Representantes de centrais sindicais defenderam nesta terça-feira (19), na Câmara dos Deputados, que a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 sejam aprovados sem período de transição. O tema foi debatido em audiência pública da comissão especial que analisa a PEC 221/19, que propõe reduzir a carga semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial.
Durante a discussão, ao menos nove deputados retiraram assinaturas de emendas que previam prazo de dez anos para implantação gradual da nova jornada. Para que as propostas sejam analisadas, são necessárias ao menos 171 assinaturas. O relator da matéria, Leo Prates, deve apresentar o parecer final nesta quarta-feira (20).
Os sindicalistas afirmaram que a mudança não é uma pauta ideológica e argumentaram que os trabalhadores enfrentam jornadas mais desgastantes diante das transformações do mercado e do aumento das exigências profissionais. Presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros, Antonio Neto declarou que “a tecnologia reduziu o tempo das operações, mas a vida das pessoas não ficou mais leve”.
Em outra audiência realizada pela manhã, a empresária Isabela Raposeiras afirmou que sua empresa adotou escala 4×3 e registrou aumento de produtividade e redução de afastamentos médicos. Já a deputada Julia Zanatta defendeu que mudanças na jornada sejam negociadas entre patrões e empregados, argumentando que pequenas empresas podem enfrentar dificuldades financeiras.
Especialistas também relacionaram a atual jornada de trabalho a problemas de saúde. Segundo Vitor Filgueiras, da Fundacentro, estudos da Organização Mundial da Saúde apontam relação entre longas jornadas e doenças ocupacionais. A vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia, Thessa Guimarães, citou aumento de casos de depressão, ansiedade e riscos cardiovasculares ligados ao excesso de trabalho.















