“Em confronto com a polícia, que morra o bandido”, afirma Elmano Freitas
Em entrevista à reportagem do Grupo RDM, o governador cearense Elmano Freitas (PT) defendeu uma recém operação realizada em seu estado que matou sete pessoas acusadas de integrarem uma organização criminosa em confronto com a Polícia Militar, e lembrou que o “modo correto” de agir é atuar sem deixar inocentes e policiais vitimados.
Por Humberto Azevedo
Questionado pela reportagem do Grupo RDM sobre a operação policial no Rio de Janeiro (RJ) no último dia 29 de outubro, que resultou em 121 mortos – incluindo 25 pessoas que não tinham passagens pela polícia – o governador do Ceará, Elmano Freitas (PT), defendeu em entrevista coletiva na última quarta-feira, 5 de novembro, que em casos de confrontos com a Polícia, a morte de “bandidos”.
O petista cearense evitou responder sobre a operação, em si, na capital fluminense, buscando responder a pergunta com uma ação recente realizada em seu estado e foi direto ao afirmar sua posição sobre o embate direto: “É necessário muitas vezes fazer um confronto e eu já disse algumas vezes, em confronto da polícia militar com o bandido, que morra o bandido e o policial militar possa ter sua vida preservada e essa é a nossa posição”.
“Olha, eu tenho a impressão, não vamos ter que discutir muito, no Ceará, nós fizemos uma operação de confronto com facções e recentemente tivemos um confronto com a morte de sete faccionados no Ceará, em que penso eu, que é a maneira correta, e não teve um policial morto, não tem uma pessoa inocente que foi morta ou colocada em risco”, declarou.
No entanto, ele acrescentou um critério fundamental que, em sua visão, deve guiar essas ações: a proteção da população. Freitas afirmou que o estado cearense continuará a “fortalecer as forças de segurança para fazer os confrontos que forem necessários, mas sempre com o cuidado de não deixar a população civil no meio de um conflito armado”.
“Nós temos que ser capazes de enfrentar o crime organizado, evitando colocar em risco a vida de cidadãos e cidadãs de bem”, comentou em meio aos debates sobre iniciativas legislativas em tramitação para combater o crime organizado.
SEM MUDANÇA DE VISÃO
Questionado pela reportagem do Grupo RDM sobre se sua resposta não seria uma mudança ao posicionamento sobre segurança pública defendida historicamente pelo seu partido, PT, o governador negou qualquer alteração em sua visão e afirmou que sempre defendeu a combinação de políticas sociais com ações firmes de enfrentamento ao crime.

Indagado sobre a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou como “desastrada” a ação policial no Rio de Janeiro, o governador evitou polemizar e não se referiu a fala do presidente brasileiro afirmando que não mudou de opinião sobre a questão da segurança.
“Mantenho a mesma opinião que eu sempre tive: nós precisamos ter políticas sociais, precisamos ter políticas de prevenção, que nós precisamos efetivamente ter presença nos bairros, de não apenas ir lá e sair. Agora, precisamos ter força e enfrentamento, e é isso que nós estamos fazendo no Ceará”, complementou
“Nós contratamos mais de dois mil policiais militares, mais de 400 policiais civis, investimento na Polícia Forense, estamos fazendo concursos para fortalecer as forças de segurança. (…) O que nós temos efetivamente feito, no caso do Ceará, é o mesmo discurso desde quando eu assumi: é ação solidária com a população que mora no bairro e ação firme e dura contra o crime organizado”, finalizou.
ÍNTEGRA
Abaixo, segue a íntegra da entrevista concedida pelo governador do Ceará, Elmano Freitas.
Imprensa: Como foi o seu encontro aqui com a bancada cearense?

Elmano Freitas: Olha, eu quero primeiro agradecer à bancada federal do Ceará, que já ajudou muito o estado do Ceará, como por exemplo, levar o tratamento do câncer para o interior do Ceará, que foi a partir de uma decisão da bancada de deliberar recursos para o estado do Ceará. Da mesma maneira, esse ano, nós estamos solicitando à bancada, junto com o prefeito [de Fortaleza] Evandro Leitão (PT), uma priorização para a saúde do estado do Ceará para nós continuarmos a levar o tratamento contra o câncer, expandindo o tratamento contra o câncer. Da mesma forma, os hospitais regionais em que vamos iniciar as obras pelo Hospital Polo Regional do Iguatu, Hospital Polo Regional de Baturité. Estamos em plena obra do Hospital de Crateús e nós sabemos da importância de poder interiorizar a saúde para levar a média e a alta complexidade para todas as regiões do Ceará e nós contamos com a sensibilidade da bancada para a colaboração de recursos para esse objetivo.
Imprensa: O governo se sente atendido?
Elmano Freitas: Não, a bancada ainda vai tomar a decisão. Nós trouxemos aqui o nosso pleito. Vamos aguardar com muito respeito a decisão da bancada, são todos pleitos legítimos e nós entendemos que o pleito do Ceará, como o da prefeitura de Fortaleza, é também um pleito muito legítimo, que é para melhorar a saúde do nosso povo.
Imprensa: E o valor? Quantos serão empregados? O senhor está pedindo metade dos R$ 425 milhões, é isso tudo para a saúde, R$ 212 milhões?

Elmano Freitas: Nós estamos solicitando R$ 200 milhões para a saúde do estado do Ceará, mas para se ter uma ideia, o Hospital Universitário do Ceará, a previsão de manutenção desse hospital, com profissionais, com insumos, é de mais de R$ 800 milhões por ano. Portanto, nós temos muita necessidade de recursos para fazer essa ampliação. Nós estamos fazendo um investimento de mais de R$ 300 milhões para a construção do Hospital Polo Regional de Baturité, mais de R$ 280 milhões para a construção do Hospital Polo Regional de Iguatu. A colaboração da bancada ajuda muito no processo que estamos fazendo, mas efetivamente são os recursos próprios do estado do Ceará que se vão cumprir todas essas metas. Mas o recurso da bancada federal é muito importante para melhorarmos a saúde pública para o povo cearense.
RDM: O Senado instalou a CPI do Crime Organizado e está no plano de trabalho um convite à sua gestão. O sr. vai comparecer à CPI?

Elmano Freitas: Eu tenho certeza que todos os governadores vão ficar muito satisfeitos de poder discutir com o Congresso Nacional o enfrentamento ao crime organizado que precisa ser feito no Brasil. Se tem um desafio que nós temos é de mudança legislativa no país para efetivamente o esforço que estamos fazendo nos Estados de poder enfrentar organizações criminosas poderosas. Nós precisamos de alteração na lei referente às organizações criminosas, nós precisamos mudar a lei de progressão de regime de pena para as organizações criminosas, nós podemos integrar mais as nossas forças com o governo federal e é importante que a PEC [Proposta de Emenda à Constituição] da Segurança Pública também seja aprovada, mas eu tenho impressão que vai ser uma oportunidade muito importante dos governadores do país poderem dialogar com o Congresso Nacional e solicitar medidas legislativas que favoreçam os governos estaduais, enfrentarem o crime para nós superarmos a situação que temos hoje. Nós, no Ceará, aumentamos em 90% a prisão de faccionados no estado, nós aumentamos em quase 40% a prisão de homicídios no estado do Ceará e vivenciamos ainda uma situação de prendermos essas pessoas e elas serem soltas por necessidade de mudança legislativa para dar um par aos nossos magistrados, para dar um par aos nossos promotores e assim nós pudemos prender pessoas perigosas e que elas permaneçam presas. E evidentemente que isso vai gerar um debate de podermos ampliar as unidades prisionais do nosso país para poder garantir uma vaga para prender e manter essas pessoas presas.
RDM: Sobre a operação no Rio de Janeiro, que matou 121 pessoas – sendo 25 pessoas que não tinham passagem pela polícia. Qual a sua opinião sobre o ocorrido?

Elmano Freitas: Olha, eu tenho a impressão, não vamos ter que discutir muito, no Ceará, nós fizemos uma operação de confronto com facções e recentemente tivemos um confronto com a morte de sete faccionados no Ceará, em que penso eu, que é a maneira correta, e não teve um policial morto, não tem uma pessoa inocente que foi morta ou foi colocada em risco. É necessário muitas vezes fazer um confronto e eu já disse algumas vezes, em confronto da polícia militar com o bandido, que morra o bandido e o policial militar possa ter sua vida preservada e essa é a nossa posição e nós vamos continuar no estado do Ceará a fortalecer as forças de segurança para fazer os confrontos que forem necessários, mas sempre com o cuidado de não deixar a população civil no meio de um conflito armado que às vezes é necessário ser feito entre a polícia e uma facção. Nós temos que garantir a presença da polícia e ao mesmo tempo proteger a população e o civil que não tem a ver com a guerra das facções ou de um conflito que está estabelecido entre a nossa polícia e os faccionados. Nós temos que ser capazes de enfrentar o crime organizado, evitando colocar em risco a vida de cidadãos e cidadãs de bem.
RDM: Essa é uma mudança de opinião em relação à segurança pública e a posição do PT, não? O presidente da República, Lula, em uma entrevista à imprensa internacional, classificou como “desastrada” a ação da polícia do Rio. O senhor tem mudado de opinião a partir do que aconteceu no Rio. Como é que a sociedade pode entender esse recuo do senhor em relação à postura que a esquerda e o PT sempre adotou em relação à questão de segurança?

Elmano Freitas: Eu não mudei nenhuma opinião sobre a questão da segurança, eu mantenho a mesma opinião que eu sempre tive, que nós precisamos ter políticas sociais, precisamos ter políticas de prevenção, que nós precisamos efetivamente ter presença nos bairros, de não apenas ir lá e sair. Agora, precisamos ter força e enfrentamento, e é isso que nós estamos fazendo no Ceará. Nós contratamos mais de dois mil policiais militares, mais de 400 policiais civis, investimento na Polícia Forense, estamos fazendo concursos para fortalecer as forças de segurança, estabelecemos parceria com o Tribunal de Justiça e com o Ministério Público. O que nós temos efetivamente feito, no caso do Ceará, é o mesmo discurso desde quando eu assumi, é ação solidária com a população que mora no bairro e ação firme e dura contra o crime organizado.






























