discursos mais retóricos para o público interno o presidente Lula adota uma postura mais nacionalista de que o Brasil não vai se curvar. 

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Sobre Trump: É um “retrocesso” que representa a “volta do mercantilismo e do protecionismo na contramão” do livre-comércio. (Foto: Reprodução / Redes digitais)

Paulo Hartung: E essa queda de braço [mesmo que retórica] não é positiva para a economia brasileira, até porque exportamos para eles produtos de maior valor agregado, como os aviões da Embraer. São cadeias de fornecimento estruturadas com muito esforço e baseadas em ciência e tecnologia, resultado de mais de 200 anos de boa relação entre os países. O caminho é a diplomacia, a negociação. Aprendi que, quando encontramos uma porta fechada, não devemos ir embora: é preciso bater novamente, porque uma hora ela se abre. Nesse sentido, ajuda muito mobilizar tanto os nossos compradores nos EUA quanto os fornecedores americanos que vendem para o Brasil. Muitas empresas brasileiras já estão seguindo essa estratégia. 

 

Imprensa: Então, qual é o caminho?

Paulo Hartung: Por que a Embraer deu certo? Por que a WEG Motores deu certo? Por que o agronegócio moderno deu certo? Por que o setor de árvores cultivadas para fins industriais e de restauração de nativas deu certo? Esses exemplos poderiam inspirar políticas para apoiar outros setores capazes de gerar emprego, renda e oportunidades para a juventude, construindo um futuro de esperança dentro do próprio território brasileiro. Esse é o caminho.

 

Imprensa: Em 2018 o Sr. lançou o livro “Como o governo capixaba enfrentou a crise, reconquistou o equilíbrio fiscal e inovou em políticas sociais”. Ele é citado frequentemente por empresários como um caminho a ser adotado por gestões públicas. Assim, qual objetivo do livro?

Para Hartung, a “polarização radicalizada” entre petistas e bolsonaristas é um impasse para o progresso do país. (Foto: Reprodução / Redes digitais)

Paulo Hartung: Esse é o quinto livro que publico e representa mais uma contribuição minha para o debate nacional, algo que faz parte dos meus propósitos de vida. Trago uma reflexão sobre as grandes mudanças que o mundo tem vivido de forma acelerada: o impacto das novas tecnologias, das redes sociais que transformaram a política e da polarização. Mas não aquela inerente à democracia, e sim a polarização radicalizada, suas causas e consequências. Também discuto os efeitos da pandemia, como a popularização do ‘home office’, que chegou a alterar a mobilidade urbana em cidades como São Paulo. Falo ainda do Brasil, um país que não aprende com os erros, mas também não aprende com os acertos.

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