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Doação de sangue e histórias de solidariedade que salvam vidas no estado

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Campanha nacional ganha força no Dia Mundial do Doador e destaca o papel do MT Hemocentro, além da dedicação de voluntários que ajudam a manter estoques abastecidos

 

 

 

Em um gesto que dura poucos minutos, mas pode representar a continuidade da vida para até quatro pessoas, a doação de sangue segue sendo um dos maiores atos de solidariedade dentro da saúde pública. Em Mato Grosso, a campanha Junho Vermelho, intensificada durante o Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho, mobiliza instituições, profissionais da saúde e voluntários em uma grande corrente de conscientização sobre a necessidade de manter os estoques abastecidos durante todo o ano.

 

Criada para incentivar a doação voluntária e regular de sangue, a campanha Junho Vermelho surgiu inspirada no Dia Mundial do Doador de Sangue, instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em homenagem ao nascimento do médico austríaco Karl Landsteiner, responsável pela descoberta dos grupos sanguíneos. A data se tornou símbolo mundial de reconhecimento aos doadores, bem como de alerta sobre a importância de ampliar o número de voluntários nos hemocentros.

 

Em Mato Grosso, o trabalho de coleta, processamento e distribuição de sangue é coordenado pelo MT Hemocentro, único banco de sangue público do estado e responsável por atender hospitais e unidades de saúde em diversas regiões mato-grossenses. A instituição coordena 47 unidades hemoterápicas e desempenha papel essencial para garantir transfusões em cirurgias, tratamentos oncológicos, transplantes, atendimentos de urgência e suporte a pacientes internados em UTIs.

 

Segundo o diretor do MT Hemocentro, Fernando Henrique Modolo, a campanha vai além da conscientização e busca despertar na população o entendimento de que a doação regular é indispensável para salvar vidas diariamente.

 

Diretor do MT Hemocentro – foto: Arquivo pessoal

 

 

“O Dia Mundial do Doador de Sangue reforça a importância da doação como um ato simples, seguro e essencial para salvar vidas. O sangue é indispensável para tratamentos, cirurgias e atendimentos de emergência e não pode ser produzido artificialmente. Dependemos exclusivamente da solidariedade da população”, destacou.

 

O diretor explica que uma única doação pode beneficiar até quatro pacientes, já que o sangue coletado passa por um processo de separação em diferentes componentes, como hemácias, plasma, plaquetas e crio precipitado. Cada um desses elementos possui aplicações específicas dentro da medicina e pode atender pacientes em diferentes situações clínicas.

 

“Uma única bolsa pode ajudar pessoas em cirurgias, pacientes em tratamento contra o câncer, vítimas de acidentes e recém-nascidos prematuros. Muitas vezes uma doação feita em Cuiabá salva vidas em municípios distantes do interior do estado”, afirmou Fernando Henrique Modolo.

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A necessidade constante de sangue é uma das maiores preocupações enfrentadas pelos hemocentros em todo o país. Durante períodos de férias, feriados prolongados, estiagem e surtos de doenças sazonais, o número de doadores costuma cair significativamente, enquanto a demanda hospitalar permanece elevada.

 

 

De acordo com o MT Hemocentro, os tipos sanguíneos negativos estão entre os mais necessários neste momento, justamente pela dificuldade de reposição e pela alta procura nas unidades de saúde. A instituição reforça que a doação precisa ser contínua para evitar situações críticas e garantir segurança no atendimento hospitalar.

 

Além dos casos de emergência, o sangue é fundamental para inúmeras áreas da medicina moderna. Pacientes em quimioterapia, pessoas submetidas a transplantes, cirurgias complexas, partos de risco e tratamentos hematológicos dependem diretamente da disponibilidade de hemocomponentes para continuar seus tratamentos.

 

“A transfusão é essencial em diversas áreas da saúde. Muitos pacientes dependem diariamente desse suporte para sobreviver. Manter os estoques abastecidos é garantir atendimento seguro em toda a rede pública”, ressaltou o diretor do MT Hemocentro.

 

Outro desafio enfrentado pelas unidades de coleta ainda é o medo ou a desinformação que afastam potenciais doadores. Muitas pessoas acreditam, de forma equivocada, que o procedimento oferece riscos ou é doloroso. No entanto, o processo é rápido, seguro e realizado com acompanhamento profissional.

 

Antes da coleta, o voluntário passa por uma triagem clínica e avaliação de saúde. Todo o material utilizado é descartável, eliminando qualquer possibilidade de contaminação. O procedimento completo dura cerca de 40 minutos, sendo apenas de sete a dez minutos destinados à coleta do sangue. Para doar, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar acima de 50 quilos, ter entre 16 e 69 anos — menores de idade precisam de autorização do responsável —, apresentar documento oficial com foto e estar alimentado, evitando bebidas alcoólicas antes da doação.

 

Embora os números e dados reforcem a importância da campanha, são as histórias humanas que revelam a verdadeira dimensão da doação de sangue. Uma dessas histórias é a do voluntário Edis Pardim, considerado um dos chamados “doadores nota mil” de Mato Grosso. Há mais de 30 anos, ele mantém a rotina de comparecer ao hemocentro para ajudar pacientes que sequer conhece. O gesto começou após uma situação familiar delicada, quando sua avó sofreu um grave acidente e precisou de transfusão sanguínea.

 

 

“Minha avó fraturou o fêmur e precisou de doação de sangue. Naquele momento eu vi de perto a importância desse gesto. Fui até o hemocentro e doei. Depois disso nunca mais parei”, relembrou.

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Desde então, a doação passou a fazer parte da vida de Edis Pardim, que hoje também atua incentivando amigos e familiares a se tornarem doadores regulares. Para ele, doar sangue significa oferecer esperança para pessoas que enfrentam momentos difíceis.

 

“Entendi que doar sangue é doar amor, esperança e vida para quem está precisando. Muitas vezes a pessoa não imagina a diferença que faz, mas para quem está em um hospital esperando uma transfusão, aquilo representa uma nova chance”, afirmou.

 

O doador acredita que a conscientização ainda é o principal caminho para aumentar o número de voluntários em Mato Grosso. Segundo ele, muitos deixam de doar apenas por medo ou desconhecimento.

 

 

“Eu sempre digo para as pessoas não terem medo. É um procedimento rápido, seguro e que faz uma diferença enorme. Às vezes você acha que está fazendo pouco, mas pode estar salvando vidas. A sensação de sair dali sabendo que ajudou alguém não tem preço”, declarou.

 

 

A experiência de décadas como doador também mudou sua forma de enxergar a solidariedade e o cuidado com o próximo. Para Edis, o ato de doar se tornou uma missão pessoal e um compromisso permanente com a vida.

 

“Passei a valorizar ainda mais a solidariedade. Saber que uma atitude simples minha pode ajudar pessoas de Cuiabá e de várias cidades do estado é algo muito especial. Tenho orgulho de fazer parte dos doadores nota mil e quero continuar ajudando por muitos anos”, disse.

 

 

O Junho Vermelho busca justamente ampliar esse sentimento coletivo de responsabilidade social. A campanha lembra que o sangue não pode ser fabricado em laboratórios e que a única forma de garantir atendimento aos pacientes é por meio da doação voluntária.

 

 

Em Mato Grosso, a necessidade é permanente. Hospitais públicos e privados dependem diariamente do abastecimento realizado pelo MT Hemocentro para manter cirurgias, tratamentos e atendimentos de emergência funcionando de maneira adequada.

 

A instituição reforça que qualquer pessoa apta pode se tornar doadora regular e contribuir diretamente para salvar vidas em todas as regiões do estado. Mais do que uma campanha pontual, o Junho Vermelho representa um chamado à empatia, à solidariedade e ao compromisso coletivo com a saúde pública. Enquanto pacientes aguardam por transfusões em leitos hospitalares, histórias como a de Edis Pardim mostram que pequenos gestos podem transformar destinos. E, em muitos casos, apenas uma doação é suficiente para oferecer aquilo que milhares de famílias mais precisam: esperança.

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