Novembro Azul reforça necessidade de exames periódicos, hábitos saudáveis e conscientização sobre a saúde masculina
O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Detectado precocemente, apresenta mais de 90% de chance de cura. Em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) registrou 634 casos em 2024, e de janeiro a julho de 2025 já foram diagnosticados 155 novos casos, reforçando a importância da campanha Novembro Azul.
A campanha “Novembro Azul” é um movimento internacional que ocorre todos os anos em novembro, com o objetivo de conscientizar os homens sobre a saúde masculina, especialmente sobre a detecção precoce do câncer de próstata. Criada na Austrália em 2003 com o nome Movember, a iniciativa se espalhou pelo mundo e destaca a importância de desmistificar o exame de toque retal, incentivando os homens a superarem preconceitos e tabus. O mês de novembro foi escolhido porque o dia 17 marca o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata. A campanha reforça a necessidade de exames periódicos, geralmente a partir dos 40 ou 50 anos, conforme o histórico de cada paciente, e orienta sobre fatores de risco, sintomas e hábitos saudáveis que contribuem para a prevenção da doença.
Além do diagnóstico precoce, a campanha também incentiva a adoção de uma rotina de vida saudável, incluindo alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas e abandono do tabagismo e do consumo excessivo de álcool. Esses cuidados não apenas previnem o câncer de próstata, mas também outras doenças masculinas, contribuindo para uma melhor qualidade de vida. O câncer de próstata, quando identificado em estágio inicial, apresenta taxa de cura superior a 90%, tornando o rastreio e a prevenção ainda mais essenciais. A iniciativa ajuda a reduzir o estigma em torno da saúde masculina, promovendo o autocuidado e a busca por ajuda médica. Segundo dados da SES-MT, em 2024 foram registrados 634 novos casos de câncer de próstata no estado. Já de janeiro a julho de 2025, 155 homens foram diagnosticados com a doença, demonstrando que o câncer de próstata continua sendo um problema de saúde relevante para a população masculina mato-grossense. Esses números evidenciam a necessidade de conscientização contínua, de políticas públicas efetivas e de engajamento da sociedade para que os homens priorizem sua saúde.
O impacto do câncer de próstata não se restringe apenas à vida dos pacientes; ele também representa um desafio para o sistema de saúde, que precisa garantir diagnóstico precoce, acesso a tratamentos modernos e acompanhamento adequado. A detecção precoce, por meio de exames como o toque retal e o PSA (antígeno prostático específico), é essencial, pois aumenta significativamente as chances de cura e reduz a necessidade de tratamentos mais agressivos e complexos.

Esses dados reforçam a importância de campanhas como o Novembro Azul, que visam desmistificar preconceitos e estimular os homens a realizarem consultas médicas regulares. A iniciativa busca criar uma cultura de prevenção e autocuidado, mostrando que exames periódicos não comprometem a masculinidade, mas podem salvar vidas. Além disso, destacam-se a importância de hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e controle de fatores de risco como tabagismo e obesidade, que também contribuem para reduzir a incidência de doenças masculinas, incluindo o câncer de próstata.
A continuidade dessas ações educativas e preventivas é fundamental para diminuir a mortalidade, melhorar a qualidade de vida dos pacientes e conscientizar a população masculina sobre a necessidade de acompanhamento médico regular, reforçando que a prevenção é o caminho mais seguro para enfrentar o câncer de próstata em Mato Grosso. O urologista Dr. Fernando Leão explica que a resistência de muitos homens em procurar um urologista tem raízes culturais.
“Quando comparamos o homem com a mulher, percebemos que desde cedo a mulher é orientada a manter uma rotina de acompanhamento médico anual. Já o homem, ao entrar na adolescência e vivenciar sua sexualidade, muitas vezes se afasta da família nesses assuntos por vergonha ou falta de diálogo. Esse silêncio gera um distanciamento em relação ao médico, fazendo com que ele não veja o acompanhamento de saúde como algo natural”, afirma.
O especialista reforça que a conscientização desde a infância poderia tornar o acompanhamento médico algo normal, sem tabus, preparando o homem para cuidar da própria saúde na vida adulta. O diagnóstico precoce depende da combinação do exame de toque retal com o
PSA (antígeno prostático específico). “Se considerarmos 10 homens com câncer de próstata, em dois deles — 20% — o PSA ainda está normal. Nesses casos, o toque retal levantou a suspeita. Ele continua sendo um grande aliado na detecção precoce”, explica Dr. Leão.

Em sua fase inicial, o câncer de próstata não apresenta sintomas. Muitas vezes, sinais que levam o homem a procurar o urologista estão relacionados à hiperplasia prostática benigna (HPB), o crescimento natural da glândula, e não ao câncer. Por isso, a campanha Novembro Azul enfatiza a necessidade de exames periódicos a partir dos 50 anos para homens sem fatores de risco, ou a partir dos 45 anos para aqueles com histórico familiar da doença ou câncer de mama na família.
O especialista também destaca os avanços tecnológicos no tratamento do câncer de próstata. “O câncer de próstata talvez seja um dos que mais evoluíram. Hoje, a cirurgia robótica oferece maior precisão, recuperação mais rápida e preservação da função sexual e urinária. Novas máquinas de radioterapia e terapias ablativas permitem tratar regiões específicas da próstata, com mínimo impacto para o paciente”.
Um marco recente foi a aprovação da cirurgia robótica pelo SUS, garantindo acesso a uma tecnologia avançada a pacientes do sistema público. “O SUS já oferece radioterapia e cirurgia, principalmente a aberta, mas alguns centros, como o ITC e o HGU, disponibilizam a prostatectomia radical videolaparoscópica, minimamente invasiva, que preserva qualidade de ereção e continência urinária”, destaca o especialista.
O acompanhamento pós-tratamento também é fundamental. Após a cirurgia ou radioterapia, o paciente realiza exames periódicos: trimestrais no primeiro ano, semestrais no segundo e terceiro ano, e anuais a partir daí, garantindo monitoramento contínuo e detecção precoce de possíveis recorrências.
Além dos exames, hábitos de vida saudáveis reduzem o risco de desenvolvimento do câncer. “Cessar o tabagismo, reduzir álcool e ultraprocessados, praticar atividade física e manter peso adequado ajudam na prevenção não só do câncer de próstata, mas de diversas doenças masculinas”, enfatiza o urologista.
Ele destaca que a obesidade provoca inflamação sistêmica, favorecendo alterações celulares que aumentam o risco de desenvolvimento da doença. Dr. Leão reforça que a campanha também depende da conscientização familiar. “Conversas em casa ou no trabalho sobre experiências positivas com consultas médicas mostram que o acompanhamento anual é saudável e evita problemas maiores no futuro. Perder um dia de trabalho para cuidar da saúde é um investimento em qualidade de vida e produtividade”, afirma.
Para finalizar, a mensagem do especialista é direta: “Cuidar da saúde também é responsabilidade do homem. Consultar o médico não diminui a masculinidade. O exame de toque é seguro, não afeta a sexualidade e é essencial para detectar precocemente doenças potencialmente curáveis”.
Avanços na radioterapia

Já o Dr. Antônio Cássio, radio-oncologista com mestrado e doutorado em Radiologia pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado no A.C. Camargo Cancer Center, explica que os avanços na radioterapia transformaram completamente o tratamento do câncer de próstata. “Hoje, o rastreamento é muito eficiente, e a grande maioria dos casos é diagnosticada em estágio inicial, o que aumenta significativamente as chances de cura”, afirma.
Para orientar o tratamento, os pacientes são classificados em subgrupos de risco: baixo risco, intermediário favorável, intermediário desfavorável e alto risco. “Essa classificação ajuda a definir a estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente, aumentando a chance de sucesso. O controle da doença é medido pelo PSA, que deve permanecer abaixo de 2 a 2,5 nanogramas por mililitro, mesmo após o tratamento”, explica o especialista.
Cada grupo possui estratégias específicas:
Baixo risco: qualquer técnica de radioterapia pode ser utilizada, incluindo IMRT, IGRT, SBRT e braquiterapia. O controle bioquímico, medido pelo PSA, ultrapassa 90%, sendo considerado equivalente à cura.
Intermediário favorável: tende a se comportar como o baixo risco, mantendo altas chances de controle da doença.
Intermediário desfavorável e alto risco: normalmente não são indicadas braquiterapia isolada; preferem-se radioterapia com modulação da intensidade do feixe (IMRT) ou SBRT, dependendo da avaliação do oncologista.
O SBRT (Stereotactic Body Radiation Therapy) é uma das técnicas mais avançadas atualmente. O tratamento é realizado em cinco sessões alternadas, permitindo que os tecidos saudáveis se recuperem da irradiação, que é aplicada em doses concentradas, porém precisas. “O tratamento completo com SBRT dura cerca de 10 dias, considerando cinco sessões de radioterapia e mais uma sessão de planejamento, totalizando seis idas ao departamento. Essa abordagem reduz o tempo de tratamento e aumenta a precisão,
poupando tecidos saudáveis”, detalha Dr. Antônio Cássio.

Já a IMRT (Intensity Modulated Radiation Therapy), embora também eficaz, exige entre 20 e 25 sessões, devido à diferença na precisão e na administração da dose de radiação. A tecnologia mais moderna permite menos sessões, maior conforto e segurança para o paciente. Além disso, técnicas como a IGRT (Image-Guided Radiation Therapy) permitem ajustar a radiação em tempo real, garantindo que o tumor receba a dose correta, enquanto o SBRT ablativo concentra a radiação apenas na região afetada, poupando o restante da próstata e reduzindo efeitos colaterais.
Com as tecnologias atuais, os efeitos colaterais são mínimos. “O reto e a bexiga são os órgãos mais próximos da próstata e são protegidos, permanecendo dentro da margem de segurança. Alguns pacientes podem apresentar efeitos agudos até 90 dias após a radioterapia, como aumento da frequência urinária ou evacuatória, mas efeitos graves são raros”, afirma o especialista.
Dr. Antônio Cássio reforça que a detecção precoce influencia diretamente o sucesso do tratamento. “O PSA e a extensão do tumor dentro da próstata determinam se o paciente será de baixo, médio ou alto risco. Quanto mais cedo o câncer é identificado, maior a chance de tratar um paciente de baixo risco, que pode se beneficiar de qualquer tipo de tratamento, com maior probabilidade de cura”.
O especialista compara a situação à de um ovo: “Se o tumor invade a cápsula da próstata, células podem sair da glândula, aumentando o risco de metástase. Se estiver confinado, o risco é muito menor. Por isso, exames precoces são fundamentais”.
O custo do tratamento depende da tecnologia utilizada. “Quanto mais moderna a tecnologia, maior o preço, mesmo que o tratamento envolva apenas cinco sessões, porque cada sessão é complexa e requer acompanhamento direto do médico”.
A Ancomed investiu recentemente em um segundo equipamento considerado um dos mais modernos do país, permitindo que o SBRT seja realizado de forma frequente, rápida e segura. “Essa tecnologia reduz o número de sessões de 20-25 para apenas cinco, mantendo a eficácia do tratamento”, completa o especialista.
Dr. Antônio Cássio deixa um alerta e uma mensagem de incentivo aos homens: “O paciente não deve ter medo do exame de toque retal. Ele permite identificar rapidamente alterações na próstata e indica se exames adicionais, como o PSA, são necessários. Quanto mais cedo a doença é detectada, maiores são as chances de cura. Além disso, essas tecnologias avançadas tornam o tratamento mais seguro, preciso e confortável para o paciente”.
Segundo o especialista, a combinação de detecção precoce e tecnologias modernas como SBRT, IMRT e IGRT representa um avanço significativo no tratamento do câncer de próstata, oferecendo maior segurança, menos efeitos colaterais e melhor qualidade de vida aos pacientes. Tanto Dr. Leão quanto Dr. Antônio Cássio reforçam a mensagem central da campanha: cuidar da saúde não diminui a masculinidade. O exame de toque retal é seguro, eficaz e essencial para identificar precocemente doenças potencialmente curáveis. Aliado a hábitos de vida saudáveis e ao avanço das tecnologias médicas, o diagnóstico precoce e o tratamento especializado aumentam significativamente as chances de cura e proporcionam melhor qualidade de vida aos pacientes.
A combinação de prevenção, conscientização, detecção precoce e tecnologia representa o caminho mais seguro para enfrentar o câncer de próstata, reforçando que a saúde masculina deve ser prioridade ao longo de toda a vida. Em Cuiabá, o principal local de referência para o tratamento do câncer de próstata pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é o Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCanMT), que oferece consultas, exames, cirurgias e demais tratamentos oncológicos. O diagnóstico também pode ser iniciado nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que realizam a avaliação inicial, solicitam exames como o PSA e encaminham os pacientes para especialistas. Durante campanhas como o Novembro Azul, mutirões e ações preventivas são intensificados nas UBSs, facilitando o acesso à detecção precoce da doença.
Além do atendimento médico, instituições de apoio ajudam pacientes e familiares durante o tratamento.
A Rede Feminina de Combate ao Câncer promove ações de conscientização e suporte, enquanto a Casa de Apoio Vinde, próxima ao HCanMT, oferece hospedagem para quem vem de outras cidades. Mesmo instituições focadas em crianças, como a Associação dos Amigos da Criança com Câncer de Mato Grosso (AACCMT), podem fornecer informações e apoio às famílias, garantindo uma rede de suporte abrangente
durante todo o processo de tratamento.
















