O Dia dos Pais pode ser mais do que uma data de homenagens. Para quem deseja aproveitar o momento para olhar com mais profundidade para a própria história familiar, a cuiabana Simone Bernardino, de 54 anos, mentora sistêmica de empresários, palestrante internacional e escritora, propõe um exercício de reflexão sobre a relação entre pais e filhos. A atividade parte de uma pergunta simples, mas capaz de provocar profundas emoções: o que carregamos por amor que já não precisa ser carregado?
A proposta ganha um significado especial na trajetória da própria Simone. Ela perdeu o pai ainda na adolescência, em um acidente de avião, mas preservou na memória ensinamentos que recebeu dele e que, décadas depois, continuam presentes em sua vida.
Antes de conhecer conceitos como Coaching, Programação Neurolinguística (PNL), Neurociência e Constelação Familiar, Simone já havia recebido do pai algumas das primeiras lições que levaria para a vida. Ele costumava mostrar à filha lugares diferentes, casas bonitas e possibilidades que estavam além da realidade que ela conhecia.
“Não aceite menos”, dizia.
Outro conselho também ficou marcado: “Estude, porque isso ninguém tira de você”.
A convivência foi interrompida precocemente, mas os ensinamentos permaneceram. É a partir dessa experiência de presença, perda e memória que Simone propõe, neste Dia dos Pais, um olhar para os lugares ocupados por pais e filhos dentro da família.
Faça o exercício
A atividade pode ser realizada tanto por filhos quanto por pais. A orientação é escolher um momento tranquilo, respirar profundamente e, se possível, colocar uma fotografia do pai à frente.
1. Como filho
Olhe para seu pai, esteja ele presente ou não, e diga em voz alta:
“Pai, você é o grande e eu sou o pequeno.
Você é o meu pai e eu sou o seu filho.
Eu recebo de você o maior presente: a vida.
Reconheço que sua história é sua e que meu destino é meu.
Não preciso carregar suas dores, seus medos, seus fracassos ou aquilo que você não conseguiu realizar.
Por amor a você, talvez eu tenha tentado repetir sua história.
Hoje eu escolho fazer diferente.
Eu honro você sem precisar repetir você.
Tomo a vida que veio de você e sigo o meu próprio caminho.
Pai, você é você.
Eu sou eu.
E, ainda assim, continuo sendo seu filho.”
Faça uma pausa e observe o que acontece dentro de você.
2. Como pai
Agora, se você é pai, imagine seu filho à sua frente e diga:
“Meu filho, você é o pequeno e eu sou o grande.
Eu sou o seu pai e você é o meu filho.
Você não precisa carregar o meu destino.
Não precisa realizar aquilo que eu não realizei.
Não precisa compensar minhas dores.
Não precisa repetir meus erros.
Eu assumo o que é meu e deixo com você o que é seu.
Você tem a minha permissão para viver uma vida diferente da minha.
Pode ser mais feliz.
Pode prosperar.
Pode ir mais longe.
Eu abençoo o seu caminho.
Vá e faça algo bom com a vida que recebeu.
Você não precisa permanecer pequeno para continuar pertencendo à nossa família.
Pode crescer.
Pode florescer.
Pode seguir.
Eu continuo sendo seu pai e você continuará sendo meu filho.”
Para encerrar
Coloque a mão sobre o coração e pergunte a si mesmo:
“O que eu ainda carrego por amor que não precisa mais ser carregado?”
Não é necessário encontrar uma resposta imediatamente. Apenas observe o que surge.
A proposta do exercício não é culpar o pai ou o filho, mas reconhecer lugares, separar responsabilidades e compreender que o amor não precisa significar carregar o destino do outro.
Ao final, escreva em uma folha:
EU HONRO MINHAS RAÍZES.
EU RECEBO A VIDA.
EU ASSUMO O MEU LUGAR.
E EU SIGO.


















